sábado, 27 de novembro de 2010

Porque Odiamos a Filosofia - 2ª Parte



Na verdade não odiamos a filosofia.

Dizemos que odiamos a filosofia como meio taxativo de se quer, abrirmos um mínimo espaço para sua entrada em nossas vidas.

No primeiro minuto de jogo, já lhe aplicamos um cartão vermelho,  porque acreditamos que a sua presença tornaria a nossa partida sem graça.

Na verdade temos medo da filosofia.


E porque temos medo da filosofia?


Porque temos medo de pensar!

Pensar poderia revelar que não somos afinal, aquilo que acreditávamos ser.

Pensar poderia colocar dúvidas sobre os nossos valores, sobre o nosso real amadurecimento, sobre o sentido da vida, nos obrigaria a buscar respostas.

E as tais respostas prontas com suas "velhas opiniões formada sobre tudo", não mais nos serviriam de apoio para continuarmos a ser, quem sempre parecíamos que éramos ser.

O medo de pensar é o medo de mudar.

Desde crianças aprendemos por meio de nossa natureza, cujos sentidos se abrem para fora e através do convívio com adultos que só eram "pessoas grandes" mas não maduras, que tudo o que necessitamos para ser felizes e nos sentirmos indivíduos completos, nós encontraríamos no exterior, através de coisas, bens, relacionamentos, realização financeira e profissional.

Este comportamento é condicionado, e é por este motivo que hoje vivemos numa sociedade de consumo que diz "me diga o que consomes e eu te direi quem tu és".

Se esta ordem vigente estivesse de acordo com a razão, não haveriam crises financeiras e/ou problemas sociais, não pensar é se omitir e a omissão contribui para que as coisas permaneçam como estão.

Nós somos o mundo, portanto não é mundo que precisamos mudar, somos a nós mesmos.

Pensar é a mais valiosa ferramenta para o autoconhecimento.

O autoconhecimento é a mais importante ferramenta para nos libertarmos de nossas prisões, limitações, preconceitos, julgamentos, pré-julgamentos, confusões, emoções mal resolvidas, apegos, desafetos, mágoas, entre tantas outras barreiras e bloqueios que nos impedem de amadurecermos e ser quem nós somos em nossa essência.

Abrir mão do medo de pensar e encarar o medo de olhar para dentro de si sãos os primeiros passos para nos tornarmos responsáveis diante de tudo aquilo que sentimentos e vivenciamos em nossas vidas.

Caso contrário, permaneceremos vítimas de um sistema, e como vítimas estaremos fadados ao fracasso ou ao sucesso ilusório de alcançarmos os objetivos que foram escritos por outros e não por nós mesmos, o que ao final é também um fracasso.

Ao tornar responsáveis por nossas vidas nos tornamos livres para decidirmos o que desejamos sentir, vivenciar, realizar e assim encontrarmos com a nossa verdadeira natureza essencial.

Pensar é simples, mas não é uma tarefa fácil, exige concentração, atenção, análise, comparação, questionamento, dúvida, etc.

Pensar é o único meio de nos tornamos livres, pois é na mente que tudo começa e termina afinal.

O Grande Desafio de Escrever sobre Espiritualidade




Muito se escreve sobre espiritualidade, mas pouco do que se escreve é escrito por meio da consciência espiritual.

Este texto, por exemplo, é mais uma reflexão sobre a espiritualidade,  assim como os demais textos deste blog sobre espiritualidade, também podem ser chamados de reflexões.

O Espírito está muito além do que pode ser expresso, sua natureza divina e abstrata não pode ser reduzida a meros símbolos.

Ao falar sobre espiritualidade estamos estabelecendo um foco que tem por direção o caminho inverso ao dos sentidos, pois enquanto os sentidos estão direcionados para "fora" e são as origens de nossas percepções, a busca espiritual estará sempre direcionada para "dentro", que é onde reside o conhecimento do espírito.

A busca espiritual genuína é rara, porque a maioria de nós seres humanos, nos orientamos a partir do autoconceito estabelecido de que nós somos o resultado histórico de um processo linear, limitado aos sentidos e ao corpo, desta forma, todos os nossos objetivos estão ligados a necessidades físicas e não espirituais.

Por esta razão, a grande massa busca as religiões não para encontrarem a verdadeira natureza do espírito e através desta vivenciar um estado de paz e plena bem-aventurança através do autoconhecimento, mas a sua busca está quase sempre relacionada a sua idéia limitada do que é segurança e de que todos nós sabemos exatamente aquilo que necessitamos para vivermos em paz. (Casa, carro, bens materiais, um excelente negócio ou emprego, realização amorosa, família unida, saúde, etc).

Por este motivo, grande parte dos livros sobre espiritualidade, escritos com boa intenção no intuito de auxiliar-nos em nossas vidas diárias, na verdade, tratam sobre leis da mente e não leis espirituais, desta forma, não visam a descoberta do espírito, mas meios de melhor utilizar nossas mentes e nossas relações, para alcançarmos o "sucesso", tendo como parâmetro os mesmos valores estabelecidos pelo ponto de vista sócio-econômico de qualquer doutrina fundamentalmente materialista para determinar o que é o sucesso.

Por este motivo, vejo que é um grande desafio, escrever sobre espiritualidade e não há dúvidas de que poucas pessoas estão abertas e preparadas para vivenciarem a espiritualidade genuína em suas vidas.

Mas como tudo no plano da mente é um processo gradativo, mesmo a pseudo-espiritualidade é um estágio importante no amadurecimento do ser para a abertura de sua mente à genuína espiritualidade.

Manter a mente aberta é uma virtude.

Nas próximas postagens sobre espiritualidade, nosso foco será a desconstrução de algumas idéias espiritualistas amplamente aceitas, e que como veremos não são nada espirituais.

O intuito aqui não é desrespeitar crenças ou quem quer que seja (pessoa ou instituição), mas compartilhar reflexões, com àqueles cuja mente aberta se permitem ampliar horizontes através de um pensamento analítico, por meio do questionamento de todos os nossos valores, objetivando a expansão da consciência com relação a verdadeira natureza espiritual da vida.


terça-feira, 23 de novembro de 2010

Imutável Essência



Tela


tintas


pincéis


um artista


sua imaginação


seus delírios


seus desejos


sonhos que se projetam


através de telas


da tinta e pincéis


paisagens exuberantes


desenhos chocantes


cenas de amor e de medo


simplicidade e exageros


onde?


Se a tela permanece tela


pincéis permanecem pincéis


e tintas permanecem tintas


e a essência é sempre imutável


e só o artista é louco


mas a sua loucura permanente


o faz parecer com a tela


com as tintas, com os pincéis


e tudo é como acreditamos ver


símbolos de algo indescritível


que julgamamos conhecer


através de palavras


que desenham


que pintam


sobre a tela virtual


mas tudo não passa


de uma sequência de um e zero


e eu deixo minha criança brincar


sempre inocente


sempre criança


sempre divina


sempre
.
¡Imutável Essência!


O Alegre e Divino Poema do Despertar


Ressentimentos me aprisionam na dor.
De um passado que eu mantenho vivo.
Sem perceber, sou quem assim decido.
Mantê-lo aqui para o meu próprio mal.

E ao olhar para o passado assim vejo,
Tantos culpados pelos meus fracassos,
Posso dormir na minha própria ilusão,
De que eu sou vítima num mundo cão.

Mas se sou vítima o que posso mudar?
E com presenças sempre ameaçadoras,
O agora é condenado como o passado!
Pronto para tornar-me outra vez infeliz.

O futuro será como hoje e como ontem,
Tudo só muda para continuar o mesmo,
Só o medo será sempre um inimigo fiel.
Melhor tê-lo vivo do que ser de todo só.

Mas uma voizinha tão fraca e tão baixa.
Sopra das profundezas de mim mesmo,
Revelando-me uma verdade tão simples
E capaz de me despertar deste pesadelo.

Tive de abrir mão de outras tantas vozes
Que imploravam e gritavam por atenção,
Exigindo atender suas tolas necessidades
De problemas insolúveis e intermináveis!

Foi preciso meditar e buscar o silêncio,
Deixar de só analisar e apenas observar.
Buscar a simplicidade e permitir-se Ser,
Crer que algo pudesse assim se revelar.

Assim confiando poder existir uma saída,
Outro jeito, outro meio ou uma outra via.
Uma chave que estivesse agora presente,
Que me libertasse da dor inconseqüente.

Abandonei por instantes todo o conflito,
Vi um irmão como nunca o tivesse visto,
E permiti que aqui a paz pudesse entrar.
Pasmem diante daquilo que eu ouvi falar.

A fraca voz foi tornado-se audível, sim!
O que antes era um pequeno sussuro,
Cresceu através da escolha e aceitação
E nobre conselho veio como revelação.

Se tu colocares todas as mágoas de lado
Entendendo que és o único responsável,
Por tudo que até hoje você pode sentir,
Que escolherás sentir de agora a diante?

Livre-se de tudo aquilo que te machucou
Perdoa e poderás seguir tão livremente,
Liberando assim o passado no presente
Sem obrigar o amanhã a ser como ontem!

Perdoa-te a si mesmo para te conheceres
E desfrute do reino que há dentro de vós.
Escolherás ser feliz ou vencer discussões?
Ser vítima ou responsável pelo destino?

Tuas mágoas são a tua coroa de espinhos,
Cada julgamento um cravo que te detém
Por mais tempo ainda pregado a tua cruz!
Queres a morte ou ressurreição de Cristo?

A escolha sempre será tua lembre-se disso
Porque ninguém te expulsou lá do paraíso,
Tu continuarás ser forasteiro neste mundo?
Ou então decidirás retornar filho pródigo?

E eis aqui o segredo de tua grande busca!
Este despertar através da sua iluminação,
O Pai espera com Seu Santo e puro amor!
Não para condená-lo ao inferno de horror!

Inferno este que a culpa para ti construiu
Lançando-te num mundo pleno de vazio
O medo apagou da memória quem tu éras
Sim um co-criador divino de outras esferas!

Escolha pelo despertar santo filho de Deus!
Tu estás cansado desses sonhos e pesadelos!
Volta-te para dentro e não seja prisioneiro!
Encontre a verdadeira liberdade do Espírito!

Entoemos cânticos agradecendo a Deus!
Tudo Ele criou perfeito na esfera celestial,
Nós somos o reino e Sua sagrada morada,
Que assim sejamos para toda a eternidade!

Sem dúvidas, prostei de joelhos ao chão,
O meu ego não mais resistiu e se partiu,
Como um fruto estragado da árvore caiu.
E se foi o conhecimento do bem e do mal.

O mal, portanto nunca passou de pesadelo,
O Espírito pode nos despertar gentilmente,
Junto Dele agora canto muito alegremente!
Até que a última centelha decida retornar!

Assim seja!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

PORQUE ODIAMOS A FILOSOFIA?




Porque a filosofia é tão desprezada pela sociedade?

Porque os jovens de hoje em dia torcem o nariz quando ouvem esta palavra? Porque a cada dia mais e mais universidades retiram da sua grade de ensino o curso de filosofia? e porque muita gente afirma odiar a filosofia?

Eis uma questão filosófica muito simples de responder.

Pensar não é uma atividade comum ou valorizada por nossos contemporâneos.

Pensar hoje nada mais é do que um "conjunto de reflexos condicionados, organizados em poucas e imprecisas etapas, que tem por intuito resolver um problema ordinário de ordem prática, que em 99% das vezes envolvem questões ligadas ou a dinheiro, relacionamento ou ao próprio corpo".

Este "pensamento" prático faz do pensar mais elaborado, cuidadoso, exigente ou até metódico, algo enfadonho por todos aqueles cujos hábitos profundamente arraigados não permitem se dar ao "trabalho" de pensar por meio de uma reflexão mais ampla.

Neste sentido o filósofo realmente incomoda e torna-se um ser detestável, porque o filósofo pertuba o sono da razão.

A preguiça coletiva no ato natural de pensar, a letargia de raciocínio e a incapacidade para a reflexão são os verdadeiros alicerces do status quo, ou seja, de um sistema formado por "não pensadores" (individuos incapazes de pensar a sua própria existência), despreocupados com a justiça, com o bem coletivo, com o amadurecimento e com o exercício das capacidades da inteligência humana.

Odiamos a filosofia porque preferimos continuar dormindo o sono da razão, desta forma, não há necessidade de amadurecermos, nos preocuparmos com questões fundamentais para a vida, para a sociedade e o mais importante não precisamos perder tempo, porque tempo é dinheiro e pensar só é válido quando o foco do pensamento é como ganhar mais dinheiro.

Logo se filosofia não dá dinheiro e não resolve questões práticas do cotidiano ela é digna de desprezo e de ódio.

Coitada da filosofia. Ou melhor, coitada desta sociedade alienada de si mesma.

Seguidores