domingo, 30 de janeiro de 2011

A Macro e a Micro-Violência




A violência nunca é um fenômeno individual e isolado, se quer posso crer  na existência de qualquer outro fenômeno que seja completamente individual, porque o individual é reflexo do macro, como o macro é um reflexo do micro, tudo se interpenetra para a criação de um todo, de um conjunto que se interage através de múltiplas vias.

A violência é uma linguagem, uma forma de expressão infantil, primitiva, instintiva, reativa de causa complexa e multifacetada, mesmo após diversos estudos realizados nas mais variadas áreas do saber, como a biologia, a antropologia e a psicologia a comunidade científica não responde de forma satisfatória ao dissecar todas as nuances relacionadas ao fenômeno da violência, a não ser hipóteses diversas que ora se encaixam a determinada situação e ora não, mas nunca revelando completamente a chave da questão.

Se onde está o problema está também a solução, conhecer as causas da violência torna-se uma questão de fundamental importância para o estabelecimento da paz, pois uma vez conhecida e neutralizada o conjunto de condições que propicia o ato de violência, logo este poder ser evitado e, assim não se estabelecerá.

Para ilustrarmos: Vivenciamos hoje na sociedade brasileira, como em muitos outros lugares do mundo, um índice de violência contra as mulheres, que é alarmante. Criar leis que protejam a segurança das mulheres como a lei Marinha da Penha em nosso país tupiniquim e punir os homens que realizam tal ato de violência são apenas meios de lidar com os efeitos imediatos decorrentes desses atos e não um meio de trabalhar suas causas.

Como diz a sabedoria chinesa através do sábio Lao Zi (Lao Tse): "Quanto mais leis e ordens baixarem, mais infratores haverão". Não há dúvidas quanto a isto, quando uma lei que visa a proteção de uma classe de pessoas é promulgada para a sua segurança, isto significa que a quantidade de crimes recorrentes naquela direção tornou-se insustentável, e a partir daquele instante pensa-se em criar punições e castigos como tentativas de frear tais atos de violência.

Mas o que não se questiona de maneira mais ampla é: Como pode um fato tornar-se tão frequente, como a violência contra a mulher e não observamos que há uma crise de ordem social, histórica, mental, ou o que quer que seja, mas que é de ordem coletiva (macro), por de trás das ações de diversos indivíduos (micro), que desencadeiam esta ação?

Pois até onde eu saiba, esses indivíduos não formaram uma ONG e se reuniram através de um comitê nacional e decidiram através do voto majoritário que agrediriam ou matariam suas ex-esposas, ou esposas, ou namoradas ou ex-namoradas. (Entre as mais de 1 milhão de mulheres que relataram, em 2009, ter sido agredidas, 25,9% foram vítimas de companheiros ou ex-companheiros, segundo o IBGE).

No entanto, não tenho dúvidas de que há por de trás deste ato de violência contra a mulher uma causa comum, que desencadeia uma ação de ordem coletiva, como se existisse algo interligado numa grande cadeia, culminando nesta barbárie.

Não entrarei aqui no mérito da questão, levantando hipóteses ou analisando situações para tentar entender ou explicar quais poderiam ser as causas, históricas, psicológicas, sociais, para tal ocorrência hoje tão frequente, mas uma conclusão lógica e que incomodaria a muitos indivíduos é o fato de que nós somos os responsáveis diretos ou indiretos por todo ato de violência presente na sociedade, na medida em que nos isolamos em nossas "carapuças", e não nos incomodamos com um fato, até que ele nos atinja.


Todo ato de estupidez, de rejeição, julgamento, preconceito, desprezo, indiferença, desrespeito que venhamos a cometer por qualquer um de nossos semelhantes (seja ele ou ela, adulto ou criança, jovem ou idoso, negro ou branco, estrangeiro ou concidadão, homoafetivo ou heteroafetivo), ocorre devido a nossa visão diminuta, que não permite enxergar que diferenças superficiais, não nos diferenciam em essência humana, e que todo ato como estes, são pequenos atos de violência que irão gerar reações (causa e efeito), desejo de vingança, desequilíbrio de ordem emocional, mental e  psicológica, e que por sua vez inspirará grandes atos de violência (um gesto de um só indivíduo influencia todo o seu meio, na mesma proporção em que o meio influência todos os indivíduos).

É por este motivo que o nacionalismo, a religião, o sexismo, o partidarismo, a centralização do poder na mão de uma classe em detrimento a outra, todos estes fenômenos fomentam preconceitos, diferenças, separações, guerras, ódios, disputas que faz com que os seus membros, partidários e defensores deixem de reconhecer a essência humana comum por de trás de todos os indivíduos, assim como suas necessidades em comum.

E ao invés de por meio da colaboração mútua buscarmos alcançar nossas metas, damos inicio a uma concorrência por meio de uma disputa insana, onde uns desejando ser melhor e possuir mais do que outros, nos faz esquecer completamente  de que nós somos a extensão de um todo, de que em essência ninguém existe em separado,  e devido ao medo de que algo possa nos faltar, nos preocupamos só em nós mesmos e em nossos pequenos núcleos familiares e buscamos acumular o máximo de reservas com o receio de que amanhã algo nos faltará devido a escassez que acreditamos existir na natureza, no mercado, no universo.

Por essas e outras razões, vejo que o medo é um dos pontos determinantes, na causa e origem da violência (somente os covardes são violentos), quantos animais não são dizimados na natureza pelo simples motivo de que um outro animal se sentiu ameaçado devido a presença de um "estranho em seu território" e este mesmo fenômeno que acontece na selva ao meio da natureza, ocorre também no universo humano, a desconfiança mútua, as diferenças acentuadas por ideologias diversas, a ganância e o desejo de poder para manipular e controlar outras vidas humanas, todos esses fatos geram conflitos, acentuam o medo, faz com que sintamos a necessidade de nos armar em defesas a essas constantes ameaças, e é óbvio que em uma sociedade onde os indivíduos estejam sempre armados o conflito e a violência seja uma constância.

E o que podemos nós em nossas vidas diárias, dentro do nosso ciclo de relacionamentos, fazermos para proporcionar paz aos nossos semelhantes, ao mundo e a nós mesmos?

Refletiremos sobre esta questão em uma outra postagem!

Paz e Luz!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Espiritualidade Genuína




Ao falar sobre o grande desafio de se escrever sobre espiritualidade, tenho citado muitas vezes a expressão "espiritualidade genuína" para contrapor com aquilo que não é verdadeiramente "espiritual".

A desconstrução é uma etapa fundamental para o aprendizado de um novo processo, sem a desconstrução não é possível o aprendizado de algo "absolutamente novo", pois mesmo se deparando com algo "novo" ou "transcendente" a "velha mente" formada por hábitos, condicionamentos, tradições, percepções, valores estabelecidos e limitações; interpretará a novidade com os seus "velhos olhos" o que naturalmente, irá deturpar a mensagem por de trás do "transcendente".

Descrever para uma mente comum o que é espiritualidade é como descrever para um cego de nascença o que são cores, da mesma forma que não é fácil explicar para aquele que enxerga, que a cor tal como vista por nós, não existe da forma com que vemos, as cores são um resultado direto de uma percepção de estímulos, provocados pela ação de um feixe de fótons sobre as células especializadas da retina e que transmitem a informação pré-processada pelo nervo óptico para o sistema nervoso, ou seja, nós enxergamos na verdade a forma com que o cérebro organiza e processa informações com o intuito de compreender o ambiente em que vive e diferenciar um objeto do outro e não como os objetos realmente são.

E justamente quando falamos ou escrevemos sobre espiritualidade, estamos utilizando signos que estão baseados na descrição de nossas percepções tais como observamos, sentimos e experimentamos o universo físico a nossa volta que não tem nada de espiritual, ou seja, utilizamos daquilo que nos é visível e tangível (o símbolo), para descrever aquilo que nos é invisível e intangível (o espiritual). 


Portanto ao falar, ler ou escrever sobre espiritualidade é fundamental estar ciente de que "doutrinas", livros, estudos, etc, são apenas setas, indicativos, sugestões, métodos, que tem por objetivo nos direcionar rumo a realização, ao experimento, a transformação, que possa nos possibilitar contato com o espiritual.


A espiritualidade genuína nada tem haver com este mundo em que "acreditamos" viver.


O mundo espiritual reflete somente a lei divina, que é perfeita e imutável tão como é o criador, quando Jesus nos diz "o meu reino não é deste mundo" ele também nos quer dizer que as leis através das quais ele realiza o seu propósito não são regidas por este mundo, cujas leis são regidas pelo caos, mas sim pelas diretrizes do plano espiritual.

Nenhum valor espiritual é parcial, o amor espiritual não é o amor humano (especial e limitado a uma parte do todo), o amor espiritual é pleno, completo e inteiro, abrange todo o plano da criação, Deus e a nós mesmos. A riqueza espiritual não é tal como a riqueza humana, frágil, sujeita a intempéries, mudanças de condições e dependente conservação do corpo (um multimilionário deste mundo, torna-se um pobre miserável diante de uma "doença fatal" e dita incurável), diante dessas mudanças permanentes, torna-se praticamente impossível a paz, a confiança e a entrega plena a valores e princípios no convívio e nas relações estabelecidas no "plano material".

Em resumo, os valores espirituais são ilimitados, imutáveis, eternos, completos e plenos, nos dão confiança total e certeza absoluta do caminho da verdade e da vida, diferente dos valores deste mundo que são limitados, mutáveis, temporáis, incompletos e, portanto insatisfatórios (àqueles que nasceram do ilimitado e do eterno, jamais encontrarão a satisfação plena naquilo que é limitado e que está sujeito ao tempo, porque tal natureza é negação da essência do próprio ser).

Isto não significa, entretanto, que o objetivo da espiritualidade neste mundo seja o de alcançar o paraíso após a morte física e assim a plena realização neste outro mundo, não. O objetivo da espiritualidade neste mundo é desfazer todas as ilusões, curar todos os desequilíbrios, perdoar toda idéia de julgamento, punição e culpa, corrigir as percepções equivocadas, retirar todos os bloqueios que nos impedem de nos sentir em unidade com o todo e a presença do amor de Deus em nossas vidas.

O livro Um Curso em Milagres nos diz que a única coisa que precisa ser reparada é o nosso senso de separação com Deus, uma vez que esta ilusão tenha sido plenamente superada a realização espiritual foi alcançada.

Ramana Maharshi ensinava a realização espiritual através da auto-investigação (self-enquiry), ou investigação direta principalmente utilizando-se da questão "Quem Sou Eu?" apontando assim o auto-conhecimento pleno como método de realização e despertar para a essência espiritual.

Sidharta Gautama o Budha ensinou a dor e o fim da dor (através das quatro nobres verdades e da nobre senda óctupla), traçando o caminho para o nibbana (suprema realização espiritual segundo o budismo).

Portanto, chamo de espiritualidade genuína todo e qualquer caminho espiritual que esteja totalmente comprometido com a busca da verdade (que transforma e liberta); que aponta para uma verdade transcendental (que está além da percepção dos sentidos físicos) e que pode ser vivenciada e conhecida através da experiência direta de sua realização; cujos valores são opostos aos valores deste mundo; que possibilite ao homem realizar o máximo do seu potencial de crescimento, expansão da consciência e do seu pleno amadurecimento (que consequentemente o tornará um ser mais sensível, amoroso, pacífico, sapiente e altruísta).

Busquemos portanto a espiritualidade genuína para que possamos vivenciar a paz suprema, a verdade,  a libertação, a santidade, a suprema realização e a bem-aventurança, ou seja, heranças espirituais que todos nós herdamos da Grande-Vida que vibra dentro de cada um de nós.






quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Cristãos Servos do Poder Temporal



A letra realmente mata e também dilacera. Isto é, se ela for usada com fins assassinos.

O assassinato mais cruel não é aquele que derruba o corpo e o lança ao esquife, mas é aquele que nos faz esquecer a alma e impede o seu despertar (pois é mais trágico um morto-vivo, do que um morto-morto), um exemplo prático disso é a ausência de amor, o amor é vida (Deus é amor e o doador da vida), portanto, a ausência do amor é morte.

Todos os tesouros que enriquecem a alma são heranças santas da divina criação, independem de qualquer aspecto da vida material ou da projeção externa diante de tudo aquilo que é visto por nós, num mundo externo e aparentemente desconexo de nossos pensamentos.

Diante disso, não há dúvidas de que os tesouros pelos quais Jesus nos ensinou a buscar, os tesouros dos céus, onde não há traça que possa comer, nem ferrugem corroer e nem ladrões que possam roubar, são tesouros encontrados no âmago de nossos seres (dentro de nós mesmos), pois é aí que se encontra o reino dos céus, logo, é aí que os tesouros celestes se encontram guardados, intactos e protegidos pela santidade inerente ao Ser.

No entanto, há aqueles, que iludidos por “valores do mundo” que são as riquezas temporais, observa na conquista de tais bens, um reflexo da benção divina, é a chamada “teologia da prosperidade” e esses pobres irmãos, que dormem e sonham um mundo que não existe, transforma a mensagem cristã em algo diametralmente oposta a mensagem do Cristo.

Diante deste fato vemos distorções de todos os tipos, como sacerdotes assalariados, profundo “materialismo espiritual”, instituições religiosas detentoras de grande poder econômico, possuindo inclusive canais de rádio e televisão, complexas estruturas hierárquicas semelhantes a de um empresa, que privilegia cargos em detrimento a outros, dando acesso a ganhos e lucros reais, e tudo isto, conquistado por meio da manipulação e da distorção da mensagem espiritual, daquele que nunca fundou uma igreja, nunca recebeu um dízimo ou dinheiro por suas curas ou ensinamentos e que nos deixou claro que o seu reino não era deste mundo, e que portanto, não dependia de coisas materiais.

Há alguma instituição, livro ou objeto de valor que possa oferecer e ensinar o amor pleno a Deus, ao próximo, a nós mesmos e a toda criação? Não há! E abrir-se para a divindade para receber suas dádivas, não requer que seja gasto nenhum centavo, e a atitude de gratidão mais profunda para com o Espírito é levar de graça aquilo que foi recebido de graça ao irmão que clama por ajuda, que se encontra em trevas porque desconhece a luz que mora dentro de si mesmo, ou seja, a única oferta digna do espírito é espiritual.

Mas todos aqueles que se encontram iludidos (cegos guiando cegos), necessitam profundamente do nosso perdão (eles não sabem o que fazem), e não há nada que eles possam fazer, que vá distorcer a verdade do Cristo (que está além de qualquer distorção, porque é regido por divinas leis e o amor do Pai pelo filho é eterno e imutável), portanto, não condenemo-los, mas sobretudo, oremos a Deus, elevemos os nossos pensamentos ao altíssimo, com a total e absoluta confiança de que todos os nossos irmãos serão salvos, porque o plano de salvação de Deus é infalível, e não há aquele que hoje esteja dormindo que dormirá para todo o sempre, mas todos irão despertar no dia do juízo final (e cada um vivenciará o juízo, quando chegado o seu dia), não para serem condenados como pensam as crianças quando estão com medo, mas para resgatarem a inocência e a glória do Filho e regressarem ao reino de Deus.

Todos os cristãos servos do poder temporal, despertarão na sua hora, no seu momento, para a verdade de que toda a dádiva do reino se encontra no Espírito e não no bem de consumo, pois a verdadeira prosperidade é a glória do Espírito, quando ele se encontrar pleno de amor, pleno do Espírito Santo dentro de si e ao vivenciar o estado de uma só mente com o Cristo, nesse momento o cristão viverá na plena união com Deus, nada mais lhe faltará. E independente de suas circunstâncias econômicas, este vivenciará a Paz de Deus, está paz que esta além do entendimento deste mundo.

domingo, 16 de janeiro de 2011

AS MIL E UMA DISTRAÇÕES



Sem um ideal unificado é praticamente impossível vivenciar e reconhecer a dimensão verdadeira da existência.


Nenhuma prática semelhante à religiosa que transforma a atividade dita "espiritual" numa atividade social, entre as muitas atividades cotidianas, tem o poder de conduzir seu aspirante a uma experiência genuina, ao contrário, contribui para a fragmentação da mente.


As mil e uma distrações é a maior barreira para o despertar.


Chamo de "as mil e uma distrações" as muitas preocupações da mente com aquilo que não é essencial, mas por se encontrar o indivíduo aprisionado pela percepção imediata e superficial de seus sentidos físicos contaminados por pensamentos condicionados, este perde a sua conexão com o sagrado e desta forma perde a conexão com o ser.


O caminho genuíno sempre dará ênfase a auto-investigação e a experiência direta com o sagrado, nenhum livro pode ser mais importante do que o Ser, nenhum mandamento será mais importante que uma vivencia direta, nem um julgamento ou preconceito estará acima do amor.


Muitos buscadores vivenciam o que eu costumo chamar de "a abertura do leque" que é o período de pesquisa, leitura, onde entramos em contato com muitas vertentes místicas, filosóficas e científicas e tal como uma criança, nos sentimos deslumbrados diante das novidades que surgem ante aos nossos olhos curiosos e da nossa sede de saber.


No entanto, este período também faz parte "das mil e uma distrações". 

É de fundamental importância que neste período o buscador possa encontrar um caminho que melhor se adequa a si naquele momento e faça e que o sinta vibrar em seu coração, e a partir deste encontro dar início à realização de sua “grande síntese” e então aprofundar-se neste caminho, construindo um forte relacionamento que precisará da sua completa entrega.


Vivemos na era da informação, por um lado isto é magnífico, o acesso a informação é realmente um direito de liberdade dos mais importantes da sociedade moderna, respeitado por alguns países e menos por outros. A internet tornou-se o veículo mais poderoso neste acesso a informação, apesar de que a grande massa ainda, tem a televisão como vitrine para o mundo, no entanto, há um grande risco por de trás disso.


Receber uma gama de informações massificadas desnorteia a mente, deixando-a sem direção, no entanto, há alguns valores estabelecidos pela sociedade de consumo, que procura convergir os indivíduos em torno de uma causa (que é a propriedade privada, o bem de consumo e o acúmulo de capital), o que não é suficiente para eliminar dois corrosivos para o potencial da mente, a fragmentação e a dispersão.


Uma mente dispersa, uma vontade pouco intensa, uma motivação menor (como a curiosidade, a obtenção de conhecimento para conquista de erudição, cumprir com um dever para com a família, para com a sociedade), uma dedicação em tempo parcial (como dedicar o domingo de manhã para ir a missa ou fazer jejum uma vez por semana num dia considerado sagrado), ter muitos livros na estante sobre esta busca, nada disso apresenta a força necessária para romper com padrões de condicionamentos profundamente enraizados e para desfazer os bloqueios que impedem o individuo de ter contato com o sagrado presente em seu próprio ser.


Isto quer dizer então que para um indivíduo ter acesso ao sagrado ele precisa habitar num mosteiro ou transformar-se num sacerdote e se entregar em tempo integral a causa?


Não!


Se alguém se sente impelido por sua natureza a seguir um desses caminhos, ótimo! Mas não é necessário e obrigatório segui-los para ter acesso à espiritualidade genuína.


Vamos dizer que um indivíduo, devido as suas características de uma personalidade introvertida, decida por seguir o caminho da meditação, isto não significa que ele vai abandonar tudo em sua vida e só meditar, mais ele irá transformar por meio de sua atenção tudo aquilo que se passa em sua vida em meditação, caminhará com atenção plena, comerá, trabalhará, cuidará de sua higiene pessoal com presença de espírito, sentará muitas vezes no seu cantinho de paz para meditar, ou fechará os olhos dentro de um transporte público voltando para si, ou seja, o ponto de união e concentração para este individuo será a meditação.


Eu como estudante de Um Curso em Milagres estabeleço a paz de Deus como minha única meta e, a partir deste propósito unificado, procuro desfazer tudo aquilo que pode perturbar esta paz, e assim superar todos os conflitos e limitações, seja qual for a atividade que eu esteja realizando em determinado momento, o propósito será o de proporcionar paz ao meu semelhante e a mim mesmo, acredito que através deste estado de profunda paz, torne-se possível ouvir a orientação de uma mente unificada em Cristo e ter por este meio a revelação do Espírito e assim vivenciar a genuína espiritualidade.


Ou seja, se você busca a espiritualidade como um caminho de realização e vê na espiritualidade o seu propósito, é de suma importância trilhar um caminho ou ter um ideal unificado, que pode ser aplicado em todas as tuas atividades, permeando todos os seus pensamentos e ações, tornado-se uma força motriz, numa vontade que esteja acima de todas as outras mesmo que por um instante de entrega plena, pois este instante será suficiente para a realização de milagres, só assim, através de uma entrega inequívoca será possível vivenciar a espiritualidade genuína.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Medo do Desconhecido




A mente consciente possui algumas diretrizes bem definidas com relação ao que se deve ou não permanecer em seu “departamento”, uma série de razões baseadas na lógica da sobrevivência são fundamentais, para esta tomada de decisão.


Uma vez tendo considerado altamente nocivo ou ameaçador um determinado pensamento cuja causa se apresenta como "insolúvel", incômoda e inquieta, a mente trata de reprimir tais pensamentos colocando-os por debaixo do tapete (inconsciente), para que ele não seja mais visto, e desta forma, libere espaço para que a mente consciente possa continuar com o seu foco no cotidiano ordinário, buscando satisfazer suas necessidades superficiais e imediatas, dentro de sua lista de prioridades diversas.


O medo e os seus desdobramentos diversos são os "lixos" mais comuns a serem arrastados para debaixo do tapete. Quando ocorre a decisão de fazer a faxina, se coloca o som na caixa (me diga aonde você vai, que eu varrendo, vou varrendo, vou varrendo, vou varrendo), e mãos a obra!


Afinal, quem é que faz uma pausa no seu dia-a-dia para pensar e avaliar minuciosamente questões ligadas à morte e a impermanência da natureza biológica, astrológica e de todo o universo físico a não ser monges em templos distantes ou aos pés do Himalaia?


E a morte é sem dúvida alguma, um desses resíduos do pensamento consciente cujo "cheiro" insuportável é rapidamente removido do consciente para ser rapidamente varrido para debaixo do nosso tapete.


Mesmo num velório, já observaram os diálogos com os quais nos deparamos na maior parte do tempo em que nos encontramos num velório? Até piadas nós contamos! Projetos, vida profissional, férias, etc.


Um velório é como um encontro forçado, incomodo, (porque lembra o consciente, daquilo que foi varrido por ele e que está ali, mostrando não um pequeno vestígio, mas uma prova inegável do fato de que aquele lixo não pode ser completamente escondido).


E é óbvio que o grau de contato estabelecido com "aquele corpo" neste velório, determina a intensidade da tragédia ocorrida para cada um dos presentes, mas nenhum dos presentes deixa de se deparar com a questão pela qual procuramos ignorar sempre e sempre, como se corpos fossem realmente durar para sempre e desta forma podermos continuar a se preocupar com nossos problemas cotidianos.


O medo de ter que se deparar com o fato de que a personalidade tal como a conhecemos hoje, determinada pelas circunstâncias da fatalidade social, econômica, geográfica, das experiências acumuladas desde a infância somada a nossas “grandes conquistas" como diplomas, status, frustrações, alta ou baixa alta estima, etc, irá de um momento para o outro - CABUM!


Não... Vamos deixar isto para lá... Deixemos isto aos loucos, aos religiosos, aos filósofos e aos monges do Tibet. Bola pra frente que atrás vem gente!

A morte é apenas um desses monstruosos medos escondidos e varridos pelo consciente, mas que obviamente não fica tão oculto assim quanto ele gostaria.


Há muitos outros medos varridos, ocultos, que não deixam de se manifestar naqueles sentimentos projetados que nós não fazemos idéia de afinal de onde surgiram... Como um baixo astral que parece surgir do nada e nos faz sentir assim, por dizer meio down! Ou algum outro sentimento nauseante, ou uma irritação... Ou uma necessidade louca de comer, ou transar, ou fumar, ou beber, ou dançar, ou ler (seja qual for tua válvula de escape, porque afinal, muitas vezes ela é tua vassoura).


Acho que por medo do assunto principal, desta nova postagem em meu blog fantasmagórico, disposto a libertar-nos todos os nossos fantasmas, eu estou enrolando e me esquecendo que blogs exigem uma linguagem menos prolixa.


O medo do desconhecido foi tão bem reprimido, tão bem compactado num formato cujo espaço geométrico encaixou-se tão perfeitamente a mandala do centro do tapete, que dá a impressão de ornamentá-lo através do auto-relevo que acompanha os detalhes da parte superior do mesmo, a ponto de raramente alguém sentir medo do desconhecido.


No entanto, este medo é tão evidente, que notamos o quanto o ser humano se agarra aos seus padrões repetitivos e encena diariamente a sua tragédia, ou tragicomédia, ou comédia ou sua pornografia, ou o que seja e evita de muitas formas, ter contato com aquilo que esta debaixo do tapete, com aquilo que pode neste momento nos rodear sutilmente ou com a arqueologia de seu próprio ser.


Percebo isto em mim mesmo, dentro do meu quarto em frente ao computador e sem sair de dentro de casa a dias.


É aí que entram as religiões, trazem respostas prontas, mandamentos, dogmas, livros sagrados e inquestionáveis para trazer o conforto as nossas mentes, (oferecendo um tapete maior e uma pá mais larga, com uma vassoura mais eficiente), como se ali não houvesse nada novo a ser explorado, nenhuma experiência mística para ser vivenciada, nenhuma transformação alquímica do ser, nada mais.


E muitos escritos sobre espiritualidade são na verdade meios de procurar tornar mais agradável o nosso velho cotidiano, acrescentando quem sabe um colorido maior, umas cifras a mais, algumas experiências humanas mais sutis e sustentáveis. (Oh! Salvemos o planeta a nossa grande morada).


E existe uma lei de mercado que é a lei da oferta e procura e diante desta lei, podemos refletir sem medo, algo que eu vejo como um fato:


Há muitos seres inocentes, ludibriados por seus sonhos, que escrevem sobre espiritualidade de uma maneira tão “agradável”, preocupado em atenderem com suas ofertas a grande procura de pessoas ávidas pela prosperidade financeira, pela conquista de grandes desafios, pela obtenção de poder, pela materialização de seus desejos através da poderosa lei da atração! E desta forma elevam seus egos a altos patamares na lista dos mais vendidos da última semana de um tempo linear e absoluto! Amém!


Pessoas que vivenciam a espiritualidade genuína superaram o seu medo do desconhecido e caminham em direção ao inusitado, ao surpreendente, ao inconsciente e nem sempre encontram bases que se encaixam a lógica do mundo e de seus mercados. Eles encontram, se deparam ou se aproximam de um tesouro que não há igual na "terra" e definitivamente não estão preocupados em escrever best-sellers, às vezes, aquilo que estes possuem para oferecer não encontra grande demanda e a sua oferta é por isso tão escassa.


A espiritualidade genuína é uma revolução silenciosa.


São os ilustres desconhecidos, os anônimos iluminados.


Mas observo com grande alegria que alguns desses, estão começando a surgir para o mundo, chamando atenção para a espiritualidade genuína e cantando a maravilhosa, gloriosa e divina canção do despertar!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Um novo ano se inicia!


Quando cada minuto é novo, qual é o impacto de um ano novo?

Nenhum!

Escolhemos dentro da nossa maneira de viver a vida, um processo linear onde cada instante vivenciado é a soma de um instante passado, mas temos uma outra alternativa onde cada minuto vivenciado é novo e distinto e ao mesmo tempo intemporal.

Uma mente que se abre para uma realidade além dos sentidos, que visualiza a grandiosidade da existência por de trás de cada fato, ato, ser, não tem outra escolha a não ser entoar um canto de profunda gratidão por Àquele que proporcionou possível tal possibilidade.

É interessante notar como a demarcação do tempo dentro de um espaço é capaz de inspirar em toda a consciência humana a idéia de mudança, mas é engraçado notar que a grande maioria das mudanças nada mais são do que um meio para perpetuar a manter a mesmice.

A inspiração surge, mas cabe a cada um utilizar-se desta onda para transformá-la numa força propulsora, capaz de nos mover em direção ao ponto de mutação, que nos possibilite a mudança almejada ou o encontro com a nossa verdadeira essência.

Amigos, desejo de coração que tudo isto não seja somente um sonho, mas que tais possibilidadedes possam ser vista por todos nós como tangíveis, possíveis e alcançáveis.

Desejo a todos um feliz ano novo de paz, amor, luz e comprensão, para que a leveza, a gentileza e a consciência esteja por de trás de cada ato, permitindo-nos vivenciar uma vida em sintonia com os designios da divindade.

Obrigado por fazerem parte desta história.

Saudadações do Tom!

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