quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Frágil Muralha da Ilusão e o Caminho que Conduz ao Despertar!



Vivemos uma época privilegiada.


Nem por este motivo ouso afirmar que vivemos a melhor época da fase da Terra.

Já vivenciamos fases mais saudáveis, muitas menos doentias e incomparavelmente menos insanas.

Entretanto, o grau de tensão, pressão, loucura, desequilíbrio e tantos outros desajustes coletivos, só foram semelhantes ao da nossa época, dentro de determinadas culturas e civilizações antigas, mas nunca em escala global, tal como observamos hoje.

E o que faz de nossa época, uma época privilegiada?

Justamente este grau de tensão presente e todas as suas conseqüências, os nervos estão à flor da pele, a quantidade de ações que clamam por urgência são tantas, que temos inclusive dificuldades de diferenciar o urgente do importante e estabelecer desta forma uma seqüência de prioridades.

E diante de toda esta tensão e de todos esses desequilíbrios, mais e mais pessoas vivenciam um pequeno despertar, que as conduzem a suspeita de que há algo de profundamente errado com nossas existências, tal como a vivemos, basta para isto lançar um olhar sobre a sociedade e dentro de nós mesmos, para perceber que nem a ciência, nem o estado, a filosofia ou a religião, conseguiu realizar a verdadeira revolução humana, promovendo a paz, a união e a confraternização entre todos os povos.

Muito pelo contrário, com relação ao Estado que prega o nacionalismo é este em parceria com a inconsciência humana o responsável por quase todas as guerras travadas nos últimos séculos.

A ciência e todo o seu “academicismo” em parceria com a inconsciência humana são uma aliada do poder dos Estados e tem como método mais preciso e minuciosamente seguido; a lógica de mercado, portanto, paguem para os cientistas e o que desejarem que seja produzido e eles produzirão, sejam produtos bélicos como armas de calibre até armas químicas, físicas ou bacteriológicas, seja novas drogas para a indústria farmacêutica, ou novos agrotóxicos, não importa, desde que se dê dinheiro e promova a indústria a ciência estará lá, completamente despreocupada com relação a "verdade".


Não é necessário falar muito da religião (basta olhar para a história de guerras, disputas pelo poder, manipulação de massas, sacerdotes assalariados, proselitismo agressivo, genocídios culturais, etc), esta existe graças à inconsciência humana (talvez por isto C. G. Jung tenha estudado tanto os símbolos das religiões que são tão profundamente arraigados no inconsciente coletivo).

A religião também segue a lógica de mercado, movimenta bilhões na economia mundial todos os anos, impede aos indivíduos de vivenciarem uma tomada de consciência, tornando-os alienados e não proporcionando aos que os seguem; o êxito do supremo objetivo espiritual, que é o pleno despertar humano e divino.

A filosofia falhou em promover uma experiência humana universal, contribuiu e contribui até hoje para a formação do pensamento crítico, o que nos permite a tomada de consciência, entretanto o maior valor da filosofia está na sua capacidade de questionar mais do que de encontrar respostas. E é este é o primeiro passo para começar a se sair do automatismo da inconsciência humana e caminhar em direção a uma liberdade mais ampla.

Talvez a sua falha não possa ser atribuída a si mesma, mas ao fato desta estar desvinculada da educação de massa, não há país no mundo acredito eu (a França talvez se aproxime disso), que esteja interessada efetivamente em formar uma cultura de pensadores, até porque se uma cultura assim se consolidasse todo o sistema consumista capitalista atual ruiria, porque este, está enraizado na loucura que conduz a destruição do planeta e seus habitantes.

Mas para que a filosofia pudesse alcançar o objetivo de formar uma cultura de seres pensantes, esta precisaria repensar os seus métodos pedagógicos, porque as universidades ensinam filosofia da mesma forma que ensinam história (vocês viram, eu até tentei defender a filosofia, mas pelo que vejo, ela também fracassou).

Devido a todos esses fracassos e todas essas ilusões a época atual em que vivemos, torna-se privilegiada por que temos em mãos todas as referências necessárias, para nos permitir buscar algo inédito, revolucionário, diante de um novo paradigma, ao invés de repetir os mesmos erros do passado.

Antes de chegar a este "ponto de mutação" de romper com todo o passado, é obvio que a mente tentará separar o joio do trigo e buscará reunir em sua base os aspectos positivos de todas as tradições por intermédio da ciência, da filosofia, da religião, etc, sem dogmatismos, sectarismos, sem desejar utilizar o saber como uma arma de manipulação e poder, mas com a intenção justamente de encontrar uma saída para este mundo caótico de valores doentios, destrutivos e ultrapassados.

E já me aproveitando dessas tradições, me recordo de uma pregação silenciosa que segundo reza a lenda (ou a história), foi realizada por Sidharta Gautama, o Buda, a cerca de dois mil e seiscentos anos atrás, veja o tamanho da revolução ali proposta, um discurso silencioso...

Havia uma multidão de monges aguardando os discursos dos ensinamentos de Budha, esperavam ansiosos, a maioria deles já estavam habituados aos seus discursos, afinal, ele já pregava o dharma a décadas, no entanto, naquele dia em especial, ele surgiu diante dos monges com uma flor de lótus em mãos, sentou-se em posição de meditação e ficou contemplando a flor, sem dizer nenhum palavra, completamente silecionso.

Aquilo era intrigante, todos os monges ficaram muito surpresos, e se penguntavam; quando ele vai começar a falar? O que ele quer dizer com isso?

Os monges foram ficando tensos, afinal, o que aquilo significava? O silêncio se prolongava e Sidharta permanecia imóvel, contemplando a flor.

Foi quando um monge chamado Mahakashyapa começou a soltar altas gargalhados, a multidão olhava para ele atônita e pensavam tais como pensam os religiosos: - Mas que blasfêmia! Como ele ousa rir diante do mestre desta forma! Isto é um escandalo! Só pode ter enlouquecido, perdido a razão.

No entanto, Sidharta olhou em direção a Mahakashyapa e sorrindo disse: Tudo que eu podia dar a vocês com palavras eu já lhes dei, mas com essa flor eu dou a Mahakashyapa a chave de todos os ensinamentos, somente Mahakashyapa soube entender o meu discurso de hoje!

O que foi que Sidharta entregou a Mahakashyapa?

Muitos até hoje ainda não puderam compreender, conta-nos a tradição Zen Budista que este monge tornou-se o primeiro patriarca Zen, e por causa disso o Zen tornou-se a primeira tradição capaz de abandonar as palavras e entregar-se ao insondável mediante a auto-observação silenciosa da mente através do Za-Zen (meditação sentada).

Imagino como seria maravilhoso se no ocidente os religiosos colocassem a bíblia de lado e decidissem viver o Espírito Santo (o Consolador que Cristo prometeu nos enviar, mas que poucos os cristãos ouviram essa promessa), através do contato direto, da inspiração e da prática da compaixão, da fraternidade, da liberdade, da igualdade e do amor ao próximo, a Deus e a si mesmo.

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