sexta-feira, 3 de junho de 2011

Quando o discípulo está pronto...


Era uma vez um buscador obstinado por sua busca.

Ele estava disposto a tudo! Seria uma honra para ele morrer pela verdade! Mas para isto era necessário que primeiro ele a encontra-se!

Ele leu bibliotecas, enciclópedias, pesquisou, meditou, refletiu, escreveu livros e mais livros onde ele especulava a respeito da natureza da verdade. E chegou a conclusão de que só conheceria a verdade se primeiro atingisse um estado de iluminação, de despertar!

Ele estava disposto a fazer tudo que fosse necessário para despertar! Seu desejo era se tornar um homem único e, conquistar um estado de ser que estive acima de todos os homens e mulheres de sua época.

Mas, no entanto, ele sentia que algo ainda lhe faltava.

Certo dia, humildemente, ele rogou aos céus, pediu de coração aberto, deixou de lado por alguns instantes o seu orgulho e implorou!

- Eu preciso conhecer alguém que me ajude a encontrar a verdade! Eu preciso de um mestre, de um guru! De alguém que já tenha bebido da fonte e que possa me dar de beber! Porque até hoje, eu desconheço o que seja a verdade!

Não levou duas horas para que o seu pedido fosse atendido.

Ele ligou a televisão e naquele mesmo instante começou a assistir uma pequena entrevista de um ser que dizia a respeito da graça de ter encontrado um ser que despertou plenamente, ele dizia - Ele é o meu mestre, através dele pude provar da graça, da verdade e da bem-aventurança. - E onde vive este mestre, perguntou o repórter e ele respondeu que este mestre vivia aos pés do Himalaia, na India.

Naquele instante o coração do buscador vibrou de uma maneira como nunca vibrara antes e em sua mente ele não teve dúvidas! Precisava chegar até aquele mestre, custasse o que lhe custasse!

Ele trabalhou, juntou dinheiro, vendeu parte dos poucos bens - Como ele era um buscador não havia se dedicado ao acúmulo de bens e, por isto, nem se quer possuia uma casa. Passaram-se dois anos, e todos os dias ele meditava a respeito daquele guru.

Chegou o dia! Finalmente! Ele embarcou para a India. Fez escalas, passou horas e horas de vôo, lá chegando precisou pegar o trem, ônibus, taxis, pedir orientações, e dias depois, após todos os seus sacrifícios, ele conseguiu encontrar ao mestre.

Chegando aos pés do himalia ele pediu informações mais precisas de como chegar até ao mestre, quando foi informado que o mestre vivia numa gruta, lá chegando encontrou uma fila de pessoas que esperavam a sua vez, para ter com mestre, ele entrou na fila, e não conseguia esconder a excitação, a ansiedade, por estar prestes a realizar o seu sonho, despertar, conhecer a verdade e, ser assim um homem especial.

Ao chegar a sua vez ele entrou na gruta, ficou surpreso e ao mesmo tempo não podia acreditar no que os seus olhos lhe mostravam, um homem velho, que vestia somente uma tanga, sentado em flór de lótus, com uma vasta cabeleira e de dentes apodrecidos, o que ao ser ver se parecia muito mais a um mendigo do que a um mestre, no entanto, seu olhar revelava algo que ele, o buscador, nunca antes havia vista, uma expressão profunda de paz, certeza, sabedoria e plena realização, com vista nisto, tendo dominado ao asco da primeira aparência ele se sentou em frente ao mestre, que lhe sorriu ternamente!

- Vejo que você veio de muito distante, com certeza não é dessas terras, creio que vieste aqui em busca de um tesouro e, no entanto, o que podes encontrar aqui é um velho homem sem posses, no que posso te ajudar?

- Mestre! Sim eu vim em busca de um tesouro, mas não é de um tesouro comum, mas sim de um tesouro que está acima de todos os outros tesouros da terra!Eu sei que você conhece o caminho que conduz ao despertar, a verdade e a plena sabedoria! O que eu quero saber é; o que deve fazer para alcançar esse tesouro? O que é preciso fazer!

- Não é preciso fazer nada - respondeu o mestre com um sorriso tranquilo e ao mesmo tempo semelhante ao de uma criança amante das traquinagens!

Naquele instante o rosto do buscador se corou, sentiu subir até ele um calor que lhe provocou o rubor, ao mesmo tempo em que um sentimento de ira lhe tomou e ele protestou:

- Como não fazer nada! Depois de viajar milhares de kilômetros, atravessar o mundo, dedicar dois anos da minha vida reunindo condições para bancar esta viagem, acreditando até a última centelha de minha alma que você que você poderia me fazer um homem desperto e você me diz que eu não preciso fazer nada!

O mestro olhou ao homem, sem mudar a sua expressão alegre por um milimitro de pele facial e reinterou:

- Sim! Você não precisa fazer nada! - E explicou - É justamente o fazer alguma coisa que te impede de simplesmente ser e de perceber aquilo que você já é! Nosso ser está além de todo o fazer, de toda a experiência prática no mundo! Eu te pergunto, como pode um homem ou uma mulher tornar-se aquilo que já se é?

Apesar da sua irritação inicial o buscador foi se acalmando, o suficiente para ouvir a mensagem do mestre, e parar para pensar naquela pergunta.

Passaram-se alguns instantes. Um silêncio se estabeleceu de repente, preenchendo todo espaço vazio.

O buscador deixou se levar por aquele silêncio,  pensou por mais alguns instante no que o mestre lhe perguntara, mas gradativamente, o silêncio e o estado de presença que ele sentia se emanarem do mestre, com toda sua aura de tranquilidade, paz, sabedoria, começou a se expandir por todo o ambiente, e o buscador foi deixando se envolver, se envolver. Sua busca naquele momento já não tinha significado, encontrar uma resposta naquela ocasião já não fazia mais sentido.

Ninguém sabe o que se passou com o buscador depois daquele dia, reza a lenda que tendo alcançado a iluminação ele descobriu que aquilo não o tornava especial, e sim igual a todos os seres que na realidade, eram um só ser, desta forma, a sua personalidade, o seu ego, teriam desaparecido, e não mais encontrou palavras para expressar aquilo que estava além das palavras.

Quando o discípulo está pronto o mestre aparece, e quando o mestre aparece, o discípulo desaparece.

Um comentário:

Sergio disse...

Quando o dicipulo esta pronto, esta pronto.

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