sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Até um ditador pode tem seus momentos de lucidez!




O intelecto também tem o seu supra-sumo.

Quando o individuo parte do princípio de que nada sabe e, a partir daí da início a uma investigação, o intelecto é um importantíssimo instrumento neste processo, pois a sua fonte é a inteligência e a inteligência é inerente a vida.

Problemas começam a surgir quando o desenvolvimento deste processo se dá de forma unilateral e a mente torna-se um ditador, colocando-se no centro de todo o "universo" e, a partir daí cria um mundo à parte daquele do qual está integrado, pois é impossível existir um mundo à parte, não há como a parte estar separada do todo e da fonte que a tudo precede.

Entretanto, até um ditador pode ter um momento de lucidez, exatamente no princípio de uma investigação sincera onde todas as referências passadas são deixadas de lado, o próprio entendimento intelectual pode colocar o indivíduo num estado de prontidão para que outros níveis de inteligência possam atuar e se manifestar a partir deste processo investigativo, ou seja, o ego pode permitir-se uma abertura, o entendimento correto pode conduzir a insights e profundos momentos de lucidez.

Condenar o  intelecto a todo momento com o seu mundo formado por livros, palavras e conceitos é sinal de que se está preso a esses conceitos e palavras, porque no próprio ato de negar está o reconhecimento subjacente de que se está preso aquilo que é negado.

Aquele que através de uma abertura alcançou camadas mais profundas da inteligência natural que brota com a espontaneidade da própria vida e que se permitiu receber da própria fonte do ser a sua bem-aventurança natural, compreenderá simultaneamente que muitos individuos precisam ser alcançados pelo intelecto, que nem todos que chegam até ele já estão prontos para permitirem-se uma "ação da graça" e que como crianças em desenvolvimento, precisam ser pegos pela mão, pelo intelecto, até que estejam amorosamente convencidos de permitirem a realização de um salto que o conduzam a outros níveis de inteligência, onde a necessidade de controle, de resistência, de conflito se tornam empecilhos inúteis, pois em tais níveis há uma harmonia que se auto-regula tal como a harmonia celeste, perfeita em sua organização e, sem a colaboração de nenhuma inteligência que chamariamos de humana.

É claro que este indivíduo olha de outra perspectiva, onde vê a ação de graça em tudo, porque esta harmonia que ele chama de graça é inerente a tudo que está manifesto e ao imanifesto, portanto, esta harmonia está em tudo, dentro desta perspectiva até um "assassino" age a partir da graça, porque sua existência, essência e forma estão ligadas a esta harmonia, portanto, o "assassino" e o "iluminado" são "Deus" não há diferenças entre eles, mas para a consciência ainda "presa" a forma, é muito mais interessante ouvir o "iluminado" do que se tornar cúmplice do "assassino".

Mas aquele que tudo vê a partir da perspectiva de que tudo é uma ação da "graça", ao comunicar isto com aqueles que vivem sobre uma "planície mais baixa" da qual ele se encontra, não está comunicando nada, está explicando as cores para um cego, e tudo o que aquele que está numa planície mais baixa pode fazer é imaginar o que está sendo descrito àquele, desta forma, se ele simplesmente concordar e repetir aquilo que ouve dizer daquele "cujos olhos se abriram para a graça" simplesmente estará reproduzindo uma outra crença, e todos que repetem crenças são como papagaios, não sabem nada a respeito do que estão falando.

É muito mais sábio ajudar que um indivíduo saia de uma "planície mais baixa" e suba para uma planície mais alta, pois lá ele poderá olhar por si mesmo a "nova paisagem" que se descortinará ante a sua própria visão, do que ficar tentando descrever aquilo que ele não pode nem ver e nem experenciar a partir da perspectiva que se encontra.

Quem tem olhos para ler que leia, e entenda que baixo ou alto são apenas metáforas, o todo não tem começo, fim ou referências de perto, longe, baixo, alto, evoluído, primitivo, essas dualidades são referências daqueles que se veem à parte e não integrado ao todo.

Portanto, por favor, não me descreja o jardim das delícias e nem me prometa o jardim do Éden (promessas são hábitos de religiosos e políticos), me ajude tão somente vê-lo presente aqui e agora, e se para vê-lo eu preciso desfazer toda idéia de um eu separado, porque está idéia é que está criando toda uma ilusão e uma imagem difusa, então simplesmente me ajude a esvaziar desta idéia, e se for preciso me pegar pelo intelecto, bendito seja este intelecto que se permite ser pego, porque compreendeu que sua limitação precisa se abrir para o ilimitado.

O intelecto também tem o seu supra-sumo!


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3 comentários:

Nelson Jonas Ramos de Oliveira disse...

O supra-sumo do intelecto do freguês aqui, só ocorreu após a rendição... O supra-sumo de se ver beijada pelo que É...

Um fraterabraço!

Tom disse...

Então se não houvesse a reendição do intecto não haveria o supra-sumo (mesmo que este tenha vindo daquilo que é), logo, o intelecto teve o seu papel...

Parole, parole, parole! rs

Ulisses Fonseca disse...

Muito bom texto! O intelecto pode sim estar no caminho, ou melhor abrir caminho para algo novo, que seja indescritível, atemporal...
Para os Cabalistas, por exemplo, o grau que precede a espiritualidade é o intelectual

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