quinta-feira, 28 de junho de 2012

Falando um Pouco de Si Mesmo; Este Mistério...





Falar de si mesmo e com toda honestidade possível é sem dúvida alguma algo de muito proveitoso tanto para quem que o faz quanto para quem ouve. Isto me parece enriquecer a experiência humana.

E hoje quero falar sobre uma experiência já vivenciada e que foi de grande valia em certo sentido.

Que é a experiência da busca espiritual.

Acho bacana compartilhar aqui o fato de que hoje percebo que a própria busca em si é o grande empecilho dessa busca, mas antes de entrar nesta questão mais radical, é interessante falar sobre alguns outros empecilhos menores vivenciado neste processo, entre eles:

a) Tornar a espiritualidade um objeto de reflexão e estudo (igualzinha a organização desta postagem)

A espiritualidade me parece ter um aspecto transcendente que é a experiência do sagrado, esta experiência não é vivenciada por meio da reflexão e nem da meditação tendo como princípio um agente (aquele que medita).

Muitos espiritualistas, como eu, já cairam nessa armadilha, de fazer uso de aspectos essências da filosofia moderna, baseada principalmente eu seu mentor Rene Descartes, como tentativa de se utilizar de um método que possa conduzir a uma verdade empírica ou baseada na razão pura. Tal metodologia é muito eficiente para a ciência e impulsiona o pensamento crítico do questionamento filosófico, mas é inútil no que tange a uma vivencia da espiritualidade mais profunda, vivenciei isto por anos e não me conduziu a nada, muito pelo contrário, me afastou ainda mais dessa experiência com o sagrado, porque a mente aguçada, cheia de julgamentos e conteúdos superficiais provoca uma agitação que não permite a vivência do silêncio e a experiência com o sagrado, foi justamente em momentos fortuitos, de forma totalmente inexplicável, espontânea e sem um eu no controle, foi que vivenciei este contato com o profundo.

O outro aspecto da espiritualidade que vejo é a simplicidade, viver uma vida natural, humana e baseada no não julgamento, no perdão completo e na vivência do amor incondicional, também não precisa de nenhum apoio baseado numa lógica cartesiana ou aristotélica, vomitar conhecimento acumúlado por meio de leituras, nada tem haver com espiritualidade, este olhar crítico é muito eficaz quando estamos falando de ciências políticas, econômicas ou questões filosóficas. 

Eu já cai neste erro infantil e inocente de transformar a espiritualildade nisso, um emaranhado de pensamentos lógicos, um conjunto de reflexões, que tenta através da lógica refutar e confrontar muitos aspectos presentes nas religiões, organizações, vertentes religiosas, etc... e por meio deste caminho caminho alcançar a dita experitência espiritual. Isto resultou num fracasso.

b) Defender uma verdade em detrimento a outras

Outro aspecto muito próximo do primeiro já abordado, mas aqui além da lógica entra a pretensão de acreditar que a verdade é  estática, que pode ser apresentada, demonstrada por meio de símbolos e colocada em confronto com com as demais apresentações da verdade. Aqui entra a apologia e a pretensão de ser detentor da verdade. 

É de suma importante deixar que cada um siga a sua própria jornada, tentar desmascarar pastores, organizações, gurus, religões, é algo muito, mas muito infantil. Mesmo o engano, mesmo o falso caminho é de suma importantância para aquele que o vive, porque é a "sua verdade", é a sua jornada, e tudo contribui nesta busca para aqueles que são puros de coração e buscam a verdade com sede, com avidez.

Na minha histórinha pessoal, por volta dos meus 14 anos de idade, eu defendia como um político defende no palanque uma pensamento ideológico a existência da reencarnação e tentava provar por vários meios que a mesma era uma verdade irrefutável, e tentava expor todas as demais verdades antagônicas a esta ao ridículo. Hoje eu acho isto muito engraçado, esta imaturidade ingênua daqueles dias.

A verdade com toda certeza se ela está presente em algum lugar, ela está presente em todos os lugares, porque sinto não haver limites para aquilo que é real, e é muito engraçado a pretensão do pensamento que acredita que a verdade necessita de defesas. Isto é muito cômico, a verdade, acredito eu, não necessita de nenhuma defesa, ao mesmo tempo que não é sustentada por opiniões, teses, pensamentos, etc... É muito engraçado tentar defender a verdade, hoje eu vejo que esta atitude com o qual eu me identificava era apenas um indício de que eu não vivia a verdade. 

Com certeza eu poderia acrescetar muitos outros aspectos que vejo como empecilho, e se vocês acharem necessário é só clicar na avaliação aí abaixo do post em "quero saber mais sobre" que posso tentar abordar outras.

Voltando agora a afirmação mais radical, de que a busca em si era o próprio empecilho.

Sinto como nunca antes senti, e posso estar errado como já muitas vezes antes estive, mas sinto que a verdade não necessita ser buscada, mas que ela pode ser vivenciada aqui e agora de forma natural e espontânea, que a questão não é chegar a algum lugar, mas enxergar com clareza onde estamos aqui e agora. É perceber que existe algo profudamente misterioso e grandioso que é esta presença que se manifesta através da consciência. Que olhar para si, simplesmente olhar para si, recordar-se de si, é a chave. 

Aquilo que é visto em Satsang é que tem me permitido ver isto desta forma sem formas.

Para concluir posso dizer também que cada amizade sincera que vivencio hoje como àquelas que tão inocentemente e tão despretensiosamente eu vivia na infância é em si mesmo uma experiência espititual tão mais genuína do que essas que descrevi como sendo verdadeiros empecilhos que eu já experienciei.

Confesso que achei esta postagem muito estensa, um pouco enfadonha até. Mas talvez não tenha sido desnecessária, talvez sirva para alguém que a leia..., mas este blog está aqui para um despretensioso compartilhar.

Tenho que confessar algo aqui pra terminar:

Eu não levo mais à serio este blog... hehehehehehe!

2 comentários:

Anônimo disse...

Não sei se há algo para ser buscado, compreende? Na sua postagem, percebemos que o experimentador está sempre se alterando, uma hora acredita em uma coisa, outra outra muda o seu pensamento e assim se sucede a todo o instante. Não estou criticando, até pq a maioria de nós agimos dessa forma. Baseando-se no passado como aprendizado e buscamos o futuro de alguma forma, afim de atingir algo. Mas o passado somos nós, uma entidade morta que se projeta no futuro. Nunca somos o presente! Respondi seu comentário mais abaixo, na postagem "renascendo das traças digitais"... Amigo, a realidade está no presente, que é atemporal. Enquando o pensamento continuar, suas experiencias divididas do experimentador, as imagens continuaram a deixar resquícios na sua memória! Quando falamos de nós mesmos, estamos falando de uma entidade morta, o passado! Isso é fato! Como podemos saber se existe o eterno se estamos condiconados pelo nosso passado e nos apegamos a ele? O apego ao passado, seja o contar de uma estória pessoal, é apenas uma ilusão! Essa reflexão não é simples. Isso é meditação! Podemos conversar mais sobre isso, mas veja, discutir em pé de igualdade, sem verdades, ou qualquer conclusão, sem projetar mestres, gurus e etc. Para mim, eles só atrapalham. Definitivamente não há intermediário entre você e a realidade. Se alguém lhe diz que poderá te ajudar, não ajuda. Um guru, no momento que se diz iluminado ou que conhece a realidade, de fato, ele não a conhece! Abraços amigo!

Anônimo disse...

Acho que a primeira coisa que nós dois podemos fazer para investigar se existe algo eterno, é eliminar todo o símbolo, todo o salvador, todo o Guru, todo o sistema e método. A mente deve estar completamente vazia, não deve se pautar em ninguém. No momento que cultuo um simbolo (Buda, Cristo etc), minha percepção fica limitada a esses símbolos! Para mim, a verdadeira meditação começa por aí amigo. Podemos ir mais a frente, pois nos dois estamos investigando juntos, pois tanto eu como vc queremos descobrir se existe DE FATO o eterno, a atemporal. Nossa mente começa a ficar livre quando rejeitamos todos os gurus, pq não existe intermediário entre nós dois e a realidade, ao eterno, a constante fonte de energia! Se alguém aparece como intermediário, ele não conhece a realidade! A ivnestigação precisa ser feita, primeiro, elimando o que entendemos como TEMPO! Bem, depois podemos continuar, abraço!

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