quarta-feira, 4 de julho de 2012

Uma grande brincadeira




Que responsabilidade tem o homem sobre a criação?

Que poder há em nossas mãos capaz de mudar o curso do universo?

Como este pensamento que se identifica com um "eu" pelo simples fato superficial de parecer existir em um organismo existente à parte do todo, pode transformar a unicidade em separação? A verdade em mentira? O atemporal em impermanência e a infinitude do eterno em tempo medido e limitado?

Eis que o imutável permanece imutável, não há nada que possa modificar aquilo que é.

Não há ninguém para despertar, ninguém para se iluminar, nem existe alguém que precise ser salvo, transformado, modificado, não há ninguém que necessite de evolução, de ascensão, de reconhecimento ou de qualquer necessidade que surja dentro de um sonho cujo sonhador não existe, tudo isto não passa de crenças.

Entretanto este pensamento cristalizado dentro deste sonho, assume uma personalidade, uma entidade que parece existir e tomar o lugar que pertence a "consciência suprema". (como se isto fosse possível o que não o é, porque é impossível que a verdade seja obliterada por uma mentira). 

E eis que surge neste sonho o reconhecimento do próprio sonho, o que representa a dissolução deste pensamento cristalizado, àquilo que é chamado de despertar nada mais é que a dissolução deste pensamento diminuto chamado eu, nesta dissolução não sobra ninguém para chamarmos de iluminado ou de desperto.

Esta mesma entidade ilusória conhecida também pelo nome de mente acredita que pode por ela mesma alcançar a verdade ou algum estado imaginário de suprema realização, a partir daí ela cria uma ideia de busca, procura, investigação e acredita que a partir de seu próprio esforço possa ser uma luz para si mesma, sem precisar de nada ou de ninguém, apenas reforçando com esta ideia a ilusão da separação.

Ou seja, a própria entidade que se crê existente e separada, o próprio pensamentos cristalizado no formato de eu começa a acreditar que além de existir, pode por si mesmo encontrar uma solução para a existência (como se houvesse algum problema com relação a existência), e a partir daí a fonte da mentira que é apenas uma ilusão dentro de um sonho sem sonhador, começa a buscar a verdade e além de buscá-la começa a lutar com "outros eus" pela posse da verdade, assim como discutir quais são os métodos válidos e quais são os métodos inválidos para alcançá-la, obtê-la e possuí-la. 

Enquanto algo que esteja além da mente não for percebido esta entidade ilusória chamada mente permancerá criando crenças e mais crenças, o mais paradoxal de tudo isto é que nada que surja a partir desta entidade ilusória tem qualquer realidade, estamos tratando sobre algo que não existe e sobre a dissolução do que não existe. 

E aquilo que não existe não pode se dissolver a partir de si próprio, (porque o si próprio não existe, portanto não existe aquele que pode ser uma luz para si próprio) algo além da mente precisa surgir, como uma luz que necessita se acender para fazer com que as trevas desapareçam e mostrar que as trevas era apenas a ausência da luz.

E este algo além da mente é o guru, um guru é imprescindível mas nem sempre este assumirá uma forma humana como diria Ramana Maharshi. Para alguns este guru sem forma humana surge e trás a visão da realidade sem mesmo se revelar como guru, porque o guru é a própria manifestação da realidade que abrange a tudo e a todos e não necessita se quer deste nome ou de qualquer outro nome.

Mas tenha ou não forma humana o guru é a manifestação da própria Fonte que alguns podem chamar de Deus, outros de Tao, outros de Ser ou Self, não importam as palavras, o guru está além da mente porque não pode surgir e nascer a partir da ilusão que é esta entidade. 

Só o guru pode olhar para esta entidade e através do seu olhar dissolvê-la, o guru apenas pede que nossos olhos se transformem em seus olhos, porque não existe nada além do guru e neste olhar profundo desaparece o discípulo, desaparece o guru, porque não há nem discípulos e nem gurus, não há dualidade.

Esta é a grande brincadeira, a brincadeira do despertar, a brincadeira da existência.

Jay Guru Deva!



5 comentários:

luizroberto disse...

podemos dizer que
o enfoque do que tratam
seria só advaita ? ou
outros tbém ... cite
alguns

Tom disse...

Olá Luiz Roberto, nós não chamamos isso de advaita, porque nossa abordagem não é intelectual ou especulativa, sem dúvida alguma, a forma com que isto é colocado aqui é muito próximo do advaita, mas não devido a um estudo ou uma influência teórica (eu mesmo nunca estudei advaita, a coisa mais próxima disso que eu tive contato foi com "Um Curso em Milagres" e hoje vejo isto através dos Satsangs que se realizam através do Marcos Gualberto que tem como Mestre Ramana Maharshi), ou seja nosso enfoque é experimental, isto pode ser visto aqui e agora, não através de livros, de estudos, mas de uma percepção direta, de um olhar simples sem estar sobrecarregado do entulho intelectual e da indentificação com o pensamento. Grato pelo seu comentário!

Ode a Psicodelia disse...

Sem dúvida vc não achou o que busca! Transformar "O atemporal em impermanência e a infinitude do eterno em tempo medido e limitado?"
Que grande equívoco vc disse. Sem dúvidas vc não achou o eterno. Sua mente pode divagar sobre o eterno, mas nao sabe do que se trata. O ego é a permanencia, seja pelo conhecimento, pelo nome e etc. Só que, existe algo permanente nesse mundo?

Ode a Psicodelia disse...

O Guru é imprescindível?!?!? Nossa, uma mente que se baseia em verdades sem dúvidas é limitada.... Será que tem gente que ainda perde tempo lendo essas bobagens??? Tudo bem, que o ego é uma entidade limitada isso é óbvio! Ele é sepadado, mas vc sabe o pq disse? Para entender o eterno, o que temos que fazer é questionar e conhecer o Ego e não é um guru que vai te falar como se faz isso. O autoconhecimento não obedece nenhum guru. Vc é um dependente de suas próprias crenças! Cita nomes de Gurus, se baseia em algo, imita, reproduz... O ego é basicamente isso. O centro encontra-se forte em você.

Ode a Psicodelia disse...

Quem observa e quem está sendo o observado? Explique essa dualidade, por favor!

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