segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Um Curso em Milagres Através de Uma Abordagem do Coração






Observo com certa estranheza a aparente unanimidade com que os estudantes do UCEM apreciam o trabalho de "explicar o curso" de Kenneth Wapnick.

Sem dúvidas ele teve um importante papel, ao auxiliar Hellen no trabalho de revisão e organização do UCEM em sua estética estrutural. Realmente merece toda nossa gratidão por isto. Apesar de que mesmo este trabalho não foi feito por ele e por sua própria boa vontade, mas pela única vontade que há que é a vontade de Deus.

Nosso amigo Ken dá muita ênfase a compreensão intelectual do curso, como se a compreensão fosse de fundamental importância para "salvação" o que não é verdade, primeiro porque o que há de mais importante para ser apreendido não pode ser ensinado que é o amor, como diz o UCEM em sua introdução.

É justamente o amor que cura a única falta que precisa ser curada que é a crença na ideia da existência de uma brecha que nos separa de Deus.

Esse desbloqueio que nos permite sentir este amor de Deus que faz findar esta ideia de separação é realizado por meio do milagre e da expiação, e tanto o milagre quanto expiação é realizada pela "Graça Divina".

No capítulo 18 A passagem do Sonho, Seção IV Um pouco de Boa vontade, no sétimo parágrafo há um trecho que diz:

"Ainda estás convencido de que a tua compreensão é uma contribuição poderosa para a verdade e faz dela o que ela é. Entretanto, nós já enfatizamos que nada precisas compreender. A salvação é fácil exatamente porque nada pede que não possas dar agora mesmo"

Este trecho torna todo o trabalho de "explicar" o curso através de dezenas de livros do nosso amigo Ken um trabalho sem sentido e desnecessário.

O Curso basta por si mesmo, seu calhamaço já trás todas as chaves necessárias para o mínimo de compreensão que se faz necessário, para que através desta pouca boa vontade o estudante possa tornar-se disponível a cura e a purificação, que é realizada pela graça e não por nossa compreensão de como este processo ocorre.

Quando vamos ao médico raramente compreendemos a terapêutica aplicada assim como os princípios ativos dos medicamentos ministrados durante o tratamento e, no entanto, confiamos e seguimos as recomendações médicas na esperança de que aconteça a cura.

Se entregue ao curso como este tratamento de desbloqueio, cura e purificação sem preocupar-se em entendê-lo, O Cristo que é você que é o filho de Deus, não só compreende o curso como está muito além do próprio curso que nada mais é do que um amontoado de palavras e símbolos que estão duplamente afastados da realidade.

Esta entrega de coração, esta disponibilidade em permitir que o Espírito Santo realize a cura são as únicas coisas necessárias para o milagre e a expiação, esqueça o trabalho do Ken se ele não foi capaz de te ajudar a abrir o coração e  a lhe tornar disponível para isto, lembre-se que a tua compreensão neste nível intelectual é desnecessária.

Espero que os estudantes compreendam que ao expor esta visão não estou realizando um "ataque" ao trabalho do Ken. Compreendo que o seu trabalho pode ter ajudado alguns estudantes, porque como ensina o curso "para cada professor de Deus já estão destinados os seus alunos", portanto, com certeza, havia um grupo de estudantes que precisavam e que precisam desta abordagem intelectual de explicação do curso como o de Ken. 

Mas sinto de coração que a grande maioria dos estudantes, principalmente os estudantes brasileiros, necessitam de uma abordagem que coloque o coração em primeiro lugar e não o intelecto para permitir que o curso realize o seu propósito através deles.

Me prontifico a compartilhar desta visão que aponta na direção da simplicidade e que fala diretamente ao coração. E espero que os estudantes tenham a mente aberta (um dos requisitos fundamentais aos Professores de Deus conforme o Manual dos Professores), para entender que este ponto de vista que é o extremo oposto da abordagem de Kenneth Wapnick não é um ataque e sim um compartilhar amoroso de um professor de Deus que é apenas uma criança entregue ao seu divino amor.

Divino amor este que para mim surgiu manifesto através de um encontro santo com a presença do meu mestre que primeiro manifestou-se para mim através de uma voz interna, tendo eu vivenciado desde a infância a mesma experiência de Hellen Schucman com relação a voz que lhe ditou o curso, e que depois manifestou-se na forma através do trabalho em Satsang realizado pelo meu mestre Marcos Gualberto (que é para mim alguém que lembrou-se, que recordou-se plenamente de sua real natureza divina), e que através do encontro santo me mostrou que eu e ele somos um só em Cristo, Um só em Deus, Um só em Sri Bhagavan Ramana Maharshi, Um só Ser neste único Ser que há e que é esta única Presença que tudo faz, tudo realiza e tudo é.



sábado, 15 de setembro de 2012

A mente. A Falsificadora dos Falsificadores.



Eis que, você foi ensinado a confiar nela, a falsificadora dos falsificadores. Sim. Você está pronto para defendê-la, não somente isto mas abraçá-la, idolatrá-la, transformá-la numa deusa, sem conseguir perceber que este falsificador retira de ti todos os recursos possíveis e lhe deixa na mais profunda miséria.

Sua agilidade é incrível, seu treinamento já vem de milênios, sua artimanhas, seus truques, sua fortaleza, foi muito bem calculada, planejada, arquitetada, inclusive todos os riscos que se apresenta diante dela, já são riscos até certo ponto bem conhecidos, portanto, ela se utiliza inclusive das ameaças que lhe cercam, transformando-as em aliadas, jogando com estas, falsificando-as e utilizando tais armas como seus próprios recursos.

Como ela faz isto? Capturando o vislumbre percebido diretamente do "coração" e transformando-o em um conceito, uma explicação, uma doutrina, uma filosofia, uma ciência ou religião.

A mente é muito rápida em tirar conclusões, em formular suas opiniões, e através dessas conclusões e opiniões, inventar novas crenças, novos sistemas, novas ideologias.

É impossível para a mente conhecer o incognoscível. É impossível para a mente compreender a realidade existente para além de todas as imagens. É impossível para a mente conhecer qualquer coisa além daquilo que é criado por ela mesma.

Observe a mente, observe o quanto ela necessita compreender tudo a sua volta, para sentir-se segura. Observe como ela é rápida em chegar a conclusões, comparando através das diferenças ou similitudes, tudo aquilo que vê, com a sua bagagem já existente, enquadrando o novo ao seu velho acervo de informações, ajustando tudo o aos seus filtros já presentes.

Observe o desejo de posse inerente ao seu movimento, desejando capturar algo que ela possa chamar de sua; minha compreensão, minha opinião, minha visão, minha descoberta, meu entedimento, meu aprendizado, meu conhecimento, minha experiência, etc... E por meio dessa posse a necessidade do acúmulo, de poder, de especialismo (que é o desejo de tornar-se única, especial, incomparável, distinta diante do todo).

Neste exato momento, ao ler essas palavras, a mente acredita estar deduzindo, compreendendo, refletindo a respeito daquilo que aqui está sendo exposto. 

Veja que incrível, mesmo aquilo que desmascara a mente é utilizado pela própria mente como uma máscara. Quem? Se não o falsificar dos falsificadores poderia fazer isto?

Quando você acredita ter compreendido alguma coisa através da mente, você foi totalmente enganado. Toda a tua compreensão nascida desta dedução ou indução lógica é um embuste. 

Perceba, que imediatamente após ouvir algo, após entrar em contato com algo novo, a mente já busca ajustar isto aos seus velhos padrões, dizendo; isto está certo, aquilo está errado, isto eu aceito, isto eu não aceito, até aqui eu posso ouvir, se passar disso eu me recuso a ouvir, etc...

A realidade não está condicionada a mente, não depende de suas aprovações ou desaprovações, a opinião de qualquer um a respeito de qualquer coisa é pura imbecilidade, porque não altera o fato daquilo que é ou deixa de ser. 

O real não é uma construção mental e nem pode ser alcançado por uma construção mental. 

Não há uma ponte mental que possa ser construida entre a realidade e a mente. Não existe conciliação entre uma coisa e outra. A realidade só comunica-se com a realidade e a mente só comunica com a mente. São dois idiomas distintos e intraduzíveis um para o outro.

Ou você se liberta da mente ou jamais conhecerá a realidade.

Ou você descobre a tua realidade que está além da mente ou você jamais conhecerá quem tu és.

Não é possível ver isto através dos métodos, das práticas e dos exercícios formulados pela mente. 

Desista de tentar entender isto através de um ensino, porque isto não pode ser ensinado.

Desista de capturar isto, porque isto não pode ser capturado. Ou um salto é realizado através da entrega ao desconhecido ou você jamais sairá das fronteiras do conhecido, e o conhecido é toda esta miséria chamada ora de mente e ora de mundo.

Quando um vislumbre surgir não tente capturá-lo, deixe vir e deixe ir. Quando um insight relampejar aí, não tente compreendê-lo e imediatamente compartilhá-lo. Quando uma compreensão profunda parecer brotar, não saia correndo nú pela rua gritando eureka, porque não haverá ninguém para compreendê-la.

Esta necessidade de compreender, de aprender, de explicar, de capturar, de descobrir, toda esta parafernália nasce na mente e morre na mente. É a mente que busca libertação para as prisões que ela própria criou, é a mente que busca alívio para as tensões que é ela mesma. É a mente que necessita do reconhecimento alheio para ter confirmada a sua existência.

E as pessoas acreditam que podem escapar disso sozinhas, que podem se libertar disso sozinhas, que um mestre não é necessário, que cada um pode ser uma luz para si mesmo. 

Que si mesmo? O que você chama de si mesmo? A mente? Porque se você conhecesse a si mesmo, compreenderia que não existe o si mesmo. É a mente que faz essas afirmações para manter-se a si mesma.

Esta prisão, apesar de ilusória, é tão sofisticada, tão sagaz, tão complexa, tão enraizada, tão hábil e presente a milênios nesse jogo, que sem uma obra da graça da existência, da natureza real, sem este trabalho de algo que esteja além desta pobre crença de si mesmo, sem a presença do MESTRE que é consciência além da mente, manifestado ou não na forma, é impossível sair disso. 

Tudo que esteja além de disso é uma defesa da mente, ela irá discordar, ela irá criar teses contrárias, teorias, irá concordar mas irá se manter distante daquilo que possa dissolvê-la. Ela irá falsificar o que acabou de ler com extrema facililidade, porque ela falsifica a realidade 24 horas por dia.

Não há nada a ser conhecido. Nada. Esqueça isso tudo. Tudo aquilo que pode ser conhecido é apenas aquilo que surge da mente e é fabricado pela mente. Ela mesma cria o ensino e ela mesma ensina, ela mesma cria o quebra cabeça e ela mesma se propõe a montá-lo. Isto é uma enganação.

Você ainda não cansou de ser enganado?

Não percebe que até mesmo você é uma falsificação da mente? Porque este você separado é somente uma construção mental. Um sonho. Um reflexo. Uma miragem.

Sem desistência total, rendição completa e entrega plena esta falsificação permanecerá aí. Sem mudar em nada a realidade, mas mantendo este pesadelo que é você.

A única coisa que você tem para desistir é da mentira. Só o que podemos nos render é deste eu ilusório. E apenas lixo temos para entregar. Portanto só o falsificador dos falsificadores é que tem esta dificuldade de se dobrar diante daquilo que é.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Dicas de uma criança de 33 para um jovem de 16



33 -  Y meu amigo, nunca se transforme num adulto. Um adulto é a coisa mais estúpida que poderia existir. 

É a fraude das fraudes, nunca leve este merda à serio. Livre-se disso enquanto há tempo.

Isto é um vírus. O vírus da imbecilidade. 

Você é um menino muito lindo e espero que você não perca esta beleza selvagem que faz de você quem você é.

16 - Obrigado Tom, rs. Ser um adulto é um vírus, é isso que você quis dizer?

33 - Sim. As pessoas se tornam esta fraude, por uma pressão social presente ao redor delas, este vírus começa a adentrar nossas cabeças desde quando somos crianças, quando começamos a ouvir aquele papinho: Você precisa estudar para ser alguém, lutar para ser alguém, você precisa ser alguém na vida...

16 - E eles estão tentando nos fraudar?

33 - Não é consciente este jogo sem graça, não há uma intenção consciente por de trás desta atitude adulta, é a mente nos escravizando, eles querem que nos tornemos uma fraude porque eles mesmos são uma fraude, e cada um só pode dar aquilo que é, eles se tornaram isto e agora te ensinam a se transformar nisso. Todo adulto é uma fraude.

Porque neste ser alguém existe uma luta, um sacrifício, um grande esforço para se vestir uma personagem, uma máscara e a partir daí, há uma grande encenação, e o indivíduo perde toda sua autenticidade natural. 

16 - Se eu não se tornar essa fraude como eu vou viver? Meus pais não são para sempre! 

33 - Veja, na sua pergunta já esta explícita o jogo todo, sinal de que o vírus já está agindo dentro de ti. O medo está presente, o medo de não conseguir "ganhar a vida" na "luta pela sobrevivência", é essa a coisa toda que a fraude fez, transformou a vida numa grande batalha, onde reina este medo, a tensão, a preocupação, a desconfiança, a insensibilidade,  o egoísmo,  a possessividade, o ciúmes, a inveja, a ambição, e toda esta miséria criada por esta vida chamada "adulta". 

A vida aí deixou de ser uma canção para se tornar um lamento, deixou de ser uma celebração para se transformar num constante conflito, é lastimável. 

Você precisará reaprender a ouvir seu coração, ele irá te dizer o que será necessário fazer para se manter, sem a necessidade de se render a este jogo estúpido, sem precisar você mesmo transformar-se numa fraude. Quando te falo sobre este coração não estou te falando do centro das emoções, estou falando de uma consciência mais profunda de si mesmo. 

16 - Entendo, eu não quero me tornar um adulto, mas tenho medo de passar fome, porém conseguirei, sou um menino inteligente.

33 - É melhor passar fome do que se tornar um adulto. Ser um adulto é pior do que a morte, porque é espalhar a morte, o adulto é um zumbi. 

16 - Não serei um adulto, seguirei meus sonhos!

33 - Este negócio de sonhar é a primeira coisa que os adultos gostam de fazer as crianças aprenderem. Todo aprendizado que surge a partir daí é lixo. 

A criança não tem sonho algum, ele vive a realidade deste presente momento, a criança não coloca condições para sua alegria, ela não precisa realizar isto ou aquilo, obter isto ou aquilo, ela já é a alegria, ela já é liberdade, ela já é bem-aventurança, a criança já sabe em seu coração que esses são estados naturais, que não dependem de nenhuma corrente do lado de fora, sabem de uma forma tão natural que apenas vivenciam isto, jamais pensam sobre isto.

Esqueça esta coisa de sonhar, você já é aqui e agora real, e esta realidade supera em intensidade e em profundidade, todos os sonhos que todos os adultos poderiam ter em todas as suas gerações, todos os sonhos são pálidas sombras diante da reluzente e brilhante realidade que é você.

Mesmo quando for preciso estar ao meio de adultos, ria por dentro, o riso será a tua vacina, leve ele sempre contigo, só esta vacina poderá imunizá-lo desta imbecilidade. 
  
16 - Levarei sua palavras comigo!

33 - Quando você começar a se tornar muito sério, a levar tudo muito a sério com relação a tudo aquilo que te rodeia, isto significa que o vírus já se encontra em estado muito avançado, muito espalhado dentro de ti, o riso, a poesia, o instinto, a literatura obscena e marginal, tudo isto poderá ajudá-lo a rever este estado deprimente, desde que, nem o próprio remédio seja levado a sério. 

Brincar é a chave. 

16 - Vou guardar isto para mim, levar tudo como se fosse uma grande brincadeira. 

33 - O que você acha que estou fazendo agora aqui contigo além de brincar? 

Eu estou me divertindo em ver todas as palavras brotando aqui, espontâneas e derramando tudo isto, toda esta abundância de um frescor infantil aqui presente... rs

Não estou levando nada disso a sério. No fundo é assim mesmo e você já sacou a coisa, é tudo uma grande brincadeira. 

Esqueça disso às vezes, para que a brincadeira fique um pouco mais engraçada. E depois de chorar por algúm motivo que tenha levado a sério, lembre-se do que é real e volte a gargalhar, rie disso, ria de si mesmo.

Nada na vida é serio. A vida não leva nenhum dos seus planos a sério. A morte destrói toda a seriedade da existência que nunca teve seriedade alguma. 

16 - Ah te agradeço muito por todos esses toques. O que você teria mais a dizer para finalizar?

33 - Lembre-se de deixar algumas coisas inacabadas sempre, este negócio de finalizar alguma coisa é para adultos, nem tudo precisa ser finalizado, porque nem tudo precisa ter o sentido de um começo.

Quando eu era criança, eu queria muito se tornar um adulto, para que eu pudesse me defender da hostilidade e da arrogância dos adultos a minha volta, que se demonstravam superiores, mas que no fundo eu já percebia, que eram mentirosos, medrosos e hipócritas. Havia algo errado com eles, eu só não sabia o quê.

Hoje entendo que ninguém é assim, só a mente é assim, só este fantasma que se apossessou de todas aqueles que se esqueceram de sua inocência agem desta forma, não devido a uma escolha, mas porque estão contaminados por isto.

Resgate esta sua inocência que você nunca perdeu, veja todos através do olhos desta inocência. 

Não guarde rancor ou mágoa de ninguém, entenda a limitação que cada um apresentar a sua volta. 

Não espere nada de ninguém e do mundo, apenas viva aquilo que o presente lhe apresentar a cada instante e abrace este momento com toda gratidão, sem resistir a nada e sem se agarrar a nada.

Seja sempre este frescor, da criança que acabou de nascer, seja sempre este fluir da mina que acabou de brotar, e tudo será assim, vislumbrante, tudo terá o cheiro da novidade, da descoberta, do assombro ante ao mistério.

Desista de entender qualquer coisa, não acumele conhecimento algum, permaneça neste não saber, nesta inocência, nesta ignorância sem limites.

E seja você mesmo, vasto, amplo, especial e ordinário ao mesmo tempo. 

Não crie nenhuma imagem de si mesmo, não zele e nem preze por imagens, lembre-se; você é aquilo que se apresenta neste momento, você não é nenhuma história, e por isso você é pura liberdade. História é escravidão, é doença de adulto.

Seja só liberdade sem desejo, vontade sem escolha, caminho sem direção, vida sem sentido e propósito sem ideal.

Apenas seja!


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Vamos brincar?





Se você veio até aqui para brincar,

então chegou ao lugar certo...

Estamos por aqui somente para isto!

Nos sentamos na presença daqueles que querem amar, 

brincar e olhar nos olhos uns aos outros

com toda a inocência deste olhar que nada busca

e que apenas expressam gratidão, 

Gratidão por fazerem parte desta grande brincadeira.



quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Um Quebra Cabeça Inútil



Tudo o que você conhece é a mente.

De fato tudo o que você acredita conhecer e tenta descrever é a mente.

A mente é a representação daquilo que você chama de mundo em forma de pensamentos, idéias e conceitos.

Portanto temos a mente como fenômeno aparentemente interno e o mundo como fenômeno aparentemente externo.

No entanto, a realidade está além da mente, não pode ser descrita e nem compreendida por seus moldes.

Por esta razão, toda e qualquer alternativa de tentar entender e explicar a mente  ou o mundo, não chega a lugar algum e não encontra qualquer consenso.

Milhares daqueles assim chamados filósofos, cientistas e religiosos já passaram por aqui, e outros milhares ao de advir e toda esta parafernélia inútil permanecerá a mesma.

Aquilo que é real é o desconhecido, é o incogniscível, é o mistério que sempre será um mistério jamais conhecido pela mente.

É impossível entender a realidade que está para além da ideia de mundo.

É no entanto possível vivência-la. Mas quem pode vivência-la? O que pode vivência-la?

Aquele que pode vivenciar a realidade, já existe na realidade e sempre existiu, apenas descubra-o e todo quebra cabeça inútil é desmontado.

Mas lembre-se, através da mente isto não pode ser conhecido. Não persista por aí.




segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Apenas um sonho




Quando sonhamos temos a impressão de que todos os eventos, pessoas, locais, situações e acontecimentos se encontram separados daquilo que somos e que existimos à parte do todo.

No entanto, quando despertarmos e percebemos que tudo aquilo não passou de um sonho, descobrimos logo de imediato que na realidade, todos aqueles eventos, pessoas, situações e acontecimentos na verdade estavam em nossa própria mente, não existiam fora ou separado de nós mesmos.

O mesmo ocorre no estado de vigília, acreditamos que todos os eventos, todos os acontecimentos, todas as experiências existem à parte de nós mesmos e não nos damos conta de que toda a realidade surge a partir desta única consciência presente e que, portanto, não há nada a parte desta única experiência acontecendo a todo instante.

Quando estamos presos neste sonho, acreditando ser o sonho uma realidade, não estamos de fato lidando com aquilo que é real, mas com a nossa interpretação da realidade.

Olhar a realidade através dos olhos da mente e não através desta percepção direta, cria um sonho, com um complexo enredo, com uma história pessoal, pertencente ao personagem principal, que sobrepõe a verdadeira vida acontecendo, uma outra vida à parte. 

Só há uma vida, mas no sonho parecem existir muitas vidas. 

É por esta razão que tudo no sonho é tão difícil, tão sacrificante, é necessário se esforçar muito para se chegar a algum lugar, há muitos riscos, muitos oponentes, muitos inimigos, cada dia é uma luta, é necessário matar um leão por dia para ser alguém. Quando na realidade não há onde chegar, não há o que encontrar e não há o que conquistar, tudo já é.

E por que ser alguém é tão sacrificante? É porque não é natural ser alguém. Não é natural existir à parte da existência. Não é natural acreditar que o sonho é uma realidade, não é não natural existir uma vida além desta única vida, sempre presente, sempre desperta, sempre aqui e agora.

E este sonho é muito encantador, ser alguém é algo hipnótico. Não ser alguém é uma grande loucura para a mente. No sonho há muito colorido, há muitas estradas, muitos caminhos e possibilidades, raramente é perceptível notar que todos estes caminhos conduzem ao mesmo lugar, a mesma ilusão. 


Começamos a buscar no sonho muitas coisas para sermos felizes e nos sentirmos seguros, muitos projetos, muitas metas, muitas direções, tentamos tirar satisfação de tudo aquilo que parece estar "lá fora" sem perceber, sem dar-se conta de que não há nada lá fora, tudo está apenas acontecendo em sua própria mente, e enquanto esta busca persiste do lado de fora, reina a insatisfação, a miséria, o medo, a tensão constante e o desejo de se conquistar alguma coisa.

Tudo o que você procura verdadeiramente é por você mesmo, porque você é o princípio e o fim de todas as coisas. Através de você todo sonho surge e através de você ocorre o despertar. Mas não há ninguém dormindo, não há ninguém para despertar, só há a vida acontecendo e você não determina coisa alguma, tudo simplesmente é. 

Então o que fazer?

Apenas relaxe. 

E se por acaso, encontrar "alguém" que já tenha despertado, que não seja mais um "alguém" mas uma sinfonia perfeita com a existência, esteja o máximo possível em sua companhia, para que os seus acordes possa afinar o seu perfeito instrumento que é um fruto amoroso da existência.

Mas saiba que este "alguém" também faz parte do seu sonho, porque ele não existe à parte de ti, você já é o mestre, no entanto ele é o único personagem do sonho que se encontra aí para despertá-lo, para te lançar para fora do sonho.

Tudo isto não poderia passar de uma brincadeira, não poderia passar de um sonho. 

Escrevemos ou falamos tantas coisas para no fundo não dizer coisa alguma. 

E o que há para ser dito? E para quem? Só posso estar escrevendo para mim mesmo, o que torna tudo isto, ainda mais engraçado.





"Gratidão Eterna ao meu Mestre Marcos Gualberto"

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