sábado, 15 de setembro de 2012

A mente. A Falsificadora dos Falsificadores.



Eis que, você foi ensinado a confiar nela, a falsificadora dos falsificadores. Sim. Você está pronto para defendê-la, não somente isto mas abraçá-la, idolatrá-la, transformá-la numa deusa, sem conseguir perceber que este falsificador retira de ti todos os recursos possíveis e lhe deixa na mais profunda miséria.

Sua agilidade é incrível, seu treinamento já vem de milênios, sua artimanhas, seus truques, sua fortaleza, foi muito bem calculada, planejada, arquitetada, inclusive todos os riscos que se apresenta diante dela, já são riscos até certo ponto bem conhecidos, portanto, ela se utiliza inclusive das ameaças que lhe cercam, transformando-as em aliadas, jogando com estas, falsificando-as e utilizando tais armas como seus próprios recursos.

Como ela faz isto? Capturando o vislumbre percebido diretamente do "coração" e transformando-o em um conceito, uma explicação, uma doutrina, uma filosofia, uma ciência ou religião.

A mente é muito rápida em tirar conclusões, em formular suas opiniões, e através dessas conclusões e opiniões, inventar novas crenças, novos sistemas, novas ideologias.

É impossível para a mente conhecer o incognoscível. É impossível para a mente compreender a realidade existente para além de todas as imagens. É impossível para a mente conhecer qualquer coisa além daquilo que é criado por ela mesma.

Observe a mente, observe o quanto ela necessita compreender tudo a sua volta, para sentir-se segura. Observe como ela é rápida em chegar a conclusões, comparando através das diferenças ou similitudes, tudo aquilo que vê, com a sua bagagem já existente, enquadrando o novo ao seu velho acervo de informações, ajustando tudo o aos seus filtros já presentes.

Observe o desejo de posse inerente ao seu movimento, desejando capturar algo que ela possa chamar de sua; minha compreensão, minha opinião, minha visão, minha descoberta, meu entedimento, meu aprendizado, meu conhecimento, minha experiência, etc... E por meio dessa posse a necessidade do acúmulo, de poder, de especialismo (que é o desejo de tornar-se única, especial, incomparável, distinta diante do todo).

Neste exato momento, ao ler essas palavras, a mente acredita estar deduzindo, compreendendo, refletindo a respeito daquilo que aqui está sendo exposto. 

Veja que incrível, mesmo aquilo que desmascara a mente é utilizado pela própria mente como uma máscara. Quem? Se não o falsificar dos falsificadores poderia fazer isto?

Quando você acredita ter compreendido alguma coisa através da mente, você foi totalmente enganado. Toda a tua compreensão nascida desta dedução ou indução lógica é um embuste. 

Perceba, que imediatamente após ouvir algo, após entrar em contato com algo novo, a mente já busca ajustar isto aos seus velhos padrões, dizendo; isto está certo, aquilo está errado, isto eu aceito, isto eu não aceito, até aqui eu posso ouvir, se passar disso eu me recuso a ouvir, etc...

A realidade não está condicionada a mente, não depende de suas aprovações ou desaprovações, a opinião de qualquer um a respeito de qualquer coisa é pura imbecilidade, porque não altera o fato daquilo que é ou deixa de ser. 

O real não é uma construção mental e nem pode ser alcançado por uma construção mental. 

Não há uma ponte mental que possa ser construida entre a realidade e a mente. Não existe conciliação entre uma coisa e outra. A realidade só comunica-se com a realidade e a mente só comunica com a mente. São dois idiomas distintos e intraduzíveis um para o outro.

Ou você se liberta da mente ou jamais conhecerá a realidade.

Ou você descobre a tua realidade que está além da mente ou você jamais conhecerá quem tu és.

Não é possível ver isto através dos métodos, das práticas e dos exercícios formulados pela mente. 

Desista de tentar entender isto através de um ensino, porque isto não pode ser ensinado.

Desista de capturar isto, porque isto não pode ser capturado. Ou um salto é realizado através da entrega ao desconhecido ou você jamais sairá das fronteiras do conhecido, e o conhecido é toda esta miséria chamada ora de mente e ora de mundo.

Quando um vislumbre surgir não tente capturá-lo, deixe vir e deixe ir. Quando um insight relampejar aí, não tente compreendê-lo e imediatamente compartilhá-lo. Quando uma compreensão profunda parecer brotar, não saia correndo nú pela rua gritando eureka, porque não haverá ninguém para compreendê-la.

Esta necessidade de compreender, de aprender, de explicar, de capturar, de descobrir, toda esta parafernália nasce na mente e morre na mente. É a mente que busca libertação para as prisões que ela própria criou, é a mente que busca alívio para as tensões que é ela mesma. É a mente que necessita do reconhecimento alheio para ter confirmada a sua existência.

E as pessoas acreditam que podem escapar disso sozinhas, que podem se libertar disso sozinhas, que um mestre não é necessário, que cada um pode ser uma luz para si mesmo. 

Que si mesmo? O que você chama de si mesmo? A mente? Porque se você conhecesse a si mesmo, compreenderia que não existe o si mesmo. É a mente que faz essas afirmações para manter-se a si mesma.

Esta prisão, apesar de ilusória, é tão sofisticada, tão sagaz, tão complexa, tão enraizada, tão hábil e presente a milênios nesse jogo, que sem uma obra da graça da existência, da natureza real, sem este trabalho de algo que esteja além desta pobre crença de si mesmo, sem a presença do MESTRE que é consciência além da mente, manifestado ou não na forma, é impossível sair disso. 

Tudo que esteja além de disso é uma defesa da mente, ela irá discordar, ela irá criar teses contrárias, teorias, irá concordar mas irá se manter distante daquilo que possa dissolvê-la. Ela irá falsificar o que acabou de ler com extrema facililidade, porque ela falsifica a realidade 24 horas por dia.

Não há nada a ser conhecido. Nada. Esqueça isso tudo. Tudo aquilo que pode ser conhecido é apenas aquilo que surge da mente e é fabricado pela mente. Ela mesma cria o ensino e ela mesma ensina, ela mesma cria o quebra cabeça e ela mesma se propõe a montá-lo. Isto é uma enganação.

Você ainda não cansou de ser enganado?

Não percebe que até mesmo você é uma falsificação da mente? Porque este você separado é somente uma construção mental. Um sonho. Um reflexo. Uma miragem.

Sem desistência total, rendição completa e entrega plena esta falsificação permanecerá aí. Sem mudar em nada a realidade, mas mantendo este pesadelo que é você.

A única coisa que você tem para desistir é da mentira. Só o que podemos nos render é deste eu ilusório. E apenas lixo temos para entregar. Portanto só o falsificador dos falsificadores é que tem esta dificuldade de se dobrar diante daquilo que é.

Um comentário:

Bill Ferreira disse...

Incrivél o texto !!!!

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