segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Os Pilares e os Alicerces da Ilusão



Nunca vi uma criança preocupada em alcançar a iluminação, atingir o despertar, com crise existencial, ou que deseje melhorar o mundo ou a si mesma. 

É preciso adquirir muito lixo, tornar-se em um adulto auto-centrado em suas ideias miseráveis, para em algum momento sentir o peso da identificação com toda essa ilusão, e no desespero da dor e do sofrimento, buscar desesperadamente uma saída, ou na ambição própria daquele que é miserável, buscar algo que o torne especial, alguém de destaque, iluminado, desperto, conhecedor dos grandes mistérios da existência...

Precisamos olhar para isso e admitir, somos por demais presunçosos e arrogantes, e donos de uma ambição sem limites. Mesmo quando dizemos: - A única coisa que eu desejo de fato é o bem para todos - somos incapazes de perceber algumas implicações por de trás dessa afirmação, primeira o medo, quando desejamos que todos estejam bem e em segurança, é para que desta forma, possamos também estar em segurança contra qualquer ameaça, se todos os seres humanos estão satisfeitos, logo eu não serei assaltado, ameaçado, assassinado, não correrei o risco de cair na mais profunda miséria, perder minha casa e passar fome, ou seja, o que há por de trás deste desejo altruísta é medo, e segundo, eu sei mesmo o que quero dizer com "o bem de todos"? O que eu chamo de bem? Estabilidade financeira, condições econômicas igualitárias e serviços sociais como educação, segurança, saúde, previdência privada, dentro daquilo que considero nos conformes? Será que aqueles que vivem em países subdesenvolvidos não percebem, que tais condições favoráveis não redimem o homem da sua miséria humana, que em muitos países que alcançaram essas condições, possuem altos índices de suicídio (como por exemplo o Japão, com 21,9 atos de suicídio para a cada 100 mil habitantes em 2012), ou seja, então onde se encontra este bem para todos? Você se considera como sendo o corpo, logo toda sua ideia de bem está relacionado a ideia de corpo, sendo assim, todo o seu altruísmo nasce apenas do instinto de auto-preservação, dentro dessa programação biológica do próprio organismo, não existe nisso você como pessoa, como alguém, determinado o seu grande e nobre ideal.

O fato é que estamos condicionados por um sem número de crenças, algumas delas como pilares para um outro conjunto de crenças, como a ideia de que existe um eu, uma entidade separada do todo, ou seja, a ideia de um ego, este é o primeiro de todos os pilares, na construção deste sonho no qual encontramos adormecidos.

Segundo, acreditamos viver num corpo, dentro de um determinado tempo e espaço, que são as medidas de um mundo, no qual acreditamos habitar com este corpo, somos portanto uma entidade dentro de um mundo, habitando dentro de um corpo, uma entidade por debaixo de duas camadas da realidade na qual acreditamos existir.

Tais condicionamentos são tão arraigados por múltiplos fatores, que em ultima instância é uma determinação de uma só Consciência (não haveria como milhares de múltiplos fatores serem organizados pela determinação de um eu, que desconhece a gênese de todo esses processo), e só podem ser removidos em sua origem. E, portanto, só podem ser removidos como uma determinação desta mesma Consciência. Da mesma maneira que não houve ninguém para decidir viver sob esses condicionamentos, não há ninguém para decidir sair deles... Portanto, não há nenhum técnica, não há nenhum mapa, não há nenhuma motivação ambiciosa que seja capaz de "nos tirar disso", primeiro, porque se não há um eu, não há este "nos" e, segundo, em última instância não há nada acontecendo como acreditamos, o que há é apenas uma ilusão se sobrepondo a realidade e, criando uma realidade a parte.

Nesses sentido, a Consciência assume a forma de um Guru para aqueles organismos nos quais, esta mesma Consciência não criou condições para que ela própria possa se desvencilhar de todos os condicionamentos no qual ela mesma se enredou e, assim a associação com os sábios é o meio mais antigo, conhecido e eficaz para a Consciência se recordar dela própria, paradoxalmente, Consciência esta que jamais se esqueceu de si mesma.

Sem dúvidas, naqueles nos quais a ambição, a presunção, o saber acumulado que é fruto desta ambição, desta presunção e do medo, ou seja, fruto dessa ilusão de ser alguém que possui conhecimento, a Consciência permanecerá oculta de si mesma, naquela forma, escondida de maneira eficaz, com perfeição, este sem dúvidas, terá o seu corpo findado sem jamais se desidentificar do mesmo e se voltar para a verdadeira fonte do Ser.

Tudo, exatamente tudo é uma determinação dessa Consciência, portanto, não há nada fora do lugar. O desejo de reforma, as ideologias, são frutos desta presunção e arrogância, que por sua vez, são frutos do medo. O medo nasce da identificação desta Consciência com a forma, neste ou naquele organismo, e a liberação disso nasce do desvencilhar da Consciência em sua identificação com a forma, nada mais que isso, nada extraordinário, no entanto, nada mais misterioso e inexplicável para a mente que está sempre em busca de razões e de um sentido para a vida, um sentido que esteja além da própria vida.

E para desconcertar de vez com esta presunção do buscador, o chamado para este recordar-se, nasce deste anelo ao amor, a paz, a felicidade e a bem-aventurança, desta atração ao estado natural do Ser, ausente de todos os conflitos e, não da atração pelo poder, pelo conhecimento, pela salvação, pela realização que são objetivos do medo, da vaidade, da presunção e da ambição.

"Gratidão Eterna ao meu Mestre Marcos Gualberto..."

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