quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Sem dúvidas você existe, mas será a sua existência real?



Tudo a sua volta prova que você existe, que você está aí, como uma entidade separada do todo, que você é importante, significante, único. 

Todos que estão a sua volta são suas testemunhas, tua memória conta um passado que para você é inquestionável, teus documentos comprovam que você é alguém, o governo te cobra impostos, você vai ao trabalho para ganhar dinheiro, pessoas cobram a sua atenção, você exige e faz exigências... 

Como duvidar de que você não seja real? Como? Só um louco poderia duvidar disso, não é mesmo?

Fique aí em sua miséria, agarrado a sua existência. Não de voz aos loucos, não os escutem. Eles podem abalar suas crenças e até te fazer duvidar se você realmente é real...

Enquanto o universo é ilimitado, enquanto a vida que lhe dá vida é o milagre dos milagres, a abundância da abundâncias, enquanto a natureza é selvagem, sem regras, sem limites, enquanto o universo baila em espirais, em constelações, enquanto a existência toda sorri, e isto que você chama de planeta é apenas um grão de areia suspenso no espaço, que ao ser varrido, será lembrando por quem? Enquanto isso você, acredita que é uma entidade separada, que é alguém, que é real...

Segundo diz a ciência (não há ninguém dizendo qualquer coisa aqui), a cada decisão que você acredita tomar, é necessário que por de trás desta decisão, que milhares de processos químicos, físicos e biológicos estejam funcionando e permitindo ao corpo se manifestar, que milhares de fatores que dão condições de vida no planeta estejam operando harmoniosamente, é necessário que bilhões de neurônios troquem milhares de informações entre os neurotransmissores que coletam informações do corpo através do sistema nervoso, dos sentidos, das impressões e interpretações de condicionamentos desses sentidos, para que sejam processados e a partir disso determinar comandos, comandos esses quase sempre voltados ao instinto de preservação do organismo, fazendo com que esses mesmos comandos surjam na mente em forma de ideias,  ideias que você acredita que ao se tornar conscientes ali naquele instante em que parecem surgir, sejam consideradas suas ideias, criadas por você. Você acredita que faz escolhas, que você existe como alguém que está no comando, mesmo não sendo responsável por nenhum desses bilhões de processos interligados, como uma só manifestação da existência, mesmo assim você acredita que existe como um entidade separada, e como alguém muito importante... Quanta ingenuidade... E você defende isto de unhas e dentes, afinal, quem duvidaria da sua existência e do seu livre arbítrio?

A mente tem o poder de criar uma realidade que só existe dentro dela mesma. E a ideia de um eu presente e separado, é a ideia mais genial que a mente poderia criar, para se autopreservar e preservar o mundo que ela própria criou.

Seria uma grande fraude se "eu" afirmasse que essas ideias são minhas, que a vida é minha, que eu realmente existo de uma forma única e distinta de você... De fato, apenas há o percebimento de que há uma consciência por de trás da visão, da audição, do tato, da memória, da história, e esta Consciência, esta Presença está muito além de mim mesmo, muito além da ideia de um eu aqui presente.

A vida é muito vasta, muito ampla, misteriosa, insondável, inexplicável, muito grandiosa para reconhecer a mísera existência de um eu separado dela mesma, atuando, criando, existindo.

Mas não dê ouvido aos loucos. Eles afirmam que não existem e que você não existe. Só podem estar loucos. 

Se mantenha preso a sua vidinha, onde tudo é tão concreto, tão real, tão explicável, cognoscível, e no entanto, nada funciona exatamente como você gostaria.

Ah como seria bom sentir a felicidade dos loucos, que é a felicidade da vida, que não é a felicidade de alguém...

Como seria bom não ser alguém, ser um só com a grandiosidade da vida. Mas será que você já não é isto, mas está agarrado a ideia de ser alguém na vida? Não... não olhe para isto, não se permita olhar para esta possibilidade, isto poderia lhe matar, destruir tuas crenças, lhe transformar em um ninguém, num nada, o que você poderia fazer a partir disso? Talvez celebrar a leveza, a beleza, a paz, a alegria de não mais conhecer nenhum sofrimento, nenhum dúvida e nenhuma certeza, você talvez pudesse viver como uma criança, no céu de onde elas nuncas saíram, no cerne da existência, permitindo que esta mesma força capaz de criar o universo, os planetas, os animais, o seu próprio corpo e tudo o mais, também faça tudo por ti, enquanto você apenas desfruta deste não-ser, deste não-saber, como uma testemunha misteriosa e silenciosa diante da grandiosidade da existência.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente para compartilhar amorosamente aquilo que aqui amorosamente foi compartilhado!

Grato!

Seguidores