quarta-feira, 8 de abril de 2015

Todo Pensamento é uma Fantasia




Desde quando encontrei meu Guru, Mestre Marcos Gualberto, a quase quatro anos atrás, tenho ouvido-O nos dizer (como Ele diz: "Vez após vez, após vez, após vez"): "Todo pensamento que passa pela sua cabeça é uma mentira." - Ouvir isto sempre foi muito impactante aqui, chocante, não importa quantas vezes tenha ouvido... Porém por muito tempo eu não pude ver o que Ele estava de fato dizendo. Assim sendo continuei valorizando o pensamento, o pensamento era o maior investimento que a atenção presente em mim havia realizado, tudo poderia ser abandonado, tudo... Mas havia uma coisa do qual eu não poderia abrir mão, e eu não poderia até então abrir mão do pensamento.

Todo ideia relacionada a existência de uma entidade separada da vida, vivendo dentro de um corpo tem seu alicerce, sua coluna principal, sua espinha dorsal no pensamento, que surge aparentemente sob o controle de um pensador, o surgimento do pensador determina o aparente surgimento de uma "entidade separada" no homem, assim sendo, abrir mão do pensamento seria abrir mão da "minha entidade separada", abrir mão do "eu", reconhecendo aquilo que o meu Guru sempre nos diz e que também choca "não há ninguém dentro do corpo".

E algo muito engraçado se faz presente, os pensamentos hoje são todos muito cômicos, é um pouco difícil falar a partir deste lugar sem rir...

O que vejo hoje é uma contínua enxurrada de fantasias que o cérebro descarrega sobre o corpo, e nele surge uma visão distorcida da vida, criando uma interpretação constante da existência por meio da avaliação, da comparação, do julgamento, do desejo, da aversão e principalmente do medo. A todo tempo existe a necessidade de defesa, esta entidade separada precisa viver na tensão e no medo para criar uma contração no corpo que surge como uma necessidade imperiosa de construir muros. Muros que possam manter intacta a ideia de uma entidade vivendo a vida dentro do corpo, uma entidade além da vida, protegida por um emaranhado de crenças, memórias e impressões de registros de experiências no corpo.

Vejo todas as fantasias que aqui foram descarregadas desde a infância, quase o tempo todo, sendo expurgadas, passando diante deste observador que se sente tentado o tempo todo de não ficar somente no olhar desses fenômenos aparecendo e desaparecendo. Esses fenômenos só perdem a sua importância quando não há mais a presença da ideia de um "alguém" que possa valorizá-los, e havendo só a experiência não há o experimentador e portanto não há conflito, separação ou dualidade, mas quando há o experimentador, há o esforço contínuo por coletar dados, informações, explicações, histórias, etc... Porque a coleta dessas informações são vistas como fundamental para a continuidade da vida, a mente nos convence de que sem a presença deste alguém no corpo, de que sem a presença do ego é impossível viver a vida tal como ela se apresenta "no mundo" para cada um de nós, e nisso a mente tem um grande trunfo...

E vejo a todo instante iscas sendo lançadas pela mente, a todo instante estou sendo tentado a embarcar em sua viagem, em suas fantasias, porque essas fantasias dão muito prazer mas como uma droga trazem o efeito colateral da dor. Essas fantasias reforçam o prazer, o orgulho, a vaidade, o medo e o desejo de se manter e dar continuidade a vida num formato individual, separado, ínfimo, dentro de imagens e interpretações sobre a vida, e que mesmo em sua miséria pode encontrar o prazer, o orgulho, a vaidade, o medo e o desejo em suas fantasias, na identificação da atenção, da consciência focada em pensamentos, focada no mundo, voltada o tempo todo para "fora", criando um "eu especial", e que por ser especial necessita de defesas, e necessitando de defesas ele adentra um ciclo de ataque, conflito, atrito, culpa, raiva, rancor, desconfiança etc, escondidas por de trás da ideia da defesa mental de alguém especial, de alguém importante, que está condenado a desaparecer a qualquer momento, porque a vida lhe dissipará a qualquer instante de sua forma, e o medo do desaparecimento está tão entranhado no corpo, que a sua maior defesa é criar uma entidade presente no corpo, como sempre nos aponto o Mestre: "ego é medo, é resistência". E ser especial para "si mesmo" e para os "outros" é fundamental para a continuidade dessa entidade separada que se valoriza como tal, e para isto, o ego cria a espiritualidade, para ter a possibilidade de poder existir tal como existe hoje, até mesmo num "post mortem".

Se não há alguém por de trás do pensamento e o pensamento é apenas uma fenômeno material como outro qualquer, ou seja, algo que aparece e desaparece, então não há problema algum com o pensamento, agora se há alguém por de trás do pensamento pensando, então toda a sua expressão é egóica. Mas aqui onde estou não tenho a mínima condição de saber de onde surge este escrito por exemplo, esta fala, mas não há mais o interesse em saber, então a escrita surge espontânea, sem uma aparente direção este que parece escrever, sem um embasamento lógico ou qualquer compromisso com a ideia de que existiria uma maneira real de transmitir a verdade por meio de palavras, e sem nenhum apelo de uma ideia de autoria que reivindica e defende suas crias, suas criações, suas ideias, ou seja, aqui tudo apenas acontece enquanto eu mesmo não aconteço.

Aqui hoje todo pensamento é visto como uma fantasia, e como uma fantasia não deve ser levada a sério, e nem merece riso contínuo, mas na maior parte do tempo a atitude que brota diante dos pensamentos que surgem é de indiferença ou riso....

Não confiem em minhas palavras, são apenas fantasias escritas, aquilo que está sendo visto não pode ser testemunhado por palavras. Palavras no ego são como uma cola, um cimento, são a base superficial de todas as crenças, de toda construção mental, de todas as ideias, de toda possibilidade de "ensino - aprendizado",  visto que as suas bases de fato, não são vistas a partir da mente, mas tão somente a partir da Luz da Presença, da Luz da Graça, da Graça do Guru...

Assim como a visão do mundo só pode surgir diante do olhar a partir de uma luz que se acende e se faz presente de forma natural ou artificial, a visão da realidade só pode ser vista se a luz da Presença e da Graça esteja acesa num "ponto anterior ao próprio olhar", ou seja, na fonte de onde todo pensamento surge. Isto é assim porque não há ninguém por de trás do olhar, só há vida, a luz da Sua Graça, só há esta Inteligência Suprema anterior e posterior ao olhar.

Vejo isto o tempo todo? Se quer posso dizer que vejo, mas não há dúvidas de que, o que aqui está presente é o ver, é o olhar, é o testemunhar, é a vida em sua expressão misteriosa, inexplicável e sempre oculta para a mente, por essa razão, todo pensamento que surge na tentativa intencional de explicar a vida por meio de palavras, por meio de pensamentos, é fruto de uma completa fantasia.

O desejo de explicar, de desvendar, de resolver um problema que é insolúvel, pelo fato de não ser real, faz com que alguns tenham como crença enraizada e contraída a ideia de que o pensamento tem o poder de revelar a realidade, de explicá-la e ensiná-la. Completa fantasia! Mas trata-se de uma fantasia intransponível a partir da visão da própria fantasia que é a entidade separada, uma fantasia que convence e confirma a presença de um eu, de um ego dentro do corpo, portanto, só a partir de uma luz que se acenda fora da percepção da mente, pode ser dissipada a ilusão da ignorância que é base do sentido de separatividade. 

E peço para a Graça da Guru me libertar momento a momento dessas iscas da ilusão, dessa persistente e contínua produção de fantasias que a mente despeja enquanto aqui ainda se faz presente este ser pensante, mas a alegria aqui presente é em perceber a cada instante que a busca acabou, e que aquilo que hoje está presente é apenas o "Trabalho", o "Trabalho" de autorrealização, que não é um trabalho meu, é um trabalho muito natural como é a vida, acontece apesar de mim, além dos desejos, além das ideias, além das crenças, além do percebedor, do entendedor, além de toda e qualquer fantasia que a palavra tem o poder de construir, um trabalho que acontece por meio desta Presença que é o Mestre, que é Deus, que é a verdade.

Você também quer descobrir isto de perto, descobrir o que paz, o que é liberdade, o que é felicidade, o que é bem-aventurança, o que a verdade sobre si mesmo? Venha ao Satsang!


Jaya Guru Deva Om!


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