quinta-feira, 9 de julho de 2015

Só há a Dança


Muitos sons podem ser percebidos, mas o ouvir é sempre um só. Muitas coisas podem ser vistas, mas o ver é sempre o mesmo. Você pode sentir muitas sensações, mas nunca deixa de ser um sentir acontecendo para o corpo. Muitos pensamentos podem desfilar sob a tela da mente, mas são só pensamentos, só imaginações. Na absoluta simplicidade de fluir com a vida, nesse ouvir, nesse falar, nesse ver, nesse sentir, não há mais você, só há esta única experiência acontecendo, mas, de fato, nada está acontecendo para o Ser, que permanece imutável, por detrás da aparente miríade de experiências, que não passam de impressões e registros, dando a falsa percepção de uma realidade múltipla acontecendo para muitos, quando na prática, não há ninguém por detrás de nenhuma experiência.

Só há uma única experiência acontecendo o tempo todo, podemos aqui chamar esta única experiência de “o grande baile de aparições” aparecendo dentro do “espaço infinito e uno da Consciência”. O baile é somente um espetáculo natural, não importa o que aconteça nesse baile, nada toca a Consciência, tudo o que pode acontecer, só parece acontecer quando a ideia de alguém presente dentro da experiência se apresenta, fazendo surgir, neste momento, a crença em um experimentador. O experimentador é o acúmulo de experiências cristalizadas na memória, dando a impressão, da presença de alguém, nesse fundo de registros e impressões no "corpo-mente", e nisso, está a base de toda a ilusão, a ilusão de alguém vivendo a vida, enquanto que só há o ver, o ouvir, o sentir, o falar, o caminhar, manifestando-se como impressões no corpo. Sem nenhum sentido, lógica, razão ou bom senso, há apenas o bailar da existência, e a Consciência é o palco vazio, nunca preenchido, imutável, sem nenhuma necessidade de atender qualquer objetivo ou propósito.

Nesse vazio está a plena liberdade do Ser, sua plena felicidade, sua paz inabalável, seu amor imutável que também pode ser chamado de “o nada”. Só o vazio acolhe o todo sem nenhum conflito, e só no vazio, o todo, tem a liberdade de bailar,  porque é o palco que nunca acontece.

Para aquilo que é você em sua em Sua Real Natureza, nada aconteceu, para isto que é você, não há nada para acontecer. Só há esta única experiência que é o grande baile de Shiva, que é o sonho do aparecer e desaparecer, do surgir e do emergir, é apenas como o passo de uma dança. 

Não viva. Viver é uma miséria, porque é a ilusão do nascimento de alguém que está condenado a morrer. Não viva, apenas contemple a dança, apenas aprecie este grande espetáculo, seja um só como palco, como dança e como espectador. Célebre o grande espetáculo do Ser, sendo este nada, para o qual tudo acontece.

Tudo o que temos aqui são somente palavras, que estão aparecendo nesse palco, bailando para ninguém, portanto, não há nada importante aqui. Ver isto, é viver isto, que é realizar isso, mas não fica alguém para compreender isso, ensinar isso ou demonstrar isso, e isto é tão simples, tão direto, tão presente aqui e agora, mas que não é visto pela pessoa, porque a pessoa é a confusão de um dançarino ao meio de toda essa dança, e neste sentido, ver tudo como um grande baile orquestrado pela Divina Graça, nessa leveza, nessa paz, nessa felicidade de ser dança, música, movimento e o palco imutável, só é possível, a partir de uma obra da própria Graça, ou seja, a partir do encontro com o Amado, com o Guru, que é na forma, aquilo que somos neste vazio, nessa dança natural, sem a crença em um dançarino que pode ser julgado por seus méritos ou deméritos, porque só há o espetáculo, sem ninguém nele. Quando, não há alguém, muitos sons podem ser percebidos, mas o ouvir é sempre um só, não há escolhas, não há desejos, não há busca, mas há a dança, que pinta e borda em sua coreografia o que ela quer, como quer, e com quem quer, porque só há o espetáculo, só há a dança.

Jaya Gurudeva Mestre Gualberto!

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