domingo, 22 de abril de 2018

O florescer da real inteligência


É lindo ver a vida se abrir como uma flor de mil pétalas que se desdobram em outras mil, que fenecem e em seu lugar se desdobram em outras milhares de pétalas... A vida é abundante em todos os seus aspectos, a natureza é sempre muito generosa em sua manifestação. 

No corpo a bilhões e bilhões de células que estão constantemente se reproduzindo, se alimentando, se renovando... Milhares e milhares de processos físico-químicos construindo uma biologia fascinante e grandiosa. 

Na natureza há milhares e milhares de espécies de flores, de plantas diversas, de árvores,  de vegetações e cada uma dessas espécie possui dezenas de variações... O mesmo acontece entre insetos,  animais, micro-organismos e espécies marinhas. 

As galáxias se manifestam aos milhares, quem sabe aos bilhares, que por sua vez possui, quiçá, trilhões de estrelas que multiplicam em no mínimo dez vezes mais a quantidade de planetas que giram em elipses ao redor de suas estrelas...

Os sentidos captam milhares de cheiros, milhares de cores, de texturas, de sabores, que a mente, desnorteada, é incapaz de nomear e classificar todas as experiências que se manifestam a partir da sensibilidade dos sentidos. 

Só a ilusão do olhar de um diminuto "eu" ilusório, fruto de padrões, condicionamentos e repetições, que por sua vez, é fruto de uma inteligência nascida do medo, cujo alicerce está baseado em táticas e ações de ataque e defesa, em conflito ou fuga, pode criar em torno de si a ideia de um mundo marcado pela escassez, pela carência e pela falta... Como isso é possível? Como a natureza da realidade que nasce deste infinito mistério que é a vida pode representar escassez, carência e falta? Como pode estar faltando algo na existência? 

Esta limitada inteligência nascida do medo, que tem sua raiz no instinto de sobrevivência, de continuidade, é apenas um estágio dentro do comportamento nascido do sentimento, de identificação da consciência com o corpo, o que os cientistas chamam de inteligência corporal-cinestésica, ela é a raiz da identidade ilusória de uma entidade presente no corpo... 

Descobrir que você não é essa identidade, ir além desta ilusória entidade separada, é o caminho para a real liberdade, é a quebra radical com um passado "milenar", cujo alicerce é essa inteligência nascida do medo, que projeta uma realidade a sua volta marcada pela ideia de escassez, carência e falta...

Se você não for além disso, se não for levado para além disso, você jamais conhecerá o amor, a liberdade, a paz e a felicidade de ser aquilo que você é em sua natureza essencial. 

Você não é quem você acredita ser... E o que você é, é inimaginável, impossível de ser capturado, explicado e classificado pela mente... E incapaz de viver uma vida miserável de medo, de carência  de falta, de escassez, porque você é a riqueza das riquezas, a fonte de toda inteligência, aquilo que está além de todas as imagens, de toda ideia que a mente possa conceber, imaginar, sonhar...

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Da mente para o coração: O retorno ao lar!


O coração da criança traz uma semente de Consciência, Presença, Silêncio, Alegria, Simplicidade e amorosidade, ela é uma promessa de uma vida naturalmente pacífica, feliz e amorosa. 

Mas o medo faz erguer defesas, despertar desejos e nos distanciar mais e mais desse Silêncio que é Graça, dessa Presença que é abundante no coração.

Tendo caminhado para muito longe de si mesmo, eis que o sentido do 'eu' chega a mente e estabelece suas raízes, e a partir daí, a ambição, os desejos e as intenções se transformam na base de toda ação. Ações que nascem com o intuito de escapar de perigos, obter prazer e alcançar poder e controle sobre a grandiosidade da existência. Nisso a ansiedade, a apreensão, as preocupações, o desgaste físico, mental e emocional; os conflitos, as discussões, as disputas, as guerras, as contradições internas, o autojulgamento, a culpa, a comparação, a inveja, os ciúmes, as compulsões, as válvulas de escape que são rotas de fuga, a necessidade de chegar em algum lugar, de obter reconhecimento e apreciação, a necessidade de provar o seu valor próprio, este jogo perverso, cruel e hostil que é a base da mente egoica se instala.

É necessário para aquele que busca a paz a real liberdade e a felicidade, desistir deste falso eu que construiu sua base na mente e empreender o caminho, de volta,  de retorno ao lar. Retornar a pacífica morada daquela infante semente,  esquecida, encoberta e desprezada; fonte de inocência, pureza, santidade, paz, silêncio, mansuetude, confiança e liberdade. Liberdade que floresce neste amadurecimento da Presença e da Graça do Ser "sobre nós".

Se voltar para o coração é se voltar para o silêncio. Se voltar  para o silêncio é ignorar o movimento da mente. Ignorar o movimento da mente é permanecer só,  consigo, em seu natural estado que é meditação.

No coração reside o fogo da verdade e uma vez acesa a chama, ela purifica todas as suas intenções, transforma em cinza os medos, arrefece os desejos, dissolve os conflitos e prepara as condições necessárias para a implosão do edifício deste falso 'eu', deste usurpador, que cravou sua morada neste falso centro que é a mente.

Para que uma brasa apagada possa reacender é necessário que se aproxime de uma brasa em chamas, é necessário se associar àqueles que estão empreendendo o caminho de volta ao coração, é fundamental o encontro com aquele que já amadureceu e floresceu em verdade, em amor.

Permanecer no amor daquele que floresceu em verdade é reacender em si mesmo essa chama do coração, para iluminar o olhar que nos permite enxergar a verdade daquilo que somos e redescobrir, recordar e despertar para essa verdade que é o único caminho real para a felicidade. 

Felicidade é tornar-se quem tu és.


Translate by Google:

From the mind to the heart: The homecoming!

The heart of the child brings a seed of Consciousness, Presence, Silence, Joy, Simplicity and love, it is a promise of a naturally peaceful, happy and loving life.

But fear causes us to erect defenses, to arouse desires and to distance ourselves more and more from that Silence that is Grace, from that Presence that is abundant in the heart.

Having walked far away from himself, behold, the sense of self reaches the mind and establishes its roots, and from there ambition, desires and intentions become the basis of all action. Actions to escape danger, gain pleasure, and gain power and control over the greatness of existence. In it anxiety, apprehension, worries, physical, mental and emotional exhaustion; conflicts, disputes, disputes, wars, internal contradictions, self-judgment, guilt, comparison, envy, jealousy, compulsions, space valves that are escape routes, the need to arrive at some place, to obtain recognition and appreciation, to prove its value, this perverse, cruel and hostile game that is the basis of the egoic mind settles.

It is necessary, for the one who seeks peace, real freedom and happiness to give up this false self that has built its base in the mind and to make its way back home, the peaceful abode of that infant seed forgotten, concealed and despised, source of innocence, purity, holiness, peace, silence, gentleness, confidence, freedom, which flourish in this maturation of the Presence and Grace of the Self over us.

If we return to the heart we will return for the quiet. If you return to silence, you ignore the movement of the mind. To ignore the movement of the mind is to remain alone with itself in its natural, in meditation.

In the heart resides the fire of truth and once the flame is lit, it purifies all its intentions, turns the fears gray, cools desires, dissolves the conflicts and prepares the necessary conditions for the implosion of the building of this false self, of this usurper , who has set his abode in this false center which is the mind.

In order for an extinguished ember to reignite its fire it is necessary to approach a burning ember, it is necessary to associate with those who are making their way back to the heart, it is fundamental the encounter with the one who has already matured and flourished in truth, in love.

To remain in the love of the one who has truly bloomed is to rekindle this flame of the heart, to illuminate the gaze that allows us to see the truth of what we are and to rediscover, remember and awaken to this truth that is the only real path to happiness.

Happiness and becoming who you are.

domingo, 12 de novembro de 2017

Quem muito entende nada vê!



Não se trata de entender o movimento da mente, entender significa: enxergar um significado (ou um não significado), por de trás da ação da mente. Trata-se apenas de uma observação corajosa, enérgica, determinada, atenta, persistente e contínua, uma observação consciente, sem os filtros da mente. 

Se você entende muito sobre isso, tem uma grande facilidade para falar sobre isso, já leu bastante, acredita, inclusive, que pode demonstrar e ensinar a respeito deste assunto, simplesmente porque você vivenciou algumas experiências que você mesmo, sem nenhuma referência, as considera profundas, e,  mais do que isso, se você sente o forte desejo de compartilhar isso para ajudar a humanidade a evoluir, igual você, e assim se exibir aos outros, lamento dizer o que vou lhe dizer, mas: você não está vendo nada. Logo, só pode dar a eles mais conhecimento, explicações, entendimento, mais barulho, mais ruído, mais conteúdo, imagens e coisas sobre o que pensar, novas conclusões com relação a vida, mas não pode dar-lhes silêncio, visão, Graça, porque você é seco de sabedoria, desconhece a fonte, o Ser. A fonte, o ser, são apenas palavras, conceitos e crenças para ti, você não pode acolhê-los em seu amor, porque você se esqueceu do que é o amor.

A visão não pode ser ensinada, explicada, entendida, simplesmente porque é natural, é inata, são como asas para um passarinho no ninho. Aos passarinhos, seus pais, não irão lhe dar aulas, lhe matricular numa escola de aviação, não irá teorizar sobre isto, não irá demonstrar a sua técnica levando o filho nas costas para mostrar como se voa, não! Ele saberá o momento correto de empurrar o seu filhote para o abismo e fazê-los alçar voo.

Por essa razão, um Guru real irá trabalhar aqueles que Dele se aproxima, até chegar o momento que ele poderá chutar o "discípulo" para fora do ninho, em direção ao abismo, que é aquele momento em que o discípulo se tornou muito leve, sem o peso do conhecimento, das explicações, do saber, sem o peso das experiências pessoais, sem o desejo, sem apegos ou desapegos, sem amores e sem aversões, em completa obediência a consciência, livre do peso do ego, aniquilando, assim, toda vaidade, pretensão, ambição, arrogância, autoimagem, medo, desejo, preenchimento e sofrimento...  

O Guru real, assim como o pássaro adulto, não irá lhe ensinar nada a respeito da verdade, Ele apenas destruirá todas as mentiras, todas as imagens, que se sobrepõe sob este "eu real" que é Deus, que é você. Graças a essa entrega ao Guru, ao divino, que é essa Consciência, essa Presença na forma de um Guru externo, revelando o Guru real, onipresente, único, que é Deus, é possível este "despertar". 

A observação correta é aquela que silencia, é aquela que conduz o movimento da mente para o silêncio, para o seu cessar, não é aquela que produz muitas e muitas conclusões a respeito de uma mesma questão, dando mais combustível ao movimento da mente.

Quando o olhar está presente não é necessário dizer nada, tudo se revela neste olhar... 

Quem tem muito entendimento e carrega muitas explicações é porque não está vendo, está imaginando. 

Aquele que vê não possui explicações, está quieto, está apenas neste olhar natural, impessoal, sem desejos ou medos, sem escolhas, sem alguém. Quando perguntando sobre, ele apenas aponta... E o discípulo que não está em busca de aprender, mas está disposto a morrer, a se permitir desaparecer, o Guru faz muito mais do que apontar; Ele sacode todas as suas estruturas, questiona todas as suas crenças, lhe mostra o exato lugar em que a mente construiu toda sua base, e se você permanecer próximo Dele, Ele, que é essa Consciência, que é você, que é Deus, irá destruir através de sua Presença, através de sua Graça todo este peso da ilusão da ignorância.



Satsang só é possível diante de um Budha que floresceu em bodhi (inteligência, consciência), só é possível diante do Jnani, do Jivamukti, do Cristo que é aquele que "venceu" o mundo, que está além deste mundo, da mente e do corpo e pode acolher o mundo do "discípulo" sem nenhum peso, obrigação ou responsabilidade.

Satsang não é possível diante de uma áudio gravado, um vídeo, um livro e muito pior ainda, diante de um professor, diante de um palestrante, muito menos entre amigos.  

Satsang é uma ação pura da Graça, uma ação pura de Deus, uma ação pura dessa Presença, dessa Consciência, que através de um trabalho conduz ao fim da ilusão do ego. Uma ação nascida da santidade e da sabedoria daquele que floresceu Deus... Sob o seu perfume, o perfume do SatGuru, o sagrado se revela como a única realidade.







* Vista do Ramanashram Gualberto em Campos do Jordão. Mais informações no site: www.mestregualberto.com
** American horror story: Freak Show. HD Wallpaper and Background  images. 
**Sri Bhagavan Ramana Maharshi em Ramanasram, Tiruvannamalai - Índia

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Quando você deixa de investigar


Quando você deixa de investigar a realidade, as impressões do corpo se transformam em sua única realidade. 

Quando você está em sua cama dormindo e sonhando, durante o sonho, a mente cria para você um corpo, te coloca em um cenário com outros corpos (pessoas), e você reage a tudo como se tudo aquilo fosse real. Você pode sentir medo, desejo, raiva, tesão... Se naquele sonho ocorre um tiroteio, você corre e busca um lugar seguro aonde você possa se proteger dos tiros, ou seja, você não se lembra da natureza da realidade, não se recorda da cama, do corpo repousando sobre a cama, do cobertor, do lençol, do travesseiro, etc.

Da mesma forma, durante o estado da mente chamado de vigília você parece estar rodeado de pessoas (corpos), neste estado você está em busca de sobrevivência, de reconhecimento, prestígio, você está em busca de prazer e tem medo da dor, medo de um coração que dispara, de um pensamento que surge, de uma doença, de desastres, de um assalto, etc... Mas você é a Consciência, todavia, assim como durante o sonho você não se lembra de que é o mecanismo corpo-mente que está produzindo aquele sonho, e que você se encontra confortavelmente deitado em sua cama e em paz, e que toda aflição, todo medo e desejo no sonho são meras ilusões da mente, e por essa razão, desta mesma forma, você é Consciência pura, plena, sem princípio ou fim, mas acredita (sonha) estar em um corpo, vivendo em mundo, com outras pessoas, e que são tudo impressões mentais, impressões que desaparecem no sono profundo, mas você está reagindo a isso tudo, como se tudo isso fosse real...

Quando você começa a desconfiar da realidade deste sonho chamado vida do David, do Tom, da Maria, do Rafael, do Beto, do Gláriston, da Dilma, quando você descobre com toda sinceridade, de que você não sabe quem é você, isto, provoca uma abertura que permite a Consciência se perceber, e perceber que há só um sonho acontecendo.

Neste instante a Consciência faz surgir neste sonho um novo personagem que é a lembrança de sua própria realidade, esta lembrança aparece, então, na forma do Guru...



A partir daí surge uma bifurcação no caminho diante de ti, você pode ignorar o Guru e permanecer em seu mundo particular, ou seja, permanecer no sonho, preocupado com a vida do personagem, com seus passos, conquistas, que não darão em nada, ou melhor, que irá dar em caixão e velório ou você pode se voltar ao Guru, que é a lembrança de sua real natureza, que é a Consciência, e através dela dar início a um trabalho de meditação, autoinvestigação e entrega do seu mundo, um trabalho que é capaz de te revelar a verdade, a natureza da realidade.

Quando você deixa de investigar, você deixa o Guru (a Consciência, o Ser, sua natureza real) e se volta de todo coração para o sonho, que são as impressões mentais, a imagem que os sentidos, o cérebro, traduz da existência, criando o sentido de um mundo particular, que é o sentido de separação. Você já sabe tudo, já tem certezas, não está disposto a investigar suas certezas. Neste mundo você irá sofrer, lutar, vencer, perder, aprender, crescer, casar, ter ou não filhos, adoecer, ter câncer, taquicardia, piripaques, irá se desesperar, irá gozar, sairá correndo de tiros, passará por assaltos, sem saber, sem desconfiar de quem é você, sem desconfiar que está dormindo e que tudo isso é um sonho, que acabará com a morte do corpo, para recomeçar em um outro corpo...



Aquele que consciente de si, sabe que tudo aquilo que se apresenta para o sentidos separado deste si, é um sonho, não mais se desespera, se preocupa, se aflige, teme, deseja ou se confunde com acontecimentos do sonho, ele assiste o corpo se movimentar neste sonho, mas ele está ciente de que não é o corpo, de que não é a mente, de que o corpo e a mente estão apenas aparecendo nele.

O Guru não está preocupado com sua entrega, não está preocupado se você está em um trabalho de investigação ou não, o Guru é a sua Consciência em plena liberdade, desfrutando do Ser, em liberdade e felicidade... Você não acrescenta nada a ele, não pode tirar nada dele, ele está sempre disponível, àquele que, na bifurcação do caminho sai do caminho do sonho para trilhar o caminho do retorno, o retorno a fonte, a Consciência, o caminho do Despertar...

Para aquele ou aquela que deixa de investigar, ou acredita poder investigar sozinho ou sozinha, a partir do seu mundo particular (mundo que é uma ilusão, uma projeção  da mente, o sonho), e ignora a presença do Guru, para este o sonho se torna muito real, mesmo que ele diga estar vivendo em um sonho, ele irá reagir como qualquer um diante dos acontecimentos do sonho, dando uma dimensão de realidade para aquilo que tem, sim, um lugar na realidade, nas que não é o lugar da realidade.

Aí o Guru não te diz nada, porque você não pode ouvir, ele deixa você livre e solto, sabendo quem de fato você é, logo, sem nenhuma preocupação com você, porque simplesmente não há você, só há ele que é esta única Presença, esta Consciência única.

O Guru ama você Nele, ele ama você porque ele é você, ele é o seu amor esquecido, que você está tentando encontrar no sonho de coisas, realizações, tesouros, riquezas e pessoas no mundo, mas você não pode encontrar algo onde  este algo não está. É por isso que o amor do Guru é a tua salvação, porque ele está além do mundo, do corpo e da mente, ele é o único barqueiro que lhe pode conduzir para a outra margem, e ao chegar a outra margem você abandona o barco, mas não o barqueiro, porque na outra margem fica muito claro, o fato, de que o barqueiro que te conduziu para o outro lado era você mesmo.


Ao chegar na outra margem você descobre que aquele que começou a viagem de volta, a travessia, nunca existiu, que não há o lado de cá e o lado de lá, que a vida não tem lados, nem em cima ou em baixo, que na verdade, não havia nada acontecendo, e que, de fato, nada aconteceu, e que não há nada para acontecer, e mesmo assim, o sonho continua, mas agora o sonho é uma grande festa, tudo é festa, até o caixão e o velório é festa, nada além...

Jaya Jaya GuruDeva_/\_

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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Sem a associação com um Satguru é praticamente impossível



O Estado Natural é, por assim dizer, um estado livre de opressão interna, livre de resistências à pressões externas, livre de fixações em imagens, e, por ser livre de imagens: não carrega ambições, medos, desejos, presente, passado ou futuro, não sustenta uma autoimagem importante, especial ou o cultivo de uma personalidade para lidar com outros, pelo simples fato de que, no Estado Natural, não se revela e não aparecem "outros" que sejam reais na vivência direta deste estado.

O Estado Natural revela a solitude, o estar só, como uma realidade intrínseca à natureza deste estado, isto quer dizer que àquele ou àquela que se estabeleceu em seu Estado Natural de Ser, encontra-se completamente desacompanhado, sem nenhum vínculo, sem nenhuma dívida, sem nenhuma obrigação para com nada e para com ninguém, suas ações não nascem oriundas do medo e nem do desejo, ela é natural, uma ação natural não  nasce da busca por resultados, porque, não nasce de um anseio pessoal, apenas flui suavemente ou vigorosamente como a passagem da água pelas margens de um rio.

O Estado Natural é fruto de um trabalho, que tem como base a purificação, que é a liberação de toda e qualquer tensão e opressão que possa ser carregada pela estrutura corpo-mente. Por se tratar de um trabalho, existe por de trás dele um processo, gradativo, contínuo, que requer tempo para que este estado possa se assentar, se estabelecer, nessa estrutura. Assim como o estado psicológico de ansiedade, de medo, desejo, de anseio ou de qualquer outro estado precisa de tempo para se instalar, se estabelecer e se firmar, com uma energia manifesta de forma específica, da mesma maneira, é necessário um trabalho e tempo para que essa energia possa se dissipar e dar lugar ao Estado Natural. O "eu" é uma opressão, quando o "eu" se dissipa completamente o Estado Natural se estabelece.

Como o Estado Natural requer um trabalho, este trabalho não pode ser realizado por um "eu", por "alguém", porque onde há  um "eu"; há uma personalidade, onde há uma personalidade; há alguém, e onde há alguém; há  opressão, e a opressão não pode dissipar a opressão, mas pode fortalecê-la, alimentá-la, e assim, dar continuidade para a aparente vida desta entidade que chamamos de "eu". Sendo assim, como pode, um trabalho autêntico, ser conduzido sem a interferência de um eu?

É aí, neste instante, que por uma ação da Graça, da vida, surge a última relação, a relação Mestre-discípulo, que marca o início de um trabalho que conduzirá o discípulo ao Estado Natural, obviamente, somente aquele que se encontra, completamente estabelecido, em seu Estado Natural, livre de toda e qualquer opressão, de todo e qualquer medo, anseio, e vínculos, livre de toda qualquer dívida ou obrigação, livre das tendências latente da mente, ou seja, livre dos vasanas que formam a base para a contração de um indivíduo como uma entidade separada da vida, livre da ilusão da ignorância, somente este; O SatGuru (que é aquele que se encontra estabelecido no Estado Natural e assim pode desempenhar de forma pura, espontânea e simples o papel de Guru), pode conduzir o discípulo (que é àquele que de maneira singela, pura e voluntariamente se rende, se entrega a guiança de seu Mestre), ao estabelecimento do Estado Natural.

Por essa razão, a relação Guru-discípulo é a última relação para o discípulo (para o SatGuru já  não há mais nehuma relação, porque não há mais separação, não há mais um "eu" para se relacionar).

E para finalizar, aqui, faço um convite, venham ao Satsang com o Mestre Gualberto, pois através deste encontro é possível o início de um trabalho autêntico, uma vivência direta e real deste Estado Natural. Neste espaço, neste Satsang não é compartilhado ideias, crenças, doutrinas, conhecimento advaita ou espiritualista, não é dado suporte para a continuidade dessa opressão chamada "eu", ao contrário, é aqui que o "eu" e seus condicionamentos, seus padrões egoicos e repetitivos, que são suas bases, seus vasanas, desmontam. É o início de uma vida real, livre da opressão e do medo.

Acesse a nossa agenda e participe:

Encontros Presenciais:

http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang

Encontros online:

http://mestregualberto.com/agenda/encontros-online

quinta-feira, 8 de junho de 2017

A metáfora do aparecimento e do desaparecimento daquilo que nunca existiu


Vamos dizer que você é espaço vazio e pleno, e sobre ele, de repente, surgiu a água, que em grande volume é chamado de oceano, e agora você se vê como este oceano, se torna como o oceano. E como oceano você é a mesma água presente em todos os rios, presente em todos os lagos, fontes, riachos e mananciais, por de trás de todos os reservatórios, de baixo de todo solo freático, você é a água, a água presente nas nuvens do céu, na umidade do ar, nas geleiras dos pólos, você é a mesma água vinda do espaço, presente no corpo de cada organismo na terra ou em qualquer outra parte... 

Porém, seus olhos se fixaram na superfície do oceano, seus olhos são agora o mar, que é a mesma água em todo e qualquer lugar e sua atenção, de uma maneira desavisada, se fixou em seus olhos, na superfície do mar, a partir deste instante, tudo que parece acontecer sob a superfície começa a se tornar muito relevante, parece que está acontecendo a você espaço, que agora parece não ser mais o espaço, aparece e parece como água, que se parece oceano que agora se vê como o mar... 

A agitação do mar só pode ter uma explicação para você, sua inquietude, seus medos, você sente que pode ser atingido por algo vindo de fora, algo como o vento, como a gravidade, como o lixo vindo da superfície da terra... É como se algo pudesse alterar sua natureza. 

Você, tão fixado sob a superfície, esquece de que você não é o mar, de que antes de ser mar você é o oceano, de que antes de ser oceano você é água, a mesma água presente em muitas partes do mesmo espaço imutável, e como água, viajando em esferas, porém única, ordinária aparição aquática, como qualquer outra aparição surgida no espaço.

Mas, agora, você só tem olhos para esses olhos ordinários da superfície, localizada num determinado espaço e tempo, você se particularizou, consequentemente, sua imensidão desapareceu, aquela paz e tranquilidade de sua profundidade oceânica parecem que desapareceram.

Algo de muito errado parece ter lhe acontecido para você espaço-água, agora oceano, perdido no mar superficial de preocupações, e além de suas preocupações começa a lhe chegar, em ondas, o rumor de que outros mares, de outras praias, que também confiam em suas impressões superficiais, impressões que não são mais irrelevantes para ti, ao contrário, são o alimento necessário para todas as suas preocupações, e você acredita que já não é mais a água, você agora é alguém, você não é mais a vida se expressando em sua fluidez, você agora carrega uma imagem de si mesmo, você é o mar, se esqueceu da água, se esqueceu do oceano, e acredita qye há muitos mares como você, se esqueceu do espaço que é na verdade a sua realidade, se fixou em pobres olhos, se fixou em impressões, em sensações, em ideias sobre essas impressões, você agora vive em um mundo particular de uma ego-identidade.

Uma grande inquietude parece surgir com essa ego-identidade. Você começa a sonhar que em algum lugar, deva existir um Deus mais imenso que o oceano, e que ele seja a fonte e a origem de toda as águas. E na sua angústia, ao meio de seus muitos medos e desejos, você começa a orar, a pedir por uma intervenção divina das águas sagradas... e um movimento vindo das profundezas do mar, lhe traz a sensação de que uma resposta de Deus está chegando para ti, você se emociona, chora, e banha de sal a água, e salga a água do mar... 

Qual é a realidade de tuas angústias? Qual é a realidade de você como alguém? Como é que você, que é na realidade este espaço infinito onde todas as águas aparecem, pode ter se reduzido ao mar da praia de Bertioga, de Ubatuba, e agora pertence a algum lugar no espaço, a um pais, a uma cultura? A uma multidão? Como?

E como pode o espaço se esquecer de si, se ele não necessita de nenhuma lembrança ou imagem para se recordar daquilo que é. E como pode a água se particularizar e se transformar em outra coisa além de água?Este é o sonho, a ilusão do sonho, a ilusão do sonhador.

Mas tudo isso são águas passadas, e águas passadas não movem moinhos, não altera o espaço, é irrelevante, mesmo que ainda apareça estar lá... Não move mais uma ego identidade.

Desapareceu aquilo que nunca apareceu, desapareceu aquilo que nunca existiu.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Você está em paz? Está em amor?


- Então estou certo? 

- Por que está preocupado com isto, em estar certo ou estar errado? que importância isso tem? 

-Nenhuma. Para mim não faz diferença. 

- Então, solte isto, jogue fora isso, isso não vale de nada, estar certo ou errado não vale nada. Você está em paz? Está em amor? É isso que importa! E quando não está em paz, quando não está em amor, é necessário olhar, ouvir ao Mestre novamente, e outra vez, e de novo, permitir-se ver, descobrir qual equívoco está presente aí, descobrir ao que você se encontra agarrado, em qual crença você se aprisionou, o que esta lhe dando a falsa impressão de ter se distanciado do seu natural estado que é paz, que é amor... 

E para estar em paz e em amor, precisamos apenas de abandonar todas as ilusões a respeito de nós mesmos, a respeito do mundo e a respeito daqueles que parecem estar a nossa volta... Precisamos relaxar, descansar na sombra da Graça, se permitir desaparecer na simplicidade de apenas Ser... É isto! Aí você fica assim, como um sábio, um acordado ou uma criança, com olhos como dois faróis brilhando Paz e Amor, com uma presença de Pura Presença, de Puro Ser, de Puro Espaço Sagrado, de Pura Consciência, aí mesmo, de onde você nunca saiu, você é Deus... 

Foi isso que o meu Mestre me deu, e é isso que eu te dou... Eu te dou aquilo que você É, e reconheço nisso que você É, aquilo que Eu Sou! Tudo isso é apenas a vida, se desdobrando diante da vida e se reconhecendo como vida, como Presença e Consciência sem limites, em Ilimitada Paz e Ilimitado amor. Somente a partir daí, não há mais você e não há mais o outro, não há mais Mestre e não há mais discípulo, só fica AQUILO.


Marcos Gualberto

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O Florescer da Sabedoria




Quando falamos da Verdade, estamos tratando de algo muito simples, não estamos falando de algo estranho. É que a mente, por muito tempo, esteve envolvida apenas com seus próprios interesses, com aquilo que mais tem lhe interessado. Todos os seus interesses giram em torno da autoimportância, da arrogante vaidade da autoimportância, e então, fica muito complicado para todos nós. Nosso auto interesse nos afasta da simplicidade da Verdade - dessa Verdade que somos, dessa Verdade que é pura Sabedoria. 

Nesses encontros, não temos qualquer instrução sobre isso, simplesmente, porque não é possível sermos ensinados sobre isso. Essa é a singular beleza de Satsang. Não é um encontro de estudos, não é um encontro onde temos uma palestra tratando de um tema que, depois de ouvirmos, aprendemos e guardamos alguma coisa sobre aquilo. A Verdade não é assim, a Sabedoria não é assim, essa simplicidade de Ser não é assim. E aqui, nós estamos interessados nisso: todo nosso interesse está em Ser e não em aprender alguma coisa. Para aprendermos alguma coisa, precisamos de uma sala de aula, de uma escola, de um professor, alguém que domina uma matéria... E a Sabedoria não é assim! Ninguém pode dizer a você que sabe. Se alguém lhe disser que sabe, este alguém está mentindo para você. 

Isso permanecerá sempre desconhecido. Isso é algo vivo, e tudo aquilo que é vivo, é novo, tem o frescor da mobilidade, não se enquadra em estruturas fixas, não se pode enquadrá-lo. A Sabedoria é essa Verdade que se encontra nessa simplicidade de Ser, portanto não se trata de um conhecimento aprendido. Isso é como a habilidade carregada de uma grande sensibilidade em ouvir uma bela música ou apreciar um belo quadro. Isso precisa estar presente momento a momento, como uma questão de sensibilidade, acuidade, percepção. A Verdade, a Sabedoria, a Vida é algo assim. 

Aqui, estamos interessados nesse despertar da Sabedoria, e a Sabedoria desperta quando o Sábio desperta. O Sábio é essa sensibilidade a Isso que permanece sempre desconhecido, a esse misterioso movimento - o movimento da Vida. Isso, basicamente, é possível quando Deus é possível, quando a Consciência é possível, quando a Verdade é possível. 




Marcos Gualberto


Para ler a transcrição completa dessa fala clique aqui  




domingo, 23 de abril de 2017

A base da matrix: A ilusão de ser alguém



O pensamento cria a ilusão do passado, do futuro e deste presente momento, como sendo o real agora, e a vida na mente gira em torno de presente, passado e futuro. A vida na mente gira em torno do pensamento, que cria essa ilusão de uma vida, de uma existência separada. Não há nada, como o passado, o presente ou o futuro, sem o pensamento; não há nada, como uma vida separada, sem o pensamento. A beleza da Realização é a constatação disso. 

Veja que o passado e o futuro são somente pensamentos. Não experimentamos o passado ou o futuro neles mesmos, porque isso não  é uma real experiência. Experimentamos apenas o pensamento presente, pois o passado não é uma real experiência, o futuro não é uma real experiência; são, simplesmente, pensamento. Percebam como é interessante essa questão do pensamento. Em Satsang você está indo além do pensamento, além dessa ilusão. 

O passado e o futuro são uma experiência verdadeira? São uma experiência real? O que é que você tem agora, neste momento, quando fala do passado ou do futuro? Tudo o que você tem presente é, simplesmente, o pensamento. Veja como isso é interessante, como o pensamento nos tem fascinado, hipnotizado, e o quanto nos tem feito acreditar numa existência separada, na existência de "alguém"... A beleza da Realização é o fim do tempo, da ilusão do tempo! Percebem isso? Você deixa de dar importância aos pensamentos.

Então, o tempo é imaginado... A vida é imaginada... A pessoa é imaginada. Este momento é essa Presença, a única Realidade, e Isso está além do pensamento. Tudo o que existe é este sempre presente agora, fora do tempo. A eternidade é fora do tempo. O tempo é só um pensamento, como um véu tentando cobrir a Realidade. Essa eternidade é apenas outro nome para Consciência, Presença, Ser, nossa Real Natureza Divina.



Marcos Gualberto

Para ler a transcrição completa dessa fala click aqui

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Só há o experimentar, não há o experimentador...


Nossa ênfase, nesses encontros, nessas falas, é lhe apontar a ausência dessa entidade presente. A ilusão é acreditar numa entidade presente nessa experiência. Estamos apontando para a ausência dessa entidade, dessa pessoa que você acredita ser, que parece estar ouvindo, ou olhando para a tela, ou escrevendo alguma coisa agora, ou tendo que aprender alguma coisa... Isso não é verdade, e é aí que está a ilusão. Há somente a experiência acontecendo nesse instante, sempre nesse instante, uma experiência sem autor, sem agente. Não há transmissor ou receptor, não há sujeito ou objeto, não há ouvintes e palestrante, não há discípulos e mestre.

Nós nunca experimentamos, diretamente, qualquer coisa. Tudo o que experimentamos são aparições e desaparições. Experimentamos sensações, pensamentos, sentimentos, os sons que ouvimos, e isso aparece e desaparece. Quando eu digo “ouvimos”, quero dizer que há só o ouvir, e não alguém ouvindo. Então, tudo o que experimentamos, na verdade, nós não experimentamos, pois há somente o experimentar, a pura e direta “experiência do experimentar”.
 Marcos Gualberto



*Transcrição completa dessa fala no blog do Mestre Marcos Gualberto no link:

quarta-feira, 22 de março de 2017

A Arte da Meditação



Meditação é a arte da atenção, a arte da consciência atenta a todo movimento do pensamento, uma atenção sem escolhas diante de tudo aquilo que se passa externamente e internamente, sem escolhas ou tentativas de mudar ou alterar aquilo. Tentativa, essa, que cria a separação entre o observador e a coisa observada. Quando não há separação Deus se apresenta e tudo acontece sem nenhum esforço. 



Escrito por Mestre Gualberto em 16 de Novembro de 2011

 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

O que é realmente uma viagem astral?



O sonho lúcido, a projeção astral ou o estado de vigília, todos eles tem algo em comum, algo que não está presente no sono profundo, em todos esses estados, está sempre presente a ideia de que há alguém na experiência, experimentando, avaliando, escolhendo, decidindo e agindo de acordo com uma vontade autônoma e própria, esta impressão cria a projeção de uma autoimagem, ou seja, de um eu, de alguém presente na experiência.

Mas vejamos, ao ler essas palavras, as mesmas já estão presentes em ti mesmo, elas parecem surgir para você, mas na realidade elas já estavam aqui, antes que você tomasse ciência, mas aqui aonde? Aqui na mente, onde as palavras ganham significado. Tal como em um sonho ou em uma viagem astral, você sempre se depara com objetos, que surgem como imagens, que já existiam, na mente, mas como não se havia ciência daquela imagem, acredita-se que ela surgiu agora e para alguém, mas este alguém também é uma imagem dentro desse mesmo cenário, ou seja, o fenômeno e a experiência do fenômeno não pode existir separado da ideia de alguém presente nele, isto é assim, exatamente assim, tanto no sonho, no sonho lúcido, na projeção astral e no estado de vigília, na verdade, todas essas experiências são uma só e única experiência, apenas recebem nomes diferentes para o experimentador que se separa da experiência para explicá-la, e esta separação acontece em qualquer um desses estados.

Sendo assim que diferença há entre o estado de vigília ou o estado onírico se ambos tem a mesma base que é a ideia, a sensação, a crença e a projeção de alguém dentro de um mundo de imagens proporcionando um conjunto de sensações que geram interpretações e que nos dá a falsa ilusão de escolha entre o experimento de um objeto ou outro, quando, na verdade, estamos limitados a uma única experiência onde todos os objetos já estão presentes, queira estejam aparecendo ou não?

O que há de especial, portanto, na projeção astral a não ser a sobreposição ilusória de alguém que acredita poder escolher seus movimentos dentro de um espaço mental?

A projeção astral ou o sonho lúcido torna essa única experiência da aparição de imagens para um observador, em uma experiência aparentemente controlada por alguém, o que acontece nesses estados, como no estado de vigília, é justamente a sobreposição de uma projeção que cria a ilusão de um indivíduo dentro da experiência e separado da experiência, quando na verdade o indivíduo e a experiência é um único fenômeno mental aparecendo na consciência.

No sono profundo, sim, nos deparamos com algo singular, que é a pura consciência sem objetos, sem formas, sem imagens, é a não experiência, portanto no sono profundo não surge a ilusão da ideia de um experimentador, e no entanto, a consciência não deixa de estar presente, mas esta consciência no sono profundo não é alguém, pelo fato de que não há alguém presente nesta pura consciência, só há presença. 

Alguns falam sobre a existência de um quarto estado, um estado que não é de vigília, nem onírico e nem de sono profundo, mas se trata de um estado fora de todos os estados, é que, portanto, não é um estado. Diferente do sono profundo, que parece aparecer e desaparecer para alguém, alguém que diz: "dormi muito bem esta noite", "acordei no meio dessa noite e não consegui voltar logo a dormir", "tive uma noite sem sonhos ou com muitos sonhos", no quarto estado não existe este entrar e sair de estados, não existe este alguém presente na experiência relatando a projeção mental da ideia de alguém presente experimentando, sendo portanto o quarto estado, um estado de pura experiência sem o experimentador, e esta pura experiência é uma única experiência, imutável, e que portanto, está além de toda experiência, sendo assim, ela pode receber qualquer nome, como vazio, não-experiência, não-mente, consciência, presença, plenitude, base, matriz, não-movimento, não espaço, e ainda assim, nenhum nome a descreve, nem um nome a traduz, porque a nomeação estará sempre relacionado a uma imagem, a uma experiência, a um experimentador na experiência, sendo que no quarto estado não há um experimentador, não há uma projeção mental, não há separação, não há o sentido de separatividade, sendo assim, não há conhecimento, não há o conhecer, só há aquilo, que não tem nome, nem forma, nem alguém para explicar, traduzir ou revelar qualquer coisa, simplesmente porque não há alguém, não há estados, mas a completa ausência de estados.

O sono profundo, portanto, é como um repouso temporário, para alguém, para esta projeção, para este experimentador, é como uma pequena morte, que traz a mente para a estaca zero. Já o quarto estado é a estaca zero sem interrupções, além de toda experiência e base para o surgimento de todas as experiências que é na realidade uma única experiência, pura experiência, que se torna um conjunto de experiências para um experimentador, quando surge a projeção mental, este desdobramento astral, literalmente, seja no sonho ou no estado de vigília, quando identificados com a ideia de um mim, de um eu, de uma personalidade, estamos em uma grande viagem de desdobramento mental,  em uma grande viagem astral, uma viagem astral não é nada além disso, um sonho, seja no estado de vigília, no estado onírico ou no sono profundo para alguém, alguém sempre será um sonho, sempre será uma projeção, sempre será uma imagem em ação, uma imaginação. 

terça-feira, 21 de junho de 2016

Só ao Mestre o seu coração é digno de ser entregue


Você está só... não há ninguém aqui além de você, no entanto, isto não te coloca dentro deste sonho de ser alguém, convivendo com outros, numa situação de isolamento, entretanto, no entanto e todavia, qualquer vínculo que aí possa aparecer, será uma expressão egoica de busca por preenchimento. Preenchimento para a continuidade dessa ilusão de ser alguém no corpo, vivendo em um mundo, responsável por uma história, responsável pela vida, por escolhas e decisões. 

Qualquer decisão e escolha aí, é, e sempre será, egoica. Só quem está perdido, confuso, "possui" e "enxerga" alternativas de caminhos e escolhas... O rio não tem escolhas, ele flui em sua determinada direção porque essa é a sua natureza, o pé de maçãs não pode escolher dar limões, não há sentido nisso, o pássaro não necessita de um instrumento para tocar, ele já é ritmo, melodia e harmonia, e nisso não há escolha ou decisão. Mas e você? Você não é aquele que escolhe, não é aquele que se traduz, que se expressa mediante uma autoimagem, que se vincula a "outros" para sustentar esta imagem,  reconhecendo e sendo reconhecido  nesta individualidade, pessoalidade e separação, isto é um sonho acontecendo em você.

Você, na mente, é como um pássaro tentando aprender a tocar piano. É como a macieira se esforçando para dar limões. É como um rio, querendo acompanhar a piracema, invertendo a direção do seu fluir... Tudo isso é ser artificial. É inconsciência. É sono. É sonho. É uma esquizofrenia divina. Não se ocupe e nem se preocupe com o fluir do corpo, no mundo, nas margens desta história, neste encontro com outros rios, com peixes, com poluentes, com nadadores, com salteadores. Nada e ninguém pode mudar, alterar, um milímetro da ausência de medida que é você. 

Seu coração deve se voltar inteiramente para o silêncio, que é fonte da graça e da presença que ele próprio carrega, porque, esses são seus frutos, esta é a real direção do seu fluir e é a sua única canção real.  Se você não cantar sua canção, não fluir em sua naturalidade e não der o seu fruto, você não conhecerá a real felicidade, liberdade e bem-aventurança de ser quem és, de ser o que és.

Só ao Mestre o seu coração é digno de ser entregue, porque Ele é a sua canção, é a única vida em ti, Ele é você mesmo, em sua Graça, em seu rio, em seu fruto, em sua canção. Não há mais nada e nem ninguém além Dele, além da Consciência, além dessa Única Presença. Meu Mestre me revelou isso, na medida em que meu coração se voltava unicamente a Ele.

Tudo o mais, relacionamentos, trabalho, preocupações com o corpo, com casa, com filhos, com família, etc..., é apenas um resto, um esterco. O esterco tem o seu lugar, seu nutriente, seu espaço, porque a vida assim permite,  mas não coloque o seu coração sob o esterco.

O dia em que a Consciência florescer neste corpo e se abrir como uma "flor de mil pétalas" e voar como o "primeiro voo de um pássaro" ao ser lançado no abismo por seu tutor, esta Presença que abrange tudo, de forma muito real poderá amar, porque, a partir daí, você é real, a partir deste instante seu fluir e seu canto carregará o seu próprio aroma, o seu próprio ritmo, sua própria melodia, seu próprio sabor e poderá compartilhar do seu próprio fruto, neste instante você é, e não há mais nada do lado de fora, nada do lado de dentro, somente aquilo, sem nome, sem forma, sem razão ou explicação..., aquilo que está só e que testemunha o universo inteiro aparecer e desaparecer nele mesmo.

Jaya Jaya Gurudeva Mestre Gualberto _/\_

segunda-feira, 25 de abril de 2016

O Perfume da Presença da Graça do Guru



Aqueles que desde muito, muito tempo, suspeitaram ou até mesmo perceberam, notaram, de maneira real, direta, o fato de que todo o universo das relações humanas está baseado no autocentramento da personalidade egoica, que é a teia que trama todo o complexo emaranhado de vínculos entre pessoas, com suas histórias, suas memórias, seus personagens, seus aliados, seu não aliados, seus conflitos, seus parentescos, seu passado, seu nome, seu corpo, mente e o mundo, esses tem a chance de se abrirem para a verdade e de irem além deste mundo concebido pela mente.

Sobre essa ideia que carregamos de nós mesmos se edifica toda a história da humanidade, a história de todos os indivíduos, que é na realidade, este mesmo centramento que está aí, que está aqui, e que não está mais presente naquele que misteriosamente se encontra além da mente, não mais identificado com o corpo, com um nome, com uma história, mas plenamente ciente da realidade, além, daquela concebida pela imaginação pessoal. 

Todas as relações humanas baseadas no próprio interesse, na posse, no desejo de busca por prazer, na inveja, no ciúme, toda relação humana conflitante, marcada por competições, resistências e traumas, coloridas pelo medo ou pela raiva, com o ritmo da inquietude, por de trás de todas as imagens que formam na mente, fotografias dessas relações  mostra muito claramente que por de trás de todas essas relações está a mentira, o engano, o equívoco, o mal entendido, o medo, o desejo de posse, de controle, de resultados e toda forma de estresse que causa impacto sobre o corpo e a mente, criando este peso que chamamos de uma personalidade presente no corpo. 

Tendo percebido esta mentira, percebemos que suas raízes se encontram arraigadas sobre todas as nossas memórias, sendo a base, de todo o sentido, de toda crença, de todas convicção que temos, a respeito daquilo que acreditamos ser. E neste sentido, deixamos de ser confiáveis, nessa busca pela verdade. Mas quando está busca pela verdade é sincera, de coração, no momento em que essa honestidade, essa verdade, atinge seu ápice, nos abrimos para uma real possibilidade, que é encontrarmos com aquele, que de alguma maneira que desconhecemos, se encontra fora desta mentira, fora dessas relações de imagens, baseadas neste centramento egoico, nessas relações de vínculos aprendidas de forma coercitiva, imposta e violenta.

E quando esta abertura ocorre em nós, é como se um portal se abrisse, e nele aparecesse o Bem-aventurado, aquele que é a própria essência da verdade, da felicidade e da liberdade de Ser.  E através deste encontro, desta associação com o Sábio, com a Graça do Guru, que é a Consciência, que é própria Presença que somos em nós mesmos, aparece ali, diante de nós, livre de todo emaranhado, e pronto para puxar o fio do novelo de todas as nossas confusões, de todos nossos medos, de nossos receios, de toda nossa história, de todas as nossas crenças, de todas as nossas mentiras, desfazendo a ilusão da ignorância que com seus fios coloridos e aromáticos, tecem uma imensa aparição em retalhos chamada de mente, de corpo e de mundo.

A verdade compreendida por meio de pensamentos, palavras, explicações é muito superficial, tem a realidade da foto de uma rosa, não é como a rosa que exala seu perfume, que exibe sua beleza, sua força, sua fragilidade, sua cor, seus espinhos, sua completude, e que através do seu silêncio, do seu perfume, transmite o seu ser, sua verdade, sua realidade que revela a suprema realidade.

O encontro com o Guru é uma promessa para o discípulo, uma promessa para a vida, para o florescimento naquele corpo, onde a Consciência se experimenta diretamente no perfume dessa rosa de presença, de consciência, de divindade, de não-separatividade. 

Um Guru é uma verdadeira bênção para aquele que de coração busca a verdade e está disposto a se render, a deixar para trás toda ilusão, todo investimento na loucura, todo autoengano,  toda imagem que carregue de si mesmo, do mundo ou dos outros, toda imagem que carrega da realidade e, que desta forma, faz conceber a existência de uma realidade particular, realidade particular que é um sonho, o sonho de ser alguém.

Jaya GuruDeva Mestre Gualberto!

segunda-feira, 21 de março de 2016

A Terra é Azul?



A terra é azul. Disse Yuri Gagarin, primeiro homem que acreditou sair da terra, fotografá-la e observá-la do lado de fora. (lado de fora para quem? Para quem acreditava estar do lado de dentro? O que é fora e o que é dentro? Quem demarca os limites? O olhar? A sensação tátil? A sensação de centro, distância e profundidade? A interpretação da situação que parece se apresentar de fora ou de dentro?)

Será que Yuri, esta criança brincando de explorar o mundo com suas percepções, desejos e medos, sabia que o azul é um fenômeno peculiar a retina e ao cérebro? Ou seja, o azul não está no objeto visto, mas no tamanho do comprimento da onda de luz que está provocando o contraste sobre a sombra. 

Talvez Yuri a terra seja 30% pertencente a escala de cinza. Talvez Yuri, a terra, assim como o azul, seja também apenas uma impressão sobre a retina que se confirma no tato, na audição, no paladar, no cheiro, mas... todos os sentidos captam a mesma e única realidade, captando como impulsos elétricos para o cérebro, distinguindo amperagens, voltagem, watts, utilizando-se de alternadores, de  multiplicadores, motores, e realizando a leitura de imagens em luzes e sombras, que também é calor e frio, para receptores fotossensíveis.

É, talvez Yuri Gagarin, seja somente uma lembrança, de uma sensação sobre o corpo de muitos desejos, que hoje conta uma história, que só é memória, que só é um registro de uma imagem em ação (imaginação) de um cérebro, de uma percepção, na superfície da Consciência, que interpretou todos os sinais e formou uma imagem na mente.

Quem é mesmo Yuri Gagarin? De que terra dizem que ele falou? O que é mesmo azul? Quem agora lê todas essas abobrinhas? O quê?


domingo, 20 de dezembro de 2015

Em você que é um espelho, o Universo aparece!




Você é um espelho, um espelho louco, porque acredita existir como alguém, e por isso sofre, a vida limitada, individualizada, ser mais que um espelho vazio é sofrimento.

Como um espelho você reflete todos os sons que surgem a sua volta, todas as imagens, todas as sensações, todas as impressões, todos os pensamentos que são imagens gravadas sobre o espelho embaçado...

Você não está separado do som quando ele surge, nem daquilo que se apresenta diante deste espelho que é você, momento a momento, tudo está passando diante de você, e nada pode ser agarrado por ti, porque você é apenas um espelho que não pode agarrar nada, que não pode prender nada eternamente junto a ti.

Mas você é um espelho louco, um espelho quebrado, que começa a se apegar, a se apaixonar por algumas imagens que aparecem frequentemente diante de você, você considera essas imagens como entes queridos, enquanto outras imagens que passam, são totalmente desconsideradas, ou seja, você é um espelho que quer ter escolhas com relação aos seus reflexos, preferências e até desejos. Há momentos que surge em você o desejo de uma certa imagem, de uma certa emoção, assim como há momentos de resistência, onde você não quer refletir aquilo que se apresenta diante de ti, você quer expulsar aquela imagem, aquela sensação, porque você é um espelho que acredita possuir a liberdade de escolhas...

Todo o seu sofrimento, toda a sua confusão, todo o seu desespero, todo o seu medo, sua angustia, sua insatisfação e incompletude acontecem porque você é um espelho maluco, que acredita ser algo além de um espelho, e por isso, você se separa da vida, e quer fazer parte da vida como alguém separado do todo e que pode decidir e determinar os caminhos do todo, que loucura...

Você precisa estar diante de um espelho completamente vazio, de um espelho que não carrega nenhum conteúdo, que é um com a vida, e que conhece a plena liberdade da não-escolha, do não-desejo, da não-resistência, este espelho plenamente vazio que apenas reflete o universo inteiro em si mesmo, é o Guru. Ele pode te libertar desta loucura que você se encontra acometido, esta loucura que faz você acreditar ser alguém, ser uma pessoa, ser um ser humano.

O Guru o tempo todo lhe aponta para este vazio essencial em você, para este espaço que é você, dentro deste espaço tudo tem o direito de surgir, de se manifestar, mas nada daquilo que se manifesta no espaço tem a condição de ameaçar o espaço, de agitar ou danificar o espaço, todas as aparições são como brincadeiras para o espaço imutável e vazio, e quando você, assume este espelho, este simples e ordinário espelho que é você, toda a vida, com todos os seus eventos aparecem diante de você, sem mais poder lhe tocar, lhe atingir, você como um espelho, como uma testemunha silenciosa, apenas reflete tudo aquilo que se apresenta, sem interpretar, desejar, repudiar, sem escolher, sem se envolver, afinal, você é apenas um ordinário espelho, que não tem nenhuma necessidade de agarrar qualquer coisa que surja diante de ti, não há nenhuma necessidade de entender ou explicar a natureza de nenhum fenômeno que apenas surge misteriosamente como um reflexo neste espelho. Você é sempre pleno em seu vazio, portanto, nada deseja agarrar, não está nem aí para explicações, permanece tranquilo neste não-saber e, não mais se confunde com vontades e escolhas, porque vontades e escolhas são apenas reflexos do pensamento, passando como qualquer outra imagem diante do espelho.

O Guru lhe faz descobrir o seu lugar, e ao descobrir o seu lugar você descobre que não há outro lugar além deste, assim, o desejo de chegar a qualquer outro lugar cessa, o desejo de ser importante e de obter reconhecimento cessa, o desejo de continuar vivendo como alguém cessa, tudo cessa, e fica somente a vida, em ti, como um espelho, refletindo o mistério da existência, o milagre da vida, o bailar das aparições neste espaço imutável, onde aparições mutáveis bailam...

Sem um Guru você permanecerá como um espelho quebrado, refletindo o passado, projetando o futuro, sonhando com imagens, tentando controlar os reflexos da vida, vivendo um grande combate, uma grande luta, sem poder ser o palco deste grande baile, desta grande brincadeira inexplicável, vasta e divina que é a existência... Separado da vida você é alguém condenado a morrer, a desaparecer, condenado ao sofrimento, desista disso.

Entregue sua vida a este espelho vazio e pleno que é o Guru, e então você descobrirá, diante deste espelho, quem é você...

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