quinta-feira, 28 de abril de 2011

O Livro da Vida





Não há livro mais importante ou mais sagrado do que o Livro da Vida.

Neste livro está escrita as linhas gerais da natureza, a chave de todos os mistérios, a resposta para todas as perguntas, os portais para todas as dimensões, o mapa que conduz pelo caminho da alegria plena e da completa bem-aventurança.

Todos os livros declarado sagrados pela humanidade não são senão sombras do Livro da Vida, algumas mais obscuras e outras mais cristalinas, no entanto, não passam de sombras, e por assim serem, foram muitos os homens que elouqueceram diante de tais obscuridades luminosas a ponto de matarem, se matarem para matar, guerrearem e cometerem genocídios em nome de tais livros, levando ao fanatismo e a separação entre iguais.

O Livro da Vida pertence a todos aqueles que tem vida, não é monopólio de nenhuma religião, grupo, seita ou sociedade secreta, está escrito no interior de cada ser e se revelará a todos aqueles que estiverem em profunda harmonia consigo, com todos e com o todo.

Quando começarmos a ler as suas primeiras linhas eis que uma grande transformação se iniciará, acompanhada de uma sinfonia harmoniosa, a mente se abrirá e se expandirá numa dança sem igual, e o ser começará a fluir na direção do todo e o todo a fluir na direção do ser, pois cada palavra que é escutada no silêncio transformar-se-à numa experiência transcendente e fenomenal.

Não, nenhum livro impresso se assemelha ao Livro da Vida, nenhum.

Olhos ainda mundanos não são capazes de enxergá-lo, corações carregados de ambição são incapazes de sentí-lo, o medo o afasta, a cobiça o torna invisível, a mentira, a corrupção, a mentira e a deslealdade são foices da morte e aqueles que estão envoltos  de tais mortalhas desconhecem e não podem ler o Livro da Vida.

É por esta razão que nenhum livro pode estar acima de nenhum ser humano, pois enquanto livros e livros são impressos em todo o mundo, enquanto livros e livros são púlpitos para pregações e doutrinas, enquanto a indústria promove lançamentos diários, o Livro da Vida permanece oculto no coração de todos os homens, portanto, salvemos o homem que é portador do Livro da Vida.

Este livro está disponível para ti, deseja lê-lo?

Se desejas lê-lo se entregue a Grande Vida, seja a Grande Vida, vivencie os pensamentos e as ações da Grande Vida, abondene a pequena vida, morra para o ego e renasça para o todo, confie na Grande Vida, se alinhe ao sagrado, cresça amorosamente diante de todos os seus, leve compreensão, tolerância  e paz aos seus semelhantes, abandone todo e quaquer julgamento, se desvencilhe de todas as lições obscuras do medo e da escassez, abra mão da falsa ilusão do eu separado, caminhe em direção a sabedoria da essência verdejante, volte-se para dentro de ti mesmo e lá encontrará o Livro da Vida.

Assim seja!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A Sabedoria e a Simplicidade


A sabedoria e a simplicidade são amigas inseparáveis.

Onde uma está a outra sempre está acompanhada, aonde uma vai a outra sempre vai unida.
.
A simplicidade é uma das qualidades mais 'distantes' da humanidade atual, para uma mente complicada a simplicidade é incompreensível, tal mente tudo vê através de lentes embaçadas, cujas manchas formam imagens complexas como um conjunto de arte moderna neoplasticista, cubista ou surrealista ou fórmulas matemáticas inacessíveis para quase toda a humanidade e, por de trás desta teia que forma o véu de Maia, tudo é visto de maneira altamente confusa e difícil de se compreender.

A simplicidade é desconcertante para o ego, porque o eu autocentrado busca uma verdade que lhe seja árdua de ser encontrada, para que este encontro seja uma conquista sofrida, que lhe traga méritos e,  que portanto o diferencie dos "egos derrotados e fracassados", tornado-o assim especial.

Por esta razão os títulos acadêmicos são tão valorizados, os mestrados, os doutoradas, as graduações, os títulos como o de Ph.d ou de Dr. Honoris Causa. Por de trás destes títulos há sempre uma extensa biografia que ressalta as qualidades, competências e destaques deste eu autocentrado, detentor de verdades arduamente conquistadas!

E o fato mais paradoxal da sociedade moderna é que todo este saber acumulado, toda esta pseudo-sabedoria está conduzindo a humanidade ao colapso, ou seja, além da sociedade ser primitiva ainda é letal, como por exemplo, a tecnologia atual permite que os combustíveis poluentes sejam totalmente substituídos e, no entanto, interesses econômicos internacionais ainda obrigam indivíduos a usarem combustíveis sujos que trazem desequilíbrio ao planeta.

Sem simplicidade não há sabedoria.

A sabedoria constrói e mantém aquilo que a natureza demorou milhares de anos para erguer e edificar e enaltece os valores que verdadeiramente brotaram através da experiência e do insight da consciência humana.

A sabedoria humaniza e pacifica a inteligência no sentido de torná-la consciente das reações de causa e efeito que cada ação proporciona, desta forma, uma atitude construtiva e constantemente benéfica é colocada em atividade conduzindo a benefícios individuais e coletivos.

A sabedoria é como um manancial de águas cristalinas que se encontra disponível para todos nós, o único quesito necessário para usufruir desta graça é a boa vontade e a disposição de compartilhar desta fonte com tudo e com todos a nossa volta.

A sabedoria não pede nenhuma formação anterior e nem se quer a leitura de livros, pois se encontra disponível no cerne da Grande Vida que a tudo permeia e vivifica.

Quanto mais simples nos tornamos mais próximo estamos do manancial da sabedoria, crescemos de acordo com a nossa própria natureza e este crescimento não proporcionará somente benefícios próprios, mas todos a nossa volta se beneficiarão.

Quando um ser humano através da simplicidade e da sabedoria encontra a paz genuína que é fonte da verdadeira alegria, a consciência humana de todo o planeta torna-se mais alegre e pacífica.

Faço votos de que a sabedoria e a simplicidade também lhe sejam amigas inseparáveis, hoje e sempre!

domingo, 24 de abril de 2011

Crescendo Interiormente


Um dos fatos que demonstram e comprovam ao meu ver de que vivemos numa sociedade primitiva, é a forma com que nossa cultura ensina-nos a lidar com nossas emoções.

Crescemos e somos educados não como indivíduos dotados de um corpo emocional, não crescemos ouvindo falar a respeito de um universo interior, de uma vida interior, de paz interior, muito pelo contrário, todas as nossas emoções e alegrias são adestradas para voltarem-se sempre para o exterior.

Os adultos (onde lê-se adultos nesta postagem deve-se ler "crianças crescidas e imaturas"), ensinam as crianças desde pequenas a se alegrarem através de brinquedos, jogos, cores, texturas, doces, comidas, ou seja, sempre projetadas para o exterior.

Entretanto, na adolescência e vida adulta começamos a notar a existência de diversos fenômenos que ocorrem dentro de nós, em nossa psique, e na maioria das vezes o interior se faz presente nos momentos de sufoco em que ele grita e prova a sua existência, exigindo a nossa atenção, implorando que nos voltemos para dentro de nós mesmos.

E são justamente as pessoas mais sensíveis que irão se deparar com a existência de um amplo universo interior, carente de desenvolvimento, atenção, maturidade, simplesmente porque esta dimensão humana é na maioria das vezes ignorada por nossa cultura, que de tão superficial que é, associa completamente o bem estar do indivíduo as suas conquistas econômicas e não a sua paz e a sua realização interior.

Desta forma, grande parte dos indivíduos só começam a dar a devida atenção e se preocuparem com o seu universo interior, composto de suas emoções, de sua espiritualidade, somente após sofrer reveses devido a transtornos, dificuldades de adaptação a sociedade, intenso sofrimento, depressão, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno bipolar, dificuldades em lidar com a sexualidade, solidão,  isolamento, neuroses, drogas, alcoolismo, etc.

A princípio, para muitas pessoas, voltar-se para dentro de si é uma necessidade urgente para alcançar a cura para os seus sofrimentos e paz para os seus conflitos, no entanto, muitas pessoas depois de darem início a jornada para dentro de si mesmo, não só são capazes de superar suas mazelas, mas também de descobrir uma fonte de alegria, leveza, desapego, paz e amor próprio e genuíno. Aquilo que a princípio era para curar a fonte do sofrimento, agora torna-se a fonte da verdadeira alegria.

O caminho da mudança, da reforma íntima, da cura dos relacionamentos, do autoconhecimento e da jornada interior é um caminho envolto de grandes desafios, de aventuras, de descobertas e de profunda alegria, há uma linha divisória na evolução e maturidade deste caminhar que separa a necessidade do sofrimento para o adquirir aprendizados, ou seja, há um instante em que aprender é por si mesmo algo tão maravilhoso, que não há mais necessidade de sofrimento e de quebrar a cabeça constantemente para se aprender com os erros, passamos a aprender com a alegria e com os acertos também!

Aprender a lidar com nossas emoções e voltar-se para dentro de si, são os princípios de uma evolução humana mais ampla, contribuindo assim para que os seres humanos saia da primitividade do desenvolvimento unilateral, primário e superficial e, contribui para a humanização da sociedade, é a partir desta evolução que nos tornaremos seres mais tolerantes, dotados de compaixão, voltados para a ajuda mútua e prontos para estender a mão para todos aqueles que necessitarem de ajuda a nossa volta.

É hora de começarmos a construir novas referência de vida adulta em nossa sociedade, novos referênciais que possam estabelecer uma cultura de paz e convergência, onde os seres possam aprender que cuidar um dos outros é cuidar-se de si mesmo e de todos os seus, o mundo precisa ser curado, e nós  precisamos nos curar e viver numa sociedade sadia e livre de tantos transtornos e de tanta violência.

E para isto estou aqui me dedicando a este blog, compartilhando alegrias, forças, experiências e esperanças para que possamos ajudar a curar o sofrimento coletivo, que é sentido por tudo e por todos neste planeta, curando a mim mesmo eu ajudo a curar o mundo e compartilhando com todos a minha volta, desta dádiva, juntos nos tornamos uma força capaz de transformar o mundo, para isto (como diria Gandhi), que possamos ser a mudança que desejamos para o mundo, hoje e sempre!

Venha comigo, para esta longa jornada de grandes mudanças e transformações, este é um caminho de alegria, de bem-aventurança de realização! Não sou um mestre, sou apenas seu irmão, sou aquele que começou a despertar e que está aqui para ajudar a acordar aqueles que estão em busca do grande despertar, traga seus instrumentos, traga sua dança, é hora de deixar os lamentos para trás e é hora de celebrar!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Ser e o Eu Autocentrado


Um dos dogmas humanos mais aceita por toda a humanidade é o dogma da individualidade, do ser existente separado do todo, do homem particular, da ilha distante...

Este ser autocentrado procura de todas as formas se destacar perante os demais através do contraste e, para isto, busca o reconhecimento dos seus contemporâneos, parecendo não compreender que uma conquista individual que dependa de um reconhecimento coletivo, jamais será um fenômeno individual, e sim um fenômeno de um todo.

A necessidade de ser especial é uma das características mais marcantes do eu autocentrado, ser ele mesmo e realizar o próprio ser não lhe basta, é necessário ter mais do que outro, mais prestígio ou mais poder, mais beleza ou mais inteligência, mais sexo ou mais espiritualidade, mais sofrimento ou mais prazer, mais miséria ou mais riqueza não importa, ele precisa ter mais e, assim ser especial, ele precisa se diferenciar com relação aos demais através do contraste, sem contraste ele se sente como se não existisse.

Por este motivo o hábito de julgar é profundamente arraigado e altamente necessário para eus autocentrados, pois o julgamento é a forma mais eficaz de gerar contraste e, desta forma, dizer que se é melhor do que outro, como quem diz; eu jamais faria o que fez fulano, eu não agiria como sicrano e assim, o julgamento vai desapreciando aqueles que se estão a volta, como se o eu autocentrado dissesse: 

 - Para que eu possa crescer que o outro diminua!

O eu autocentrado é chamado pelos espiritualistas hoje de ego, e o ego é uma espécie de alucinação, fruto de um condicionamento, de um padrão mental que torna o indivíduo alienado da realidade e,  por vivermos numa sociedade formada por egos, é que nos deparamos todos os dias com desastres, desigualdades, desequilíbrios, do processo autodestrutivo do comportamento humano na terra, porque o ego é capaz de criar valores que nos conduz ao colapso, todos os dias vemos este resultado de seres humanos, sociedades, economias, países, que são conduzidos a ruína.

A realização humana é a realização do ser e não do ego, o ser é uma continuidade não um princípio isolado, ele sabe que faz parte de um todo e que, portanto, o outro é uma continuidade de si mesmo e, desta forma, tudo que damos ao outro, estamos de fato, dando a nós mesmos.

O ser não sente necessidade alguma de se destacar perante os demais, se todos são unos quem existe para ganhar destaque e diante de quem?

O ser reconhece a existência de um propósito comum para toda a vida humana e trabalha no sentido de criar condições favoráveis para que esta realização floresça, aconteça e  se concretize. 

E o ser está plenamente ciente que não depende dele, do seu trabalho, do seu mérito para que tal fato venha acontecer, não interferir é o meio de se permitir este florescimento, e o agir pelo não agir (princípio tão presente na filosofia chinesa e difícil compreensão para o ocidente), e permitindo que o fluxo natural do ser, venha a abraçar e realizar o seu propósito, ajudando assim outros seres a despertar para a sua realidade intrínseca, porém oculta de si mesmo.

Conheça o teu ser e desfaça o teu ego, todo sofrimento, toda angústia, toda ansiedade, todo desequilíbrio, todo o desespero, toda a efêmera vitória e toda a derrota, toda incompletude, angústia e vazio, assim como todos os transtornos pertencem ao ego e não ao ser, o ser é a suprema liberdade!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Para Aqueles Que Decidiram Pela Mudança de Si-mesmos! 3ª Parte



Ouvimos por tantas vezes de outras pessoas ou de nós mesmos a conclusão: Como é difícil mudar!

Há muitos meios para se chegar à mudança e alguns deles são tortuosos, desconfortáveis, difíceis, penosos, angustiantes, que nos inspiram temor, desesperança, desânimo, descrença, etc.

Infelizmente a maioria das referências existentes em nossa cultura com relação a mudança, são referências negativas, assim, os meios tortuosos ganham destaque e por este motivo, mesmo sabendo que precisamos mudar sofremos com a procrastinação, adiamos o início deste processo, e só nos propomos a mudar realmente quando não há outra alternativa ou quando a vida, por meio de acidentes, fatalidades e imprevistos, nos obriga a nos adaptar a uma nova situação.

Nossos padrões e condicionamentos são uma espécie de cavalos selvagens que nos conduzem em nosso dia a dia, reagimos automaticamente a estímulos externos, sofremos por motivos que fomos condicionados a acreditar que são causas para o nosso sofrimento, nos irritamos, ficamos com raiva, nos decepcionamos, nos frustramos ou cultivamos ressentimentos não devido a ação das pessoas a nossa volta, mas devido as nossas exigências, expectativas, crenças, padrões de comportamento, ou seja, somos responsáveis por nossas emoções, o outro simplesmente age como um gatilho para disparar aquilo que já se encontrava dentro de nós mesmos.

Não mudar significa na maioria das vezes, permanecer na posição de vítima, diante dos acontecimentos do dia a dia, e como isto é deprimente, uma vítima é um escravo da fatalidade, está sujeito às intempéries e nada pode fazer para mudar a sua pobre situação. Sentir-se vítima é uma atitude de defesa e de desculpa, para que o indivíduo não precise dar inicio a um processo de mudança, se ele se crê uma vítima, logo, não pode fazer nada por si mesmo, para mudar a sua situação.

Nem todo caminho para a mudança é tortuoso.

Uma das maiores causas para o fracasso na tentativa de mudar está no fato, das pessoas observarem aquilo que consideram ser suas falhas, seus defeitos e seus vícios e, desta forma, tentar superá-los através do conflito direto e da guerra contra si mesmo, porém o resultado tende a ser o contrário do esperado, porque o conflito se fortalece ainda mais, pois aquilo cuja origem já está ligado a um processo conflitante, se fortalecerá se confrontado desta maneira, e o pior, cada tentativa fracassada irá gerar culpa e baixa alto-estima, dois sentimentos que são grandes obstáculos para que possamos realizar qualquer mudança.

O caminho para a mudança não deve ser tortuoso, ao começar precisamos observar este processo como o início de uma longa caminhada e, principalmente olhar o tempo como um grande aliado, manifestando gratidão pela oportunidade que temos de dar início a esta mudança, a vida sempre está nos dando novas oportunidades, entretanto, nós precisamos buscá-las, ir na sua direção e agarrá-las quando surgem.

Outro grande aliado no processo de mudança é nos interagirmos com pessoas que também estão em busca de mudanças semelhantes àquelas da quais pretendemos empreender (a jornada solitária tende a ser muito mais difícil e o fracasso muito mais provável), a ajuda mútua é uma força  poderosa e de grande potencial para nossa motivação, além de proporcionar a imensa alegria de nos unirmos através de relacionamentos sadios e profundos, ajuda-nos a trabalhar diversos aspectos das nossas emoções e o conjunto da nossa psique.

Trabalhar no sentido de desenvolver aquilo que temos de bom, nossas habilidades, nossas virtudes, também é um outro meio de nos fortalecer e assim tirar o foco dos "defeitos", nossas energias são direcionadas para uma outra direção, e os defeitos tendem a perder o impacto de sua influência gradativamente.

E o óbvio, se não introduzirmos o novo em nossas existências, como novos hábitos, nossos dias serão um mero reflexo de tudo que já vivemos, de tudo que já se passou, experimentaremos a mesmice, o tédio, o vazio, e fortaleceremos todos os nossos condicionamentos por meio da repetição de padrões.

Por de trás do óbvio há sempre uma grande sabedoria e por de trás da simplicidade há sempre grandes lições.

Só não muda realmente quem não decidiu-se mudar, ou quem não consegue enxergar meios mais confortáveis para a realização do processo de mudança, no entanto, ao ler esta postagem, já não terá mais esta desculpa, isto me faz lembrar o nome de uma cartilha que eu usei na minha primeira série; "Caminho Suave", existe sim um caminho suave para a mudança, onde o segredo está na continuidade, na observação, na vigilância, na alegria de seguir adiante, sempre!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Domar a Serpente




Há uma opressão própria e intrínseca à existência humana, que Sidharta Gautama chamou em sua primeira nobre verdade de a verdade da existência do sofrimento, o que o fez concluir em uma outra das quatro nobres verdades,  existir também uma causa e origem para a existência do sofrimento.

A opressão é uma dessas causas, tudo aquilo que nos impõe limitações  como indivíduos pode ser considerada uma opressão, o próprio corpo é uma dos primeiros elementos restritivos da consciência humana, pois nos impede devido a limitação dos seus sentidos, de enxergarmos uma realidade mais ampla, tomar consciência de fenômenos mais sutis, de observar com precisão cada causa e efeito decorrente de todas as suas atividades e dos movimentos do mundo a sua volta, assim como exige de nós, esforços para sua manutenção, cuidado, etc.

Decorrente desta opressão, das dificuldades do nosso cotidiano, da luta pela sub existência, do medo constante de diversos riscos e de ameaças consideráveis, nasce dentro do indivíduo aquilo que podemos chamar de "ego" e como alegoria simbólica podemos comparar o ego com a serpente, o animal que rasteja sobre a terra e representa a astúcia, a autodefesa (com o seu veneno), e a inteligência humana ligada a todas as questões da sua percepção material.

A serpente que, desta forma, mora dentro de nós como um arquétipo de inteligência e astúcia, representa também, entretanto, o grande risco de deturpação da nossa razão e do nosso humanismo, quanto maior é o medo do indivíduo diante das dificuldades da existência, maior o risco de que ele venha a se armar, a se fechar dentro de si através da individualidade egoística e inclusive tornar-se violento.

E quanto maior o grau de tensão acumulada em seu interior, decorrente de todas as pressões sentidas de forma tangíveis e intangíveis, maior será o grau de violência e contradições internas que se formarão dentro do indivíduo.

Se pararmos para observar de forma imparcial, tal como se fossemos cientistas de nós mesmos, veremos a violência presente dentro de nós, em nossos julgamentos, em nossas condenações, acusações, quando faltamos com a gentileza, quando respondemos de forma rispída, quando magoamos as pessoas que nos estão próximas, quando exigimos muito de nós mesmos ou nos condenamos e sofremos com a culpa, o remorso, a frustração; quando desrespeitamos ao nosso semelhante ou quando reagimos de forma desproporcional a uma ofensa ou palavra mais indelicada dirigida a nós mesmos.  

Em muitas pessoas esta violência se transforma em agressão física, além de verbal e vemos na sociedade todos os dias, principalmente no Brasil, cujo país tem mais de 70% de armas de fogo portadas de forma ilegal, mortes causadas por motivos banais.

Precisamos nos desarmar em todos os sentidos.

Precisamos domar a nossa serpente!

Somente a paz interior conquistada por meio do desarmar-se, do autoconhecimento, do humanismo, da sensibilização do ser, da ajuda mútua, podem contribuir para que venhamos a domar a nossa serpente interna.

Enquanto a serpente é totalmente selvagem, a inteligência de cada ser humano representa um risco para si e para todos que estão a sua volta, e numa realidade social mais ampla, quando observamos este fenômeno na ciência ou na política, notamos o desencadear de grandes desastres decorrente da falta de consciência e da contaminação do indivíduo pelo desejo de poder, cujas consequências são sentidas por milhares de pessoas que sofrem decorrente da opressão dessas ambições doentias.

Domar a nossa serpente é superar o ego que não somos nós, o ego é uma sub personalidade baseada no medo, na culpa, na autodefesa, no julgamento implacável, na condenação, nos condicionamentos da mente humana, nas reações violentas e também na relação que estabelecemos com o tempo, quando não estamos vivenciado o agora, e sim deslocados no passado ou no futuro, seja devido ao temor, a ansiedade, a culpa, a frustração, mas esta serpente está sempre se deslocando, a partir do momento que descuidamos da vigília, do vivenciar o momento presente, esta serpente se movimenta e ganha força.

É necessário uma revolução interna para domar esta serpente, uma revolução que conduza o ser a um profundo estado de pacificação, de harmonia com o seu interior e com todas as coisas  a sua volta, esta revolução é fundamental para o atual momento histórico da evolução da consciência humana, muitas pessoas já tomaram consciência desta necessidade, mas a grande maioria de toda a humanidade ainda se quer vislumbrou esta possibilidade, no entanto, todos sem nenhuma exceção estão sofrendo as consequência desta inteligência não domada, não polida, existente ainda em estado bruto, primitiva, que encontra-se ainda nos estágios iniciais do seu desenvolvimento.

E você já decidiu domar a sua serpente?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

"Australopithecus Informatizadus"





O homem moderno possui uma visão pouco madura e realista sobre si mesmo, tende a considerar-se pertencente a civilização mais avançada existente na história, diminuindo desta forma outras culturas, olhando através do desprezo para outros povos e outros modelos de organização social existentes, que já existiram ou que são idealizados.

Qual seria a nossa dificuldade em admitir que somos uma "civilização primitiva" e atrasada? Sobre onde paira a dúvida deste fato inquestionável?

O desenvolvimento em uma única direção é um desastre, este é  responsável pela visão diminuta do ser humano moderno, que não consegue observar com clareza a primitividade humana no nosso desenvolvimento intelectual que, embora tenha nos permitido o avanço do método, a investigação científica e o desenvolvimento tecnológico, não nos permitiu erradicar a fome, a miséria e a desigualdade brutal entre nós seres humanos.

Chamamos o desenvolvimento tecnológico de desenvolvimento humano, eis um dos grandes erros concetuais presentes na cultura atual, não podemos equiparar uma coisa a outra, se o desenvolvimento tecnológico é um desenvolvimento unilateral, ele nós dá prova da ausência do desenvolvimento humano, e não o contrário.

Se milhões de indivíduos ao utilizar uma nova tecnologia, desconhece completamente como ela funciona ou não a utiliza como um meio de proporcionar a si, e aos outros um contato mais humano, pacifico e dignificante, isto não nos torna diferentes do homens da era do paleolítico que usavam suas ferramentas feitas de pedra lascada.
Observar o comportamento dos indivíduos em sociedade é um meio de notar se vivemos ou não numa sociedade desenvolvida.

Quanto mais distantes, violentos, conflitantes, excludentes  e competitivos são os indivíduos uns com os outros, mais primitiva é a sociedade, pois isto demonstra a ausência da capacidade racional de identificar o fato de que todos nós seres humanos dentro da nossa pirâmide de necessidades, precisamos satisfazer as mesmas lacunas, e que portanto, deveríamos ter como base de nossas instituições e empreendimentos o método colaborativo de ajuda e respeito mútuos e não o de exclusão e competição.

Muitos irão argumentar que a "livre concorrência" foi a mola propulsora do desenvolvimento econômico, industrial e tecnológico, e eu pergunto-lhes, que desenvolvimento?

Aquele que explora todos os recursos naturais a ponto de provocar um colapso na natureza? O desenvolvimento desenfreado que depende da exploração do homem pelo homem, e que destrói e condena a vida de milhões de individuos de um país em detrimento a outros?

Entretanto, é importante compreender que, diante de um  curto período de  história humana na terra (se comparada a vastidão da história natural do plano terrestre), somos uma sociedade ainda primitiva por que ainda estamos entre a infância e a adolescência do processo evolutivo, o homem adulto ainda não nasceu.

E para que o homem adulto possa nascer se faz necessário reunir condições favoráveis ao seu sugimento.

Para isto, precisamos realizar um período de transição no processo de transformação da cultura humana que salte do sistema competitivo para o sistema colaborativo.

Precisamos consolidar uma educação holística como método pedagógico fundamental que proporcione uma visão mais ampla e global do homem sobre si mesmo e sobre natureza, tornando consciente o fato de que cada pessoa encontra sua identidade, significado, sentido, propósito e razão para a sua existência em sua conexão com o todo, com a natureza, com a sociedade e com espiritualidade no sentido de estabelecer uma relação humana baseada na fraternidade, na colaboração, na compaixão, no afeto, no respeito e na consideração pelo seu próximo.

Necessitamos colocar o homem como valor central da humanidade, que nada esteja acima do homem e nenhum homem acima do outro.

E este salto evolutivo se dará quando consolidarmos e concretizarmos sobre a terra uma cultura de paz, de compreensão mútua, de união e de fraternidade humana.

à este propósito procuro dedicar o meu trabalho e através dele encontro a razão para a minha existência.

Como é colocado pelo movimento do novo humanismo, precisamos trabalhar e agir constantemente para humanizar a terra e, desta forma contribuir, para o amadurecimento da raça humana.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Realizar nossos desejos é nos fazer livres?




Houve um tempo em que a realização dos meus desejos, era visto por mim, como a realização da minha liberdade.

No entanto, eu não podia perceber (ou procurava ignorar), qual era a fonte dos meus desejos, ou seja, de onde vinha o impulso para o desejo em si.

Quando observo de maneira despreendida, posso admitir que grande parte dos meus desejos funcionam tal como um programa pré-estabelecido de maneira inconsciente e que só é percebido quando emergem na consciência, e quando o impulso para a sua realização é observado nos reflexos das minhas ações.

Imaginem que todos os desejos de um indivíduo tenham como origem o seu meio, ou seja, todos os seus impulsos e todas as suas ações estejam direcionadas a imagens representativas de valores pré-estabelecidos, por exemplo, o "homoeconomicus" é o ideal humano mais presente na sociedade global hoje, é o tipo de individuo que concebe a sua realização por meio das suas conquistas financeiras, ele considera que quanto mais dinheiro mais liberdade, segurança e felicidade.

Seu crescimento é unilateral e se dá somente nesta direção. E portanto, todo o seu amadurecimento humano é comprometido.

É obvio que esta idéia é ilusória, no entanto, quando toda uma sociedade acredita numa ilusão, esta ilusão transforma-se numa realidade concreta, capaz de reger as nossas vidas e ditar nossos comportamentos.

Sendo assim, milhões de individuos se engajam na busca da realização de desejos que não são individuais, e sim coletivos, e a sua ambição é condicionada por seu meio, por sua cultura, aquilo que historicamente em cada época é determindo como valor, capaz de colocar um ser acima dos outros, tornar-se-á na direção em que milhões de indivíduos irão caminhar e moldar seu destino.

Ao olhar para este exemplo, notamos que a formação do desejo se dá de maneira inconsciente e condicionada através da cultura, sendo assim, cada indivíduo recebe estímulos desde criança, e através destes, tem a sua personalidade moldada, é por este motivo que a grande maioria de nossos desejos surgem de forma aparentemente espontânea, e não passam pelo crivo da nossa escolha e do nosso livre arbítrio, portanto, como pode a realização de nossos desejos vir a ser a expressão da nossa liberdade?

Imaginemos por um instante, que existe uma escala de desejos, quando um desejo de um degrau menor é plenamente satisfeito, logo o desejo de um degrau superior surge. Se conseguimos satisfazer todos os nossos desejos e necessidades primárias como o alimentar, abrigar-se, etc..., logo passaremos a considerar um outra classe de desejo, como o poder, a riqueza, entre outros.

Diremos que todos esses objetivos foram alcançados e o indivíduo ainda se sinta incompleto, e passe a partir deste instante a considerar as satisfações da alma, ou seja, desejos transcendentais, almejar aquilo que é enterno, como a iluminação, a plenitude do ser, o grande vazio, a salvação, o nirvana, etc.

Nenhum de nós individualmente ou particularmente criamos a direção desses desejos, estes surgem de forma espontânea, são motivados por multiplos fatores, e se introduzem em nossos sistema de crenças e de decisões de maneira independente e autônoma.  

E na maioria das vezes não é o indivíduo que leva adiante o seu desejo, mas é o seu desejo que o arrasta a realização de suas ações.

Diante de tudo isto, a ausência de desejos se assemelha muito mais àquilo que chamamos de liberdade do que propriamente o desejo e o impulso para a realização do desejo, pois se o desejo que há dentro de nós não foi plantado por nós mesmos, como poderia a sua realização ser um ato de nossa liberdade?

E é possível desejar o estado de ausência de desejos?

O desejo de abandonar o desejo, não deixa de ser também um desejo, entretanto, ele se direciona para um fim e não para um meio, o que faz deste desejo algo singular. 

Para isto é necessário reunir condições onde o estado de ausência de desejos se manifeste, neste estado é experimentado aquilo que muitos chamaram de mente vazia, ou estado de consciência plena.

Nesse estado os desejos desaparecem porque a paisagem interna e a fonte de todos os desejos, "se apaga", o que há para ser satisfeito a partir deste instante?

Se a grama cresce por si mesma, porque a grama desejaria crescer?

Só uma mente livre de desejos é uma mente livre.

Uma mente livre de desejos nunca perde o seu estado de presença, tranquilidade e serenidade, porque suas ações tem um fim em si mesma, não almeja chegar a nenhum lugar, mas o aqui e agora onde se encontra neste momento é onde precisaria e deveria estar, não precisa negar o prazer, simplesmente não o almeja (e por  não o desejar, não o é seu escravo), mas se ele se apresenta diante de si, possui a liberdade de escolha de desfrutá-lo e celebrá-lo.

Realizar nossos desejos é nos fazer livres?

Não! Liberdade é ser além de todos os impulsos e de todas as agitações internas, liberdade é não precisar realizar coisa alguma no "mundo das formas" para descobrir que a liberdade está em nossa real natureza.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ansiedade e Tempos Modernos - 2ª Parte




Na última postagem com este título, deixei um questionamento para o leitor, qual é a causa da sua ansiedade, quais suas origens e quais são as suas razões.

Caso não tenha lido a postagem anterior, sugiro que a leia, e que reflita primeiramente sobre tais questões antes de dar continuidade na leitura desta segunda parte.

Pois bem, como forma de exemplificar os motivos pelos quais eu me tornei uma pessoa ansiosa (hoje, quase um monge comparado a anos atrás, graças ao um importante trabalho pessoal de mudança e autoconhecimento), e acredito que muitas das causas que faz de mim uma pessoa ansiosa, são as mesmas causas que faz milhões de outras pessoas também ser ansiosas, porque afinal vivemos numa mesma época, fruto do mesmo desenvolvimento histórico, compartilhamos de uma cultura comum e sofremos muitas das vezes com as mesmas opressões, descreverei aqui as principais razões que me motivaram a ansiedade.

Qual é a causa da minha ansiedade e quais suas origens e as suas razões?

Primeiramente, preciso observar que os fatores envolvidos neste processo de formação da ansiedade são múltiplos, entrelaçados por muitas causas, origens e circunstancias, entretanto creio que algumas dessas causas possuem raízes maiores do que as outras, por esta razão, precisaremos continuar com as doses homeopáticas, este série de postagens não se encerrará aqui.

Creio que as necessidades são a primeira causa da ansiedade, e tal fato deve ser comum tanto para homem para animais e talvez até para as plantas, a necessidade de realizar a manutenção pela existência gera ansiedade, quanto mais difícil for este processo maior será a ansiedade, até que satisfaça suas necessidades primárias, o ser terá a sua mente oprimida pela ausência desta satisfação e projetará a mente no sentido de conquistar aquela satisfação, concentrar-se-á no depois, e não estará totalmente presente no seu agora.

Um indivíduo que tenha nascido durante um período histórico de guerra, com intensos confrontos militares, terá como ansiedade constante e intensa necessidade de combate e de se projetar para o mantenimento de sua existência física. Ou alguém que viva num local de grande escassez de alimento, terá uma ansiedade intensa, na expectativa de satisfazer esta necessidade.

Ou seja, eis uma palavra chave, expectativa. A ansiedade sempre estará ligada a expectativa, como a expectativa da satisfação de uma necessidade, de um desejo, etc.

No entanto, tendo nascido num ambiente cuja satisfação de todas as suas necessidades básicas são imediatamente atendidas de forma satisfatória como abrigo, moradia, vestimenta, alimentação, segurança, um bom lugar para dormir, etc, inexistirá neste indivíduo uma ansiedade intensa decorrente da necessidade da satisfação dessas necessidades, poderá haver o medo de uma crise, de não haver o suficiente amanhã, isto decorrente de não haver uma segurança tangível, porém, na média geral, não existirá esta ansiedade necessariamente.

É aí que ansiedade passará a estar ligada ao desejo, vamos definir o desejo como uma segundo nível de busca por satisfação (quem quiser se aprofundar mais neste ponto da satisfação de necessidades, primárias, secundárias e demais eu sugiro pesquisar informações a respeito da chamada "Pirâmide de Maslow"), este segundo nível já começará a tornar-se subjetivo, variará de uma sociedade a outra e de um indivíduo a outro, e aqui muitas distorções, deturpações e "fixação de padrões infantis" passam a surgirem.

Por exemplo, o individuo não tem mais a necessidade básica de se vestir, mas ele passa ter a necessidade de buscar se diferenciar do seu meio para se destacar, para isto, busca roupas que "traduzam a sua personalidade" ou roupas de grife que demonstrem a capacidade do seu poder de consumo. 

Não há mais a necessidade básica de se alimentar, mas a comida torna-se uma fonte de satisfação e de prazer, são necessários pratos sofisticados, sabores diversos, o foco está na satisfação do desejo e não na satisfação das necessidades nutritivas dos alimentos consumidos.

Um outro ponto marcante que já podemos observar aí, é a questão da competição entre iguais, seres humanos passam a sentir a "necessidade" de obter destaque perante os demais, ser melhor que o outro, torna-se uma necessidade artificial, ou seja, produzida pelo homem, e o poder do consumo é observado como o meio principal de se obter o sucesso como indivíduo.

Esta concorrência, esta disputa, esta necessidade de se lutar para obter sucesso, transforma a ansiedade numa porta aberta para a entrada de outros transtornos diversos.

Outra questão que podemos observar aqui, a "necessidade" de obter a satisfação por meio de sensações das mais intensas possíveis, destrói a sensibilidade humana, que passa a transformar a quantidade em parâmetro fundamental para medir se aquilo é satisfatório ou não, e não a intensidade da experiência singela em si, ou seja, aquilo que não ajudar a nos destacar perante os demais, não será tão bom para nós, portanto, a alegria da amizade sincera, o valor da inocência e da beleza da presença de uma criança ou o frescor de uma tarde de sol, deixam de ser fontes de satisfação e alegria genuína.

O consumismo sem dúvida alguma, torna as pessoas mais ansiosas, e os meios ligados à condução da satisfação do consumo também, com a carreira profissional ou um outro meio ilícito para se obter dinheiro, quanto maior a ambição de um indivíduo, maior o grau da sua ansiedade.

Os valores da forma com que são impostos pela sociedade moderna é um outro fator, para a causa da ansiedade coletiva, um ser humano simples e puro, nascido naturalmente, não é visto como um ser vitorioso, importante, profundamente significativo, não.

Ele precisará primeiro provar o seu valor, realizar ações que o torne importante, lutar e batalhar para transformar-se num vencedor e esses modelos e fórmulas para se obter o sucesso são impostos de forma cruel, opressora e violenta dentro da sociedade, conduzindo poucos aos louros da realização (que é na realidade uma falsa realização, porque é sempre a custa de sacrifícios, perca, aparência, artificialimo e profunda ansiedade para se conquistar e para se manter a conquista), enquanto outros milhões, a grande maioria, se sentirão como indivíduos de segunda categoria, ou seres derrotados ou desfavorecidos diante da sociedade.

Vamos exercitar novamente a reflexão?

Até onde os meus desejos, minhas expectativas e a minha ambição são responsáveis pela minha ansiedade?

Até onde esta opressão social e cultural, carimbada hoje como um dogma sagrado e quase inquestionável imposto pelo capitalismo financeiro em sua economia neoliberal foi capaz de contaminar a minha mente, a ponto de eu acreditar em modelos artificiais e mentirosos de fórmulas de como alcançar a realização  suprema e o sucesso humano?

Até onde vão minhas necessidades, onde começa meus desejos e onde o supérfluo toma conta?

Na terceira parte continuaremos a tecer esta reflexão, para tentarmos conhecer a causa das ansiedade em suas raízes.

Trata-se de um trabalho difícil?

Posso dizer que sim, mas com certeza não tratá-se de um trabalho que exija sacrifício, e sim dedicação ou como se diria no budismo na nobre senda óctupla, de atenção correta, de esforço correto e de correta compreensão.

E qual é o pagamento para este trabalho?

É a superação de transtornos, inquietudes, medos, sofrimentos, etc. É a superação da ansiedade, é o encontro com a alegria genuína e com a paz, é a simplicidade e a humanização do ser e da terra.

Se isto for importante para ti, reflita, busque compreender-se e me acompanhe na próxima postagem sobre a ansiedade e os tempos modernos.

Seguidores