terça-feira, 28 de junho de 2011

Simples Assim




O simples
É brando e cândido,
Sereno e calmo,
Leve e amoroso,
Sutil e silencioso.

Suas palavras,
Brotam do coração,
Sinceras e honestas,
Despretensiosas,
E plenas de gratidão.

Seu caminho,
É o fluxo da vida,
Contínuo e Incessante
Em profunda harmonia
Com a dádiva presente!

O Simples,
Está dentro de ti,
No teu testemunhar,
Na tua observação,
É consciência pura!

Simplicidade,
É sabedoria
Alegria genuína,
Plena aceitação
Unicidade!

O Passado é Inútil!



Você já notou o quanto a mente se preocupa com o passado?

Quantas vezes sem fim não nos pegamos pensando sobre algo vivenciado ontem, semana passada ou um tempo longinquo e começamos a reviver todas as nuances daquilo que outrora vivenciamos, como se sentássemos diante de tela de cinema e começássemos a ver um filme?

E o pior, começamos a pensar a respeito e a colocar hipóteses, possibilidades, probabilidades, imaginando situações já vividas e colocando por de trás dessas recordações a palavra "Se".

E se eu tivesse feito diferente? E se naquela época eu tivesse o conhecimento que tenho hoje? E se eu não tivesse conhecido fulano? E se eu tivesse nascido em outra família? Ad infinitum...

No que este devaneio pode contribuir? Em nada!

O passado é útil para muitas coisas, para que possamos nos recordar de instrumentos úteis e necessários dos quais utilizamos em nosso dia a dia para realizar funções diversas ligadas as nossas vidas, mas o passado é inútil para responder a pergunta mais importante de todos "Quem eu sou?".

Tudo aquilo que vivenciamos no passado foram experiências que nos proporcionaram determinadas impressões e registros, considerados ora negativos e ora positivos, mas não estamos reduzidos simplesmente a essas experiências, há algo muito maior dentro de nós mesmos, ainda não manifesto, nós somos esta imensidão para além de todas as experiências já vividas.

Se somos algo muito além de tudo aquilo que já experenciamos e vivenciamos até hoje de que maneira o passado pode nos ajudar para contribuir com o encontro com a nossa real natureza?

O encontro com a nossa real natureza não depende de informações prévias, por este motivo não depende do passado, muito pelo contrário, se estamos apegados ao passado e presos a idéias e conceitos pré-concebidos, não há como entrarmos em contato com a nossa real natureza que está além da mente, não é possível alcançar o ser através da mente, a realidade é algo que está além de qualquer sistema de pensamentos e não depende de nossas opiniões para ser o que é.

Portanto, se você busca autoconhecimento e esta no caminho da auto-investigação para descobrir que é você, abandone o passado, morra para a sua biografia para que você possa renascer através da pura consciência!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Aceitando a Dádiva do Presente!



No início nos parece impossível.

A mente busca suas bases e suas matrizes no passado e se lança com toda as expectativas em direção ao futuro.

Não sobra espaço para o presente.

O presente se transforma  num meio de repetirmos e perseguirmos prazeres que já nos são velhos conhecidos, ou é um meio, para através do trabalho, dos planos, do estudo, dos relacionamentos nos levar a concretização de um objetivo planejado no passado e projetado para o futuro.

O presente se torna indigno, insatisfatório, dele surge o sentimento de escassez e de incompletude.

Como se no aqui e agora não pudesse haver realização, porque afinal, para a mente é necessário realizar uma grande obra, vencer um grande obstáculo, superar  muitas adversidades, percorrer grandes caminhos e vencer fortes inimigos, para aí então poder ser digna de provar da realização.

Mas, de fato, a realização pode ser experimentada aqui e agora, de maneira simples, singela e direta.

E justamente devido ao fato desta realização não nos tornar especiais, mas, um com o todo, é que tal possibilidade é descartada pela mente e, estando nós identificados com a mente, caímos em suas artimanhas.

Por ser tão simples e natural é que parece se tornar difícil, alcançar um estado que já está presente no âmago de nossas vidas e manifesta como natureza essencial.

Depois de uma certa persistência, trazendo a atenção, a observação, o foco da auto-investigação sempre para o presente instante, começamos a experimentar um silêncio interior, a partir deste silêncio, que ora começa através de curtos intervalos e, que posteriormente vem a se fazer presente e permanente, começamos a vislumbrar através deste estado de presença a existência de um sentimento de bem-aventurança, de completude, de totalidade e de êxtase.

E isto não se trata de uma conquista, porque não é algo que precisamos buscar, que precisamos nos sacrificar.

Não é necessário realizar doze trabalhos de Hércules para conseguirmos, muito pelo contrário, é necessário apenas descansar naquilo que já é, perceber, notar, relembrar um estado natural, aparentemente olvidado, distante e desaparecido.

A paz é tudo o que precisamos para que o conhecimento possa se manifestar por si mesmo.

A verdade é vida, vida em sintonia com o todo, em harmonia com o sagrado, vida que flui sem barreiras, sem bloqueios, vida que se manifesta aqui e agora, dentro de nós mesmos e a nossa volta, como uma dádiva, um presente que está disponível a todos, como um direito de todos.

Se ainda te parece difícil, simplesmente acredite, aceite tuas dificuldades e siga adiante. 

Acredite que uma longa caminhada se inicia com um pequeno primeiro passo.

Volte-se para dentro de si com tranquilidade e veja o tempo como um aliado que te fornece espaço para o aprendizado necessário.

Plante sementes de sabedoria, de tranquilidade, de paz, de amizade, de fraternidade, de ajuda-mútua, de amor, respeito, paciência, tolerância, consideração, admiração, plante e regue tais sementes, elas crescerão por si próprias.

Comece a voltar o foco de sua atenção para os sentidos diretos, aprecie mais o sabor dos alimentos, sinta a presença da brisa e do ar através do tato, ouça com estado de presença, de atenção e interesse àqueles que te dirigem a palavra, ouça o vento silvando, o pássaro cantando, os ruídos urbanos, sinta o passo a passo do caminho, sinta o banho, o cheiro, a textura, o movimento, observe, simplesmente observe.

Não se leve a sério.

Observe seus pensamentos tais como se eles fossem nuvens que vem e vão, que se formam sem que você possa notar como começaram.

Que sentido faz passar o dia olhando para o alto, buscando significados nos desenhos das nuvens? Que sentido faz, brigar com as nuvens, sofrer com as nuvens, ter frustrações e decepções com as nuvens só porque elas não formaram os desenhos que você desejava?

Sim, teus pensamentos, tuas emoções, teu humor e seus desejos são como nuvens que vem e vão. Apenas os observe em silêncio, esteja alerta, aceite a dádiva do presente, e veja por si mesmo aquilo acontece.

Só a uma verdade que faz sentido para nós, é a verdade que somos capazes de experimentar por nós mesmos, nada além disso, faz verdadeiro sentido para nós!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A Profunda Alegria de Se Encontrar o Próprio Guru!



Encontrar o guru é como ser tomado por um "amor a primeira vista".

Descrever tal acontecimento, com palavras, só pode dar um “indício” do que seja. Vale dizer que é um "divisor de águas", um "nascer de novo", um "encontro profundo com a essência de nossa própria natureza".

Meu guru é amor!

Quando me aproximo, dele, todas as dúvidas desaparecem. Suas palavras parecem brotar de dentro de mim mesmo.

Meu guru abre meus olhos e, a partir do instante que meus olhos estão abertos; tudo eu posso ver por mim mesmo, quando vejo, não há perguntas para se fazer, a percepção direta, daquilo que é,  tudo responde. Não há mais dúvidas, não há mais paradoxos, não há mais a necessidade de aprendizado, de estudo de teorias, pois, quando a visão está aberta todas essas necessidades se esvaziam.

A minha confiança em meu Guru é plena, Ele é para mim uma porta que me conduz ao encontro da natureza essencial, e é através desta natureza que Deus se revela, deixando de ser uma crença para se visto naquilo que sou!

Só preciso amar e confiar em meu Guru e tudo o mais se realizará!

A voz do meu guru é a voz de Deus para mim.


Há na relação mestre-discípulo uma profunda manifestação de amor e, no momento que através deste amor, mestre e discípulo tornam um só ser, tudo está realizado. Acabou toda a busca.

Obrigado Bapú por sua onipresença constante junto de mim!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Decodificando o Código Matrix





As imagens confundem e as palavras separam, mesmo a palavra união é observada através de um recorte incapaz de reproduzir com fidelidade o seu significado, note que escrevê-la precisamos separá-la de todas as demais para que ela seja percebida.
A mente é como uma espada de dois gumes, tudo o que ela toca ela corta, divide, separa, classifica, julga, rotula e, desta forma, adapta aquilo que é observado ao filtro da observação, sendo assim tudo aquilo que é visto pela mente é uma criação da própria mente, não há nenhuma realidade objetiva externa observada pela mente, tudo é um fenômeno interno, seja este interiorizado ou projetado.

A mente não é o caminho que conduz a verdade, a consciência por de trás da mente pode ajudá-la através do ato de abrir uma porta, todas as religiões, filosofias, técnicas, métodos, meios, são úteis até colocar-nos defronte a esta entrada, para atravessa-la é necessário deixar a mente de lado, não se pode ver um "mundo novo" com os velhos olhos, é necessário esquecer todo o passado e toda a ilusão de uma biografia pessoal.

Mas para se chegar diante desta porta, muitas das vezes será necessário para alguns, malabirismos mentais e linguísticos, a fim de chamar a atenção de certas mentes, que de outra forma, não daria atenção ao caminho simples, direto e prático, porque a mente em estado de "alucinação não consciente" observa todo o universo a sua volta como um grande problema a ser resolvido, tudo na vida do indivíduo que é guiado por este "mestre embrigado" é visto como um problema, portanto, se tal não for colocado como um problema, não chamará a atenção dessas mentes alucinadas.

Só há um paradoxo. Não há paradoxos! Todos os mestres que usaram paradoxos nada mais fizeram do que amarrar uma "minhoca de uma idéia brilhante" sobre o anzol afiado de uma comunicação sofisticada.

É por este motivo que o silêncio é fundamental, quando a mente é deixada de lado e todos os revestimentos, recortes, modelos, imagens, paisagens, com todas as suas matrizes do passado são deixadas para trás, e podemos estar presentes aqui e agora, integralmente, completamente, de coração aberto, com plena aceitação do todo e sem nenhuma resistência, na completa entrega aquilo que é, a partir deste instante a nossa verdadeira natureza encontra espaço para se manifestar.

E, é a partir da manifestação da nossa natureza íntima, primeira e última, que perceberemos que a resposta já está aqui, não há nenhum problema a ser resolvido, a brincadeira do esconde-esconde terminou, não há mais nada para ser alcançado, a alegria é plena e a paz eterna, porque a alegria, o amor e a paz é a própria essência desta natureza íntima.

Esqueça este texto, esqueça este blog, esqueça todos os livros que você já leu, não seja como um papagaio de memória avantajada para sair repetindo tudo aquilo que você ouviu por aí, todas esses símbolos linguísticos apenas alimentam a sua mente, volte-se para a sua consciência e simplesmente permita-te ser a tua real natureza.

domingo, 12 de junho de 2011

Solidão e Solitude

Há uma imensa diferença entre solidão e solitude.

Na solidão há dor, medo, tristeza e sensação de isolamento.

Mas na solitude há assombro ante ao mistério,

alegria ante a beleza de cada movimento da natureza ao redor,
há paz e alegria!

Há na solitude uma sinfonia de silêncio e graça!

Só a mente é capaz de experimentar solidão 
enquanto o ser só pode conhecer a solitude!

Liberte-se da mente e todo o sentimento de isolamente desaparecerá

e não haverá mais solidão, só existirá solitude!

Quando só há um Ser




Meus olhos enxergam muito além do olhar.

Meus ouvidos escutam além do som!

Meu tato vai muito acolá da pele e da epiderme.

E posso sentir a longa distância!

Porque eu sou e estou em todos os seres!

Quando só há um ser, que engano pode haver?



O que é um Satsang?


Quando vivemos limitados a padrões de condicionamentos, vivemos aprisionados por pensamentos, sensações e emoções que nos arrastam de forma imperiosa, nos fazendo sentir completamente impotentes diante de diversas situações. Muitos são arrastados pela ansiedade, outros pela depressão, outros pelo medo, outros pela ira, ou pelo desejo, pela culpa, pela ambição, e neste momento que nasce dessa inquietude, nunca vivencia a paz e a felicidade.

Para alguns, o ciúme é este gatilho. Basta uma pequena situação para que a tranquilidade de uma relação se transforme em raiva, medo, agressividade, etc. Já quando somos contrariados, não importa em qual situação, novamente, surge a raiva, o desejo de vingança, etc.; quando nos deparamos com alguém do nosso convívio, mal-humorado, nosso humor também se transforma; quando recebemos ordens de chefes, ou reclamações de clientes, tornamos isto algo pessoal, nos sentimos ofendidos e, novamente, o conflito se instala; quando nos falta dinheiro, nos deprimimos, nos desesperamos com dívidas e dificuldades financeiras; também nos sentimos infelizes por nos sentirmos feridos ou por sentir que ferimos aqueles que estão próximos a nós, e tudo isso acontece porque vivemos na inconsciência, limitados ao passado, limitados a mente.

Satsang é uma oportunidade para mergulharmos na Consciência e, através da Meditação, da autoinvestigação e da entrega à nossa Real Natureza, nos libertarmos dessas limitações, desses padrões, dessas tendências mentais já fixadas há anos e presentes há milênios no comportamento humano, e, assim, descobrirmos a verdadeira paz, a real liberdade e a real felicidade naquilo que somos. 

Não é possível a real liberdade e a felicidade sem que você seja você mesmo. Mas quem é você? Você só descobre quem é você na autorealização, antes disso, tudo o que você conhece como sendo você; não passa de um nome, de uma história passada, de hábitos, condicionamentos e padrões, que se instalaram através do convívio social, onde você foi programado para atender aos outros, satisfazê-las, sem a oportunidade de se voltar para si mesmo. 

Satsang é o encontro consigo mesmo, o encontro com a verdade, o encontro com o Ser, o ambiente perfeito para que a Consciência deste si mesmo possa florescer, e nessa realização, nesse encontro, nessa comunhão de coração com o Guru, que é aquele, que vivendo em seu Estado Natural, pode nos conduzir através de um trabalho de meditação, autoinvestigação, devoção, guiança e entrega a nossa Real Natureza,  nos possibilitando Ser aquilo que somos, nos tornamos aquilo que somos. Isto é Satsang.





Acesse o nosso site:


www.mestregualberto.com




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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Superando os sentimentos negativos em nossa jornada!




Mesmo os indivíduos que já tomaram consciência de que a mente dominada por pensamentos padronizados é uma espécie de insanidade, caem por vezes em um estado de desânimo, irritação, aborrecimento, tédio, desesperança, entre outros níveis de sentimentos e pensamentos inconscientes, e porque isto acontece?

Isto acontece porque é muito fácil repetir padrões e cair nesses níveis e, assim, se identificar com a mente que passa a reproduzir repetições de comportamentos já estabelecidos pelo hábito.

Começar a viver através da consciência é a princípio difícil, porque toda nossa educação desde crianças, ignorou a existência de níveis mais sutis e profundos, não fomos ensinados a utilizar a mente como um instrumento, e todos os efeitos foram observados como causas em si mesmas, tal o comportamento repreendido de uma criança, como se este existisse por si mesmo e não estivesse conectado com nenhum padrão interno e, a partir disso, tenta se mudar aquele comportamento através da repressão e ameaça e não diretamente em sua fonte, o ser, o pensamento, o sentimento, a emoção, a necessidade que aquele comportamento surge para atender, etc.

Mas o que nos interessa saber é como sair desses estados que reproduz frustrações, medos, letargia, ou seja, como sair desses momentos em que caímos nos antigos e negativos padrões?

Em primeiro lugar, não acredite na mente, não acredite nessas sensações, você não as quer, e se elas estão ali observe-as como se fossem nuvens obscuras que se formaram por sobre o céu do teu ser, esteja alerta, preste atenção na respiração que pode ser utizada como um diapasão para afinar a tua atenção que passará a tocar harmoniosamente a canção do momento presente, veja este momento como uma oportunidade e agradeça ao todo por lhe permitir esta possibilidade de observação e investigação.

Volte-se para a grandeza do universo, para o milagre da vida e para a beleza do ser, não importa qual seja o nosso passado ou o que pareça que tenhamos feito ou deixado de fazer dentro das nossas biografias pessoais em seus aspectos humanos, eu e você somos parte da grandiosidade da existência da Grande Vida, somos parte de tudo isto, da mesma forma que aquele indivíduo que hoje ocupa o cargo de presidente de um país, de uma empresa ou como aquele que agora se encontra vivendo nas ruas, todos eles vivem e existem a partir da graça originada de uma mesma fonte e retornarão todos inevitavelmente a esta fonte, deixando de ocupar o lugar que hoje parecem estar.

Nesses momentos lembre-se disso: Você é parte de algo grandioso e esses pequenos pensamentos insignificantes não podem ter o poder de te diminuir, de lhe entristecer e de lhe desanimar.

A chave para sair desta prisão está em suas mãos, basta abrir o cadeado ilusório da existência de um eu separado do todo, onde não há um eu não há dor, não há medo, não há passado, expectativas, frustrações, tédio, aborrecimentos ou qualquer outro sentimento negativo, na ausência de um eu o que existe é o ilimitado, a graça, a luz, a fonte que irradia e brilha para todo o sempre!

sábado, 4 de junho de 2011

*-* *-* *-* *-* *-* Haikai Três




"Quando aquele que simplesmente percebe
Se confunde com aquilo que é percebido
Se esquece da essência do seu próprio Ser"


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Quando o discípulo está pronto...


Era uma vez um buscador obstinado por sua busca.

Ele estava disposto a tudo! Seria uma honra para ele morrer pela verdade! Mas para isto era necessário que primeiro ele a encontra-se!

Ele leu bibliotecas, enciclópedias, pesquisou, meditou, refletiu, escreveu livros e mais livros onde ele especulava a respeito da natureza da verdade. E chegou a conclusão de que só conheceria a verdade se primeiro atingisse um estado de iluminação, de despertar!

Ele estava disposto a fazer tudo que fosse necessário para despertar! Seu desejo era se tornar um homem único e, conquistar um estado de ser que estive acima de todos os homens e mulheres de sua época.

Mas, no entanto, ele sentia que algo ainda lhe faltava.

Certo dia, humildemente, ele rogou aos céus, pediu de coração aberto, deixou de lado por alguns instantes o seu orgulho e implorou!

- Eu preciso conhecer alguém que me ajude a encontrar a verdade! Eu preciso de um mestre, de um guru! De alguém que já tenha bebido da fonte e que possa me dar de beber! Porque até hoje, eu desconheço o que seja a verdade!

Não levou duas horas para que o seu pedido fosse atendido.

Ele ligou a televisão e naquele mesmo instante começou a assistir uma pequena entrevista de um ser que dizia a respeito da graça de ter encontrado um ser que despertou plenamente, ele dizia - Ele é o meu mestre, através dele pude provar da graça, da verdade e da bem-aventurança. - E onde vive este mestre, perguntou o repórter e ele respondeu que este mestre vivia aos pés do Himalaia, na India.

Naquele instante o coração do buscador vibrou de uma maneira como nunca vibrara antes e em sua mente ele não teve dúvidas! Precisava chegar até aquele mestre, custasse o que lhe custasse!

Ele trabalhou, juntou dinheiro, vendeu parte dos poucos bens - Como ele era um buscador não havia se dedicado ao acúmulo de bens e, por isto, nem se quer possuia uma casa. Passaram-se dois anos, e todos os dias ele meditava a respeito daquele guru.

Chegou o dia! Finalmente! Ele embarcou para a India. Fez escalas, passou horas e horas de vôo, lá chegando precisou pegar o trem, ônibus, taxis, pedir orientações, e dias depois, após todos os seus sacrifícios, ele conseguiu encontrar ao mestre.

Chegando aos pés do himalia ele pediu informações mais precisas de como chegar até ao mestre, quando foi informado que o mestre vivia numa gruta, lá chegando encontrou uma fila de pessoas que esperavam a sua vez, para ter com mestre, ele entrou na fila, e não conseguia esconder a excitação, a ansiedade, por estar prestes a realizar o seu sonho, despertar, conhecer a verdade e, ser assim um homem especial.

Ao chegar a sua vez ele entrou na gruta, ficou surpreso e ao mesmo tempo não podia acreditar no que os seus olhos lhe mostravam, um homem velho, que vestia somente uma tanga, sentado em flór de lótus, com uma vasta cabeleira e de dentes apodrecidos, o que ao ser ver se parecia muito mais a um mendigo do que a um mestre, no entanto, seu olhar revelava algo que ele, o buscador, nunca antes havia vista, uma expressão profunda de paz, certeza, sabedoria e plena realização, com vista nisto, tendo dominado ao asco da primeira aparência ele se sentou em frente ao mestre, que lhe sorriu ternamente!

- Vejo que você veio de muito distante, com certeza não é dessas terras, creio que vieste aqui em busca de um tesouro e, no entanto, o que podes encontrar aqui é um velho homem sem posses, no que posso te ajudar?

- Mestre! Sim eu vim em busca de um tesouro, mas não é de um tesouro comum, mas sim de um tesouro que está acima de todos os outros tesouros da terra!Eu sei que você conhece o caminho que conduz ao despertar, a verdade e a plena sabedoria! O que eu quero saber é; o que deve fazer para alcançar esse tesouro? O que é preciso fazer!

- Não é preciso fazer nada - respondeu o mestre com um sorriso tranquilo e ao mesmo tempo semelhante ao de uma criança amante das traquinagens!

Naquele instante o rosto do buscador se corou, sentiu subir até ele um calor que lhe provocou o rubor, ao mesmo tempo em que um sentimento de ira lhe tomou e ele protestou:

- Como não fazer nada! Depois de viajar milhares de kilômetros, atravessar o mundo, dedicar dois anos da minha vida reunindo condições para bancar esta viagem, acreditando até a última centelha de minha alma que você que você poderia me fazer um homem desperto e você me diz que eu não preciso fazer nada!

O mestro olhou ao homem, sem mudar a sua expressão alegre por um milimitro de pele facial e reinterou:

- Sim! Você não precisa fazer nada! - E explicou - É justamente o fazer alguma coisa que te impede de simplesmente ser e de perceber aquilo que você já é! Nosso ser está além de todo o fazer, de toda a experiência prática no mundo! Eu te pergunto, como pode um homem ou uma mulher tornar-se aquilo que já se é?

Apesar da sua irritação inicial o buscador foi se acalmando, o suficiente para ouvir a mensagem do mestre, e parar para pensar naquela pergunta.

Passaram-se alguns instantes. Um silêncio se estabeleceu de repente, preenchendo todo espaço vazio.

O buscador deixou se levar por aquele silêncio,  pensou por mais alguns instante no que o mestre lhe perguntara, mas gradativamente, o silêncio e o estado de presença que ele sentia se emanarem do mestre, com toda sua aura de tranquilidade, paz, sabedoria, começou a se expandir por todo o ambiente, e o buscador foi deixando se envolver, se envolver. Sua busca naquele momento já não tinha significado, encontrar uma resposta naquela ocasião já não fazia mais sentido.

Ninguém sabe o que se passou com o buscador depois daquele dia, reza a lenda que tendo alcançado a iluminação ele descobriu que aquilo não o tornava especial, e sim igual a todos os seres que na realidade, eram um só ser, desta forma, a sua personalidade, o seu ego, teriam desaparecido, e não mais encontrou palavras para expressar aquilo que estava além das palavras.

Quando o discípulo está pronto o mestre aparece, e quando o mestre aparece, o discípulo desaparece.

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