segunda-feira, 11 de abril de 2011

Domar a Serpente




Há uma opressão própria e intrínseca à existência humana, que Sidharta Gautama chamou em sua primeira nobre verdade de a verdade da existência do sofrimento, o que o fez concluir em uma outra das quatro nobres verdades,  existir também uma causa e origem para a existência do sofrimento.

A opressão é uma dessas causas, tudo aquilo que nos impõe limitações  como indivíduos pode ser considerada uma opressão, o próprio corpo é uma dos primeiros elementos restritivos da consciência humana, pois nos impede devido a limitação dos seus sentidos, de enxergarmos uma realidade mais ampla, tomar consciência de fenômenos mais sutis, de observar com precisão cada causa e efeito decorrente de todas as suas atividades e dos movimentos do mundo a sua volta, assim como exige de nós, esforços para sua manutenção, cuidado, etc.

Decorrente desta opressão, das dificuldades do nosso cotidiano, da luta pela sub existência, do medo constante de diversos riscos e de ameaças consideráveis, nasce dentro do indivíduo aquilo que podemos chamar de "ego" e como alegoria simbólica podemos comparar o ego com a serpente, o animal que rasteja sobre a terra e representa a astúcia, a autodefesa (com o seu veneno), e a inteligência humana ligada a todas as questões da sua percepção material.

A serpente que, desta forma, mora dentro de nós como um arquétipo de inteligência e astúcia, representa também, entretanto, o grande risco de deturpação da nossa razão e do nosso humanismo, quanto maior é o medo do indivíduo diante das dificuldades da existência, maior o risco de que ele venha a se armar, a se fechar dentro de si através da individualidade egoística e inclusive tornar-se violento.

E quanto maior o grau de tensão acumulada em seu interior, decorrente de todas as pressões sentidas de forma tangíveis e intangíveis, maior será o grau de violência e contradições internas que se formarão dentro do indivíduo.

Se pararmos para observar de forma imparcial, tal como se fossemos cientistas de nós mesmos, veremos a violência presente dentro de nós, em nossos julgamentos, em nossas condenações, acusações, quando faltamos com a gentileza, quando respondemos de forma rispída, quando magoamos as pessoas que nos estão próximas, quando exigimos muito de nós mesmos ou nos condenamos e sofremos com a culpa, o remorso, a frustração; quando desrespeitamos ao nosso semelhante ou quando reagimos de forma desproporcional a uma ofensa ou palavra mais indelicada dirigida a nós mesmos.  

Em muitas pessoas esta violência se transforma em agressão física, além de verbal e vemos na sociedade todos os dias, principalmente no Brasil, cujo país tem mais de 70% de armas de fogo portadas de forma ilegal, mortes causadas por motivos banais.

Precisamos nos desarmar em todos os sentidos.

Precisamos domar a nossa serpente!

Somente a paz interior conquistada por meio do desarmar-se, do autoconhecimento, do humanismo, da sensibilização do ser, da ajuda mútua, podem contribuir para que venhamos a domar a nossa serpente interna.

Enquanto a serpente é totalmente selvagem, a inteligência de cada ser humano representa um risco para si e para todos que estão a sua volta, e numa realidade social mais ampla, quando observamos este fenômeno na ciência ou na política, notamos o desencadear de grandes desastres decorrente da falta de consciência e da contaminação do indivíduo pelo desejo de poder, cujas consequências são sentidas por milhares de pessoas que sofrem decorrente da opressão dessas ambições doentias.

Domar a nossa serpente é superar o ego que não somos nós, o ego é uma sub personalidade baseada no medo, na culpa, na autodefesa, no julgamento implacável, na condenação, nos condicionamentos da mente humana, nas reações violentas e também na relação que estabelecemos com o tempo, quando não estamos vivenciado o agora, e sim deslocados no passado ou no futuro, seja devido ao temor, a ansiedade, a culpa, a frustração, mas esta serpente está sempre se deslocando, a partir do momento que descuidamos da vigília, do vivenciar o momento presente, esta serpente se movimenta e ganha força.

É necessário uma revolução interna para domar esta serpente, uma revolução que conduza o ser a um profundo estado de pacificação, de harmonia com o seu interior e com todas as coisas  a sua volta, esta revolução é fundamental para o atual momento histórico da evolução da consciência humana, muitas pessoas já tomaram consciência desta necessidade, mas a grande maioria de toda a humanidade ainda se quer vislumbrou esta possibilidade, no entanto, todos sem nenhuma exceção estão sofrendo as consequência desta inteligência não domada, não polida, existente ainda em estado bruto, primitiva, que encontra-se ainda nos estágios iniciais do seu desenvolvimento.

E você já decidiu domar a sua serpente?

Um comentário:

cleo disse...

Temos que domar a serpente dentro de nosso ser. Aceitarmos a visita do Espírito Santo em nosso coração e mesmo que percebamos que em nosso redor a fúria de outras serpentes chegam como grandes tormentas, a Paz e a Graça de Jesus nos bastará.A Fé em Deus e Atitude nos leva a grandes libertações.A vida será sempre uma revolução interna para alcansarmos a Evolução Espiritual.

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