quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Uma sofisticada distração mental





Para a mente o despertar é uma grande distração.

Ela coleciona livros, pensamentos, ideias, mensagens, vídeos, informações, compartilhamentos, curtidas, ou seja, todo tipo de material com o qual ela possa se divertir, faz disso o seu hobby, sua distração, transforma isto no seu assunto predileto, passa a seguir muitos mestres mortos ou distantes do seu convívio, figuras históricas, lendárias, religiosas, filosóficas, sem jamais fazer ideia do que significa palavras como; entrega ou rendição, usa jargões para justificar a sua "promiscuidade" do tipo: A vida sabe de todas as coisas! Estou entregue a existência! Eu já sou tudo aquilo que procuro...

E realmente, a vida sabe de todas as coisas, basta que um único cômodo do seu castelo de areia mental desabe para advir o sofrimento e a dor, basta uma contrariedade vinda de quem quer que seja, para lhe sobrevir a raiva e o ódio, basta que em qualquer situação de dificuldade ou perda relacionada a dinheiro, ou a relacionamentos amorosos, ou a família, para se instalar uma crise, que impeça o indivíduo de dormir, que tire a sua paz e que abale os seus "nervos".

Para a mente o despertar, não passa de uma grande distração, não passa de uma crença, de um ilusória crença como qualquer outra.


Esqueça o despertar, esqueça a iluminação, seja apenas aquilo que é você, sem justificativas, razões, motivos ou explicações, isto é ser natural, sem nenhum esforço, apenas Ser.

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sábado, 27 de setembro de 2014

Como Receber a Graça do Guru



O Guru é tal como um Oceano, e você recebe de sua Graça à medida do recipiente que você leva até a sua Presença.

O seu recipiente é a sua atenção, o seu foco, sua prioridade... Se mesmo após ser encontrado pelo Guru a sua busca continua, e a sua atenção, o seu foco está disperso em leitura de livros, em ouvir aquilo que outros Gurus andam ensinando por aí, ou o que os Gurus do passado ensinaram aos seus discípulos, isto significa que o seu recipiente é medíocre, como poderá então esperar receber a Graça do Guru? Como pode esperar que um trabalho real aconteça se a sua entrega não é real?

Qual é a sua dificuldade em confiar na Graça?

Todo resultado do trabalho que aqui acontece, se deve apenas a um fato, a confiança naquilo que o meu Mestre me transmitiu, a confiança e a entrega, que me conduziram a aquietar-se em sua Presença, sem isto, tudo continuaria no mesmo engano, no mesmo engano da mente em sua busca infinita e ineficaz.

Sem uma real entrega não há um real trabalho.

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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Um Perfeito Idiota Feliz


Um verdadeiro tesouro é tão raro e desconhecido, que é comum que ele passe desapercebido. É difícil reconhecer um tesouro que não te traga status no mundo...

A paz, que é ausência de conflito e medo, é um tesouro incrível, e se você vive este tesouro, você passa desapercebido no mundo...

A alegria sem motivos, que nasce deste contato direto com a vida, sem a separação entre uma entidade que vive a vida e a própria vida, com a sua essência, com a simplicidade do próprio viver, é um tesouro incalculável, que quando você o desfruta, é mais comum que te achem um perfeito idiota do que um alguém que está a desfrutar de uma riqueza...

O amor incondicional, livre de possessividade, de intenções, de barganhas e exigências, é um tesouro, que te revela que você é amor, e o amor te trás completude, e isto é irreconhecível e incompreensível para o mundo...

Os tesouros presentes neste "Estado Natural" não têm valor no mundo, não lhe dão destaque, status, poder, não te transforma em "alguém importante", ao contrário, te faz parecer um homem comum para todos, ou até mesmo medíocre...

Por isso, o real despertar é algo desapreciado, quem afinal está disposto a se tornar um nada? Um ninguém? Quem está disposto a morrer para todas as imagens, para todas as conquistas, para todas as bênçãos tão apreciadas no mundo? Quem está disposto a abandonar todo conhecimento, reconhecer este não saber, esta não necessidade de saber e se parecer assim um perfeito idiota feliz?



terça-feira, 17 de junho de 2014

Uma poesia escrita sem palavras



Cada segundo em "minha vida" é como uma poesia escrita sem palavras, ou com palavras que não possuem sons e nem símbolos, o intraduzível, a canção cuja melodia jamais pode ser conhecida, mas que o coração jamais deixa de cantá-la.

É engraçado dizer qualquer coisa a respeito disso, é como tentar reter a água entre os dedos, é como traduzir para o cego as cores ou como explicar a uma criança a origem da vida, algo completamente sem sentido, e no entanto, as palavras não deixam de brotar, tentando transmitir o incomunicável.

Na verdade a todo minuto a vida apenas lhe faz um convite que é este:

Encontre aquilo que você é de fato!

Leve esta busca até as últimas consequências, você nunca terá nada a perder, porque de fato você não possui nada mesmo, e é só neste nada que o todo pode se revelar, e nada além deste todo, poderá verdadeiramente satisfazê-lo.

Não existe nenhuma verdade a ser descoberta, revelada ou desvendada, viver a verdade daquilo que é você, é a única verdade.

E neste dia cada segundo de sua vida, será uma poesia sem palavras, ou com palavras que não possuem som nem símbolos, a cada segundo vibrando intensamente, milagrosamente, deixando-te maravilhado, e te consumindo no fogo da verdade, do amor, da liberdade, da felicidade, cujo espaço não poderá comportar você, somente o todo...

Só quando você se descobre completamente vazio, é que o todo se revela, e sem você a verdade se faz presente, sem som, sem palavras, sem vestes, imagens, além da mente, além de todas as ambições, além de todos os desejos, de todos os medos e imaginações.
 

Volte-se para si, pois você é a fonte, o Big Bang, o princípio e o fim de todas as coisas, você está além do mundo, descubra-se, desnude-se e desperte!

Seja você mesmo a oração, a verdade, o Cristo, o Buda, Deus, porque não há nenhum Deus além daquilo que é você, descubra-se, desnuda-se, esvazia-se, desapareça e simplesmente seja àquilo que é você sem você. Desista de tentar outra coisa, apenas seja... Amém...

terça-feira, 10 de junho de 2014

Resposta a uma Estudante de Um Curso em Milagres



Não sinto de te responder suas perguntas no momento, de coração, vejo muito claramente que este não é o caminho através do qual eu possa te ajudar, você não precisa do saber, mas valoriza muito o saber, aqui onde estou o saber não tem nenhum valor, as palavras não retratam a realidade, perguntas e respostas não conduzem a verdade, não é possível descrever o indescritível, não é possível conhecer o incognoscível, não se pode ensinar o amor... 

Você é a suprema realidade, para estudar a suprema realidade você precisaria se separar da realidade, para vê-la fora de ti e a partir deste olhar descrever, experimentar, vivenciar e conhecer a suprema verdade, mas isto é impossível, porque é impossível que você possa se separar daquilo que é você... Só é possível olhar para a ilusão e deixa-la solta, para que o milagre possa desfazer as memórias relacionadas a um mundo que já acabou... E como o milagre pode te alcançar?

Primeiro você precisa abrir mão de todos os julgamentos, precisa chegar ao seu juízo final, o curso nos deixa muito claro que não temos condições de julgar. Mas julgar aqui é muito mais amplo do que o juízo de valor moral e ético de que descreve através de determinados padrões variáveis em cada cultura e em cada época, impondo o que é o certo e o errado... Julgar é acreditar e agir na crença de que podemos conhecer e alterar a realidade, é a crença de que podemos afirmar o que é, ou o que não é a verdade, é a confiança que damos ao nosso saber, ao nosso conhecer e ao nosso entender e explicar a verdade, e todo este julgamento que julga-nos capazes de conhecer, compreender, entender e explicar, precisa ser deixado de lado, através do desistir de todo julgamento, através deste reconhecimento de que não temos condições de julgar.

Segundo, abandone todo movimento no sentido de querer saber, abandone todo juízo, e mergulhe neste não-saber, só aquele que mergulha neste não-saber pode viver o perdão. No perdão o seu olhar é o olhar de pura inocência, você abandonou todo julgamento e você não mais distingue nenhum irmão do outro, não mais separa os estados internos que se manifestam e se apresentam diante de ti. Se surge a tristeza você não a julga como tristeza, você apenas observa o movimento deste estado interno e o deixa solto, porque ele apenas está passando, é apenas um movimento, como o de um pássaro cortando o céu, a mesma atitude você mantém em relação a todos os outros estados, como o medo, o desejo, a raiva, o prazer, a dor, o desânimo, a euforia e tudo aquilo que pode ser experimentado você deixa solto e entrega-os todos ao Espírito Santo, assim como entrega todas as suas relações...

Você não mais separa seus irmãos entre evoluídos e primitivos, entre aqueles que estão despertos e aqueles que se encontram no sonho, entre certos e errados, tudo o que você vê como sendo assim, nasce do seu julgamento e da sua colaboração na projeção de memórias de um mundo que já não existe mais...

Quando você desistir de tentar entender, de compreender, de explicar, de julgar, de obter conhecimento, começará a nascer um silêncio interno em ti... Quando você olhar com os olhos da inocência, que é o olhar que nada julga, nada distingue e nada separa, este silêncio começará a se intensificar dentro de ti...

Quando puderes abrir o curso em milagres e lê-lo, mas com uma disposição de entrega e olhares apenas para a beleza de sua poesia e se permitir se encantar pelo perfume do sagrado, sem nenhuma preocupação de entender ou julgar o amado, mas apenas manter esta disposição de entrega, confiança e rendição, que é só o necessário..., aí saberás como é preciso ler Um Curso em Milagres... É nessa disposição de entrega e confiança que a mente se aquieta e que a comunhão do encontro santo pode alcança-la, que o milagre pode acontecer, e que a revelação pode ser realizada, porque a lembrança de Deus vem a mente quieta e o encontro santo se torna disponível neste olhar inocente que é o olhar do perdão, e neste silêncio da total ausência de julgamentos.

Esqueça suas perguntas e mergulhe nisso...

Eu não tenho mais respostas para suas perguntas, só posso compartilhar com você aquilo que trago em meu coração, e te incentivar a mergulhar, nessa paz, nessa inocência, nesse não-saber, neste relaxar, neste confiar, neste abandonar-se, nessa entrega aquilo que é... se quiseres prosseguir comigo apenas segure as minhas mãos...

É assim.


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domingo, 27 de abril de 2014

Somos as grades de nossa própria prisão imaginária




Pensar é um hábito que acontece de forma automática e inconsciente.

O pensamento está a todo tempo em atividade, ora estamos avaliando nossos próximos passos, planejando, tentando decidir o que fazer, sem perceber que a vida simplesmente acontece, o que estiver destinado a acontecer, acontecerá independente dos nossos pensamentos, de nossos planos e ora estamos tentando ajustar o passado, justificando-o, interpretando-o, para torná-lo aceitável às nossas conveniências.

Ora estamos julgando a nós mesmos ou aqueles que estão a nossa volta, temos dentro de nós já programado toda a base daquilo que consideramos certo ou errado, de acordo com a educação que recebemos e a nossas próprias tendências determinando o que nos é conveniente,  basta ver um ação de alguém que esteja ao alcance de nossas vistas e que não esteja de acordo com aquilo que julgamos como o correto (dentro desse nosso background), para o pensamento de forma fulminante condenar tal ato, ridicularizar o outro, trucidá-lo, não levando em consideração naquele momento, a nossa impossibilidade em atender as nossas próprias exigências com relação ao nosso próprio agir, a famosa cena da imagem alegórica do macaco sentado sobre o próprio rabo o escondendo e apontando para o rabo dos que estão a sua volta.

E isto é repetitivo, estamos a todo tempo sendo levados por este hábito de julgar,  julgamos principalmente a nós mesmos, a mente nos traz a lembrança de uma ação passada e nos frustramos, nos martirizamos, e o pensamento de forma automática nos dizendo -"você não deveria ter agido daquela forma" ou "você deixou de fazer aquilo que era tão importante", "você não pode deixar passar a próxima oportunidade", "você precisa provar para fulano que você não é assim, que você é isto e aquilo", "você precisa mudar a sua vida" e para explicar seus argumentos, a mente tem por hábito justificar a todo tempo, porque pensa desta ou daquela maneira, porque age desta ou daquela forma, e o diálogo interno segue julgando por horas, como se houvesse um multidão de vozes internas dialogando em nossas cabeças, e isso é esquizofrenia.

E o julgamento não é apenas moral, no sentido de julgar comportamentos com base no certo e no errado no que concerne as regras do bom convívio social, o julgamento também é a crença em nossa capacidade de compreender a realidade, explicando-a, avaliando-a e analisando-a, sem perceber que o pensamento através deste condicionamento apenas cria uma realidade a parte, porque a interpretação da realidade não é a realidade, mas uma distorção, uma sobreposição da realidade, a mente nos apresenta um mundo que retroalimenta a si mesma, e nós somos arrastados por crenças, e por este automatismo de pensamento, criando um mundo, um universo que só existe dentro da própria mente.

 
E nossas emoções estão todas linkadas aos pensamentos, emoções são programações constituídas pelo pensamento, arraigadas, cristalizadas, reagimos emocionalmente de forma automática, com base em informações pré fixadas, como se fôssemos atores, surge a cena de uma criança nascendo na família, fique alegre, sorria! Um parente próximo ou um animal de estimação vem a falecer, chore! Você inicia um novo relacionamento, comemore, celebre, fique feliz! Um relacionamento acaba, luto, julgue o outro como responsável, tenha certeza que deu o seu melhor, e procure um outro relacionamento para substituir por este e se vingar, ao mostrar que você agora estará bem com um outro, prova de que o problema realmente não estava em você! E assim há uma lista imensurável de reações já programadas e agimos como robôs, condenando a segunda-feira e celebrando a sexta.

Jamais haverá satisfação e felicidade na mente, mente é medo, é o constante temor de saber que aquela realidade concebida por ela é frágil, que a qualquer momento aquilo que não está dentro do esperado, simplesmente acontecerá sem pedir nenhuma licença ou aviso prévio, tudo aquilo que você acredita ter, você irá perder, e mesmo assim a mente lhe arrasta para o sentimento de posse, de ganância, de desejos, e lhe aprisiona mais e mais, dentro de um mundo imaginário que você acredita ser real, porque você acredita naquilo que a mente lhe diz a seu respeito, a respeito dos outros e a respeito do mundo, quando de fato só há a vida, não há você, nem o outro e nem o mundo, mas só a existência acontecendo naquilo que não acontece, que é base, o espaço, onde o ir e vir de todos os fenômenos surgem temporariamente.

Sem um trabalho real, que conduza a atenção em nós a reconhecer os truques da mente, seus hábitos arraigados, sua estupidez, sua limitação, sua arrogância, sua vaidade, que nada mais são que crenças, que tráfego de pensamentos, permaneceremos presos a esta teia, a este emaranhado de percepções, sensações, registros, padrões, que determinam nossa aparente realidade, nos confinando num ciclo de sofrimento, miséria, indecisões, medo, dentro de uma busca interminável, gerando um desgaste de energia incalculável, nisso desconhecemos o que é viver dentro de uma real vitalidade, dentro de uma real satisfação, real gozo, real bem-aventurança, viver é para nós um peso sem fim, uma luta diária, e não uma celebração da existência, nos sacrificamos em nome de pequenos e fugazes prazeres que estão todos encobertos pelo medo e pela dor.


Ninguém que esteja identificado com a mente pode fazer ideia do que é viver livre de julgamentos, livre da prisão do pensamento, e não podem se quer imaginar a felicidade presente no Ser, cuja energia não se esvai para manter uma base de vida que não é real.

Sem um real trabalho sobre nós mesmos, a mente não nos permite perceber que estamos numa prisão, que estamos na miséria, e ainda nos convence de que esta é a realidade última da vida, e nos motiva a disputar, a concorrer com aqueles que estão a nossa volta, num intenso investimento na superfície, em aparências, do tipo; quem pode se vestir melhor dentro dessa prisão, quem pode ter a melhor cela para morar, o melhor carro para se movimentar nesta prisão, a melhor formação, sem perceber que estamos dando a vida em troca da manutenção e continuidade desta farsa, desta mentira, dessas correntes que nos aprisionam, e ainda queremos estar numa posição melhor que o outro, todos iludidos pela mente, acreditando ser alguém na vida, acreditando em sua posição na vida, valorizando o seu senso de autoimportância, sem perceber que toda esta importância que damos a nós mesmos, é o alimento que esta mentira necessita, que a mente precisa, para manter o seu reinado de ilusões.

Não há liberdade na mente, a mente é a prisão, é miséria, é limitação, hábito, padrões, apenas um tráfego de pensamentos, que acontece dentro desta inconsciência, onde a atenção é capturada e transformada em força motriz, em energia vital, para dar continuidade a esta Matrix, que é um sistema que cria um mundo a parte de realidade, e que nos mantém aprisionados a ela, sustentando-a, dando literalmente a vida, como se ela nos fosse real, como se ela fosse a nossa conquista, a nossa glória.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Perdidos nos Labirintos sem saída da Mente e com Muito Orgulho!


Você se distanciou tanto do seu natural, a ponto de esquecer de quem é você de fato... E quem é você de fato, não tem perguntas e nem respostas, não tem onde chegar e nem o que procurar... Mas você agora, parece estar muito longe do marco zero, do ponto onde você começou a entrar por um labirinto, e dentro dessas experiências acumuladas neste labirinto, foi que surgiu através do registro e das impressões dessas experiências, a ideia de um você presente nessa jornada, um você que não é você, e este você que não é você está completamente perdido... 

E a mente está te dizendo: - Você pode... Siga em frente... Você pode chegar lá...  Mas quanto mais caminha, mais se distância...  A questão é reconhecer que a pessoa não tem solução e está perdida, e não pode se encontrar... Esta falida, e só pode descer ainda mais, cavar ainda mais fundo no seu poço...  

Sem a presença de um Guru, que é aquele que se encontra fora do labirinto, é praticamente impossível para todos, sair desta prisão... Mas a mente é muito cheia de orgulho, de vaidade, ela não consegue reconhecer que o Guru, a Graça, a Presença não está separada daquilo que ela é, mas a mente tem suas defesas, seus milhares de truques para se manter, porque a mente só pode existir dentro dessa confusão do labirinto, o labirinto é a sua vida, é a sua base, sua história, ela não quer que ninguém se liberte do labirinto...  


Por isso ela é anti-guru, com o exemplo de gurus fabricados pela mente, ela generaliza, e diz que nenhum Guru pode ajudar, a mente diz que você pode ser uma luz para si mesmo, mas quem é este si mesmo? Onde está este eu que pode ser uma luz para si mesmo? E quem é você? Você já está fora do labirinto? Há profunda paz aí? Você não é mais desse mundo? Está além do mundo e nada mais pode te afetar, nenhum acontecimento, nenhum fato que pareça acontecer? Não há mais conflitos aí? Você vive em verdade, paz e bem-aventurança?  

Só o desperto pode falar sobre o despertar, aquele que se encontra nos labirintos da mente só pode imaginar, e a imaginação é prisão, a filosofia é prisão, olhar para o outro ao invés de olhar para si é uma prisão, acreditar que não precisa de um Guru é uma prisão, um pensamento reativo. Antes do real "Despertar" toda ajuda é bem vinda e necessária. Mas você acha mesmo que a mente reconhecerá isso? Reconhecerá aquilo que pode conduzi-la a morte? 


"Gratidão eterna ao Mestre Marcos Gualberto"
 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Ser é a Fonte Única da Verdade




Imagine uma flor no jardim, reclamando do mundo, falando de suas dificuldades, dos seus medos, das suas tristezas, das injustiças sócio-política-econômicas, você acha que ainda assim a sua beleza seria radiante? 

Ela tem uma vida tão curta... Está aqui apenas para compartilhar da sua fragrância, da sua naturalidade, de sua beleza... 

Nós também somos como flores, se apenas sermos aquilo que somos, aquilo que a vida nos destinou a ser, também compartilharemos a nossa beleza, nossa fragrância... 

Mas quando queremos nos tornar a mais bela flor do campo, quando desejamos nos tornar especiais, já começamos a perder a nossa radiância... 

Quando começamos a reclamar ou a querer mudar o mundo, desaparecemos com o maravilhoso aroma de nossa fragrância...

Quando desejamos ser alguém na vida, mais importante que a própria vida, quando queremos nos tornar criaturas evoluídas, donos de um grande saber capaz de "explicar", "consertar" aquilo que está "errado" com a vida, esquecemos inclusive que somos essas belas flores no jardim de Deus...

Ser é a fonte única da verdade, não há nada fora para ser conquistado, compreendido, explicado, consertado... Ser é a única chave... Ser aquilo que é você!


"Gratidão Eterna ao meu Mestre Marcos Gualberto"

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Você pode se permitir esta simplicidade, esta vulnerabilidade, esta ausência de si mesmo?




Você pode se permitir esta simplicidade, esta vulnerabilidade, esta ausência de si mesmo?

Nesta simplicidade você simplesmente é um com a vida, você não se opõe a nada daquilo que se apresenta, você não decide mudar o mundo, porque descobre que não há nada para ser mudado e que você não existe para mudar alguma coisa. 

Nessa simplicidade você não é importante, você é como um pequeno pássaro, frágil, vulnerável, que nada sabe, nada conhece e que não está preocupado em saber, em conhecer, você apenas flui com a vida...

Você pode abrir mão do julgamento, abrir mão da análise intelectual, das discussões filosóficas e a admitir a sua completa ignorância? Você pode simplesmente ser como uma criança diante da imensidão e grandiosidade da existência?

Se você não puder admitir esta simplicidade, esta vulnerabilidade e esta ausência de si mesmo, você não pode conhecer a paz, a sabedoria, você não pode conhecer o Ser, não pode ter este encontro com a verdade. 

A verdade que não é um conjunto de palavras, de explicações, a verdade que é a unidade de todas as coisas, a verdade que é a ausência de separatividade, que é a ausência de um eu, que é o fim do sentido de uma identidade separada...

"Gratidão Eterna ao meu Mestre Marcos Gualberto"

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Os Pobres de Espírito São o Reino dos Céus





Se você adquiriu algo em Satsang jogue fora.

Satsang não é um ensino, todo e qualquer ensinamento é uma tentativa de substituir um condicionamento por outro, todo ensinamento por mais sutil que seja, não deixa de ser um adestramento... 

Tudo aquilo que pode lhe ser adicionado, também pode lhe ser tirado porque isto não é você.

Um Mestre não lhe dá nada, ele te conduz ao reconhecimento daquilo que você é, e mesmo na presença do Mestre a mente tenta adquirir conhecimento, ensino, entendimento, para poder interpretar a verdade, reconhecer o que é ou não ilusório, e para que? Para se tornar especial, para se tornar alguém importante, para adquirir destaque, para cumprir o seu propósito divino, e tudo isto é um grande truque da mente.

Se até mesmo diante de um Mestre isto acontece, quem dirá aqueles que dedicam parte do seu tempo lendo livros, assistindo vídeos, postando lindos textos no facebook? Se o encontro consigo mesmo não é um ensino, como pode este amontoado de palavras e símbolos inventados pela mente, conduzir a este reconhecimento? O único reconhecimento possível na mente, é o reconhecimento da mente, não do Ser, por esta razão, há muitas discussões nas redes sociais sobre a verdade, cada um discordando do outro, e disputando qual é o dono da razão, tudo isto produzido por um ruído mental próprio daqueles que de forma agressiva acreditam possuir a verdade... 

Satsang é um chamado da Graça, não para o início de uma busca, não para adquirir alguma coisa ou conquistar algo, mas para diante da Presença se render, parar, desistir, tornar-se aquilo que já és, uma testemunha silenciosa, que possa mergulhar no coração dessa presença, e permitir se dissolver diante da verdade, a verdade é implacável, ela não pode permitir a sua entrada em seu reino, aqui é o limite, se você prosseguir permanecerá no campo das ilusões da mente, se aqui você desistir e se render irá desaparecer, porque de fato, você jamais apareceu, e a partir disso, só há a verdade.

Portanto, se você adquiriu algo em Satsang, jogue fora, se adquiriu informações sobre a verdade em livros jogue fora, se você possui conhecimento para iniciar grandes discussões sobre a verdade jogue fora, se você trás muitas experiência do passado, com grandes vislumbres jogue fora, este é o espaço da estaca zero, os espertos aqui são os idiotas, e os idiotas, que se permitem confiar num Mestre são os pobre de espírito (e não diria que a eles pertencem o reino dos céus, mas que são eles próprios o reino dos céus), porque a partir daqui, não há mais nada para se adquirir, conquistar, atingir, esses descasaram em sua tolice, esses pobres seres que não são ninguém, que não sabem nada, que não adquiriraram nada, ou simplesmente jogaram fora tudo aquilo que haviam adquirido, e que apenas vivem em felicidade e em liberdade, esses pobres seres...

 "Gratidão Eterna ao meu Mestre Marcos Gualberto"


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Liberdade significa viver além de todos os acontecimentos




Nada daquilo que parece acontecer, tem de fato, alguma coisa haver com aquilo que é você. 

Você é aquilo que não acontece e que não pode ser tocado por acontecimentos.

Acontecimentos são fenômenos de natureza temporal, que apenas aparecem para depois desaparecer.

Só uma ideia nascida de uma identificação, tomaria posse de um acontecimento, como se ele houvesse acontecido para você, que passa a fazer deste ocorrido uma história pessoal, e toda história pessoal não passa de uma sobreposição de uma ilusão a respeito daquilo que é você. 

Você não pode expressar quem você é, acreditando ter uma história pessoal, pois aquilo que é você, está além de todas as histórias, e como já dito, além de todos os acontecimentos...

Por qual razão, então, você se abalaria diante de um acontecimento? Se você puder apenas ser uma testemunha daquilo que acontece, ou simplesmente parece acontecer, não poderá sentir abalo algum, mas se você acredita que, todo acontecimento dá forma a sua história, então sem dúvidas, você estará encrencado, o sofrimento será inevitável. Ser alguém é sofrimento, e todo sofrimento precisa de uma história que o justifique.

Ou você deixa de dar importância a esta história que de fato, não é sua, ou você continuará se confundindo com acontecimentos, sofrendo por fatalidades e se alegrando com momentos prazerosos, vivendo esta falsa esperança de felicidade, tentando ter o controle sobre a realidade, determinando através dos seus esforços a repetição de momentos prazerosos e se esforçando ao máximo, para evitar que acontecimentos desagradáveis possam vir a tona, como se isso fosse possível, até porque no fundo, todo acontecimento é desagradável, porque mesmo o prazer, ele está apenas passando, é fugaz, não preenche, apenas lhe transforma num escravo, e como pode ser agradável, viver como um escravo? 

Toda a identificação dada para um acontecimento, dando-lhe uma identidade de um alguém presente no acontecimento, o torna desagradável, seja no prazer ou na dor. E todo acontecimento é apenas um acontecimento, quando não há alguém nele.

Liberdade significa viver além de todos os acontecimentos, de todo o ocorrido, liberdade significa viver sem histórias, liberdade significa viver sem dar identidade a manifestação da vida presente, só há liberdade nesta impessoalidade. A pessoa é e sempre será uma escravidão.


"Gratidão Eterna ao meu Mestre Marcos Gualberto"

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O 'eu' é dispensável



Todas as palavras que digo não digo por mim mesmo. Primeiro porque todas essas palavras já estavam aqui antes de haver uma ideia de um "eu mesmo" presente aqui. Segundo porque o concatenar dessas palavras dentro de uma determinada sequencia lógica, também é algo peculiar a mente, e a esta programação mental, nada a ver com este "mim mesmo".

Logo, tudo o que digo é apenas um dizer sem um real significado, alguns concordam com o que escrevo e digo, outros discordam, mas isso dá completamente no mesmo, afinal, quem aqui está dizendo alguma coisa?

Concordar ou discordar, discutir ou argumentar, tudo isto é uma grande perca de tempo. Se você acredita que pode investigar isto "por si mesmo", siga em frente, investigue, vá a fundo, dê tudo por isso, e mantenha o foco cem por cento em responder de fato a pergunta: quem é você?

Aqui o que posso dizer, é que esta visão só se tornou clara, quando a Graça (que sou eu mesmo, porque não há nada além da Graça), se Manifestou na forma de um Guru, e permitiu que este "eu" que acreditava existir, separado de sua fonte, à parte da vida, como uma entidade separada do todo, pudesse ser colocada em xeque, ao ter todas as crenças destruídas, todas as suas certezas confrontadas, e todo o seu saber reduzido a nada. 

E agora? Agora tudo é como É! Como sempre foi e nunca deixou de Ser. Este"eu" era dispensável e para a vida ele realmente nunca existiu, graças a Deus!


"Gratidão Eterna ao Meu Mestre Marcos Gualberto"

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O Poder Destruidor e Transformador do Encontro com a Verdade (Satsang)



Satsang é a abordagem mais desafiadora que existe para a estrutura egóica, com todos seus condicionamentos que ela traz, tal como uma crosta sobre esta estrutura corpo-mente.

Praticamente todas as outras abordagens, trabalham apenas mudanças superficiais, cortando galhos de problemas, um aqui e outro acolá, que de tempos em tempos sempre voltam a nascer.

Satsang vai a raiz da questão, e de forma radical elimina a ideia de um sofredor, de um buscador, dentro do corpo. Destrói desta forma o pilar desta ego-identidade que nos faz crer sermos aquilo que não somos, entidades separadas da vida, do todo, do vazio, do cosmos, de Deus, ou simplesmente daquilo que podemos chamar de totalidade.

Satsang não lhe dá nada e não te conduz a nenhum lugar, apenas te revela que você não necessita de nada e nem de chegar a lugar algum, porque você se encontra onde precisa estar, você nunca saiu daí, e você já é tudo aquilo que procura, neste não-ser você é, e no ser que acredita ser, você não é nada...

E nada daquilo que pode ser descrito, pode revelar aquilo que é você, portanto, Satsang desafia todas a crenças, principalmente a crença de que você é uma pessoa, vivendo dentro de um corpo, como uma entidade separada do todo, isolada por debaixo de uma camada de pele e osso.

E não há nada comparado ao Satsang presencial, é diante deste espelho vazio que é o Mestre, que podemos ter refletido o abismo que somos, o abismo que não tem fim e que não pode ser descrito.

É vir para ver, não para aprender qualquer coisa ou acumular mais informações e conhecimentos, mas para se despir de tudo aquilo que foi acumulado durante anos, e que agora oculta a sua natureza essencial, seu estado natural.

Aqui você abre mão de todas as muletas, e "mergulha profundamente" nisso que é você. 

Satsang não lhe dá nada, mas lhe tira todo o lixo que encobre a sua verdade, e como consequência disso, a paz, o amor, a felicidade, a liberdade e a bem-aventurança passam a ser vivenciados permanentemente, não como uma experiência mas como expressão disso que é você em seu estado natural quando o estado de Presença se assenta no organismo, assim como não há um segundo se quer, em que a Graça não se faça presente, da mesma forma, você deixa de se confundir com as fantasias e imaginações da mente, que cria um mundo de separação e medo, que só existe para esta ego-identidade. 

Uma vez desfeita esta ego-identidade toda a imaginação de sofrimento e medo, do jogo da separação desaparecem...

Aqui fica um convite, um chamado. Venha ao Satsang! E deixe que a vida realize a si mesma nessa entrega, nessa meditação, nessa auto-investigação, fazendo com que você seja aquilo que você é: Paz, Silêncio, Felicidade e Liberdade.


"Gratidão Eterna o meu Mestre Marcos Gualberto"

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A Única Solução é a Dissolução do Buscador





A natureza do buscador é a insatisfação, é a negação do presente momento. 

Não importa o que o buscador encontre em sua busca, a insatisfação permanecerá, não importa o quanto ele acumule, sua miséria continuará. 

A única solução é a dissolução do buscador. 

O buscador desaparece e em seu lugar fica aquilo que É. 

E aquilo que É, é pleno, completo, íntegro, total e inteiro, jamais deixa espaço ou lacunas que necessite de algum preenchimento ou da presença de algum imaginário buscador...

O buscador precisa ser visto, todos estão em busca de algo, não me refiro somente ao assim chamado buscador espiritual, todos aqueles que de alguma forma ou outra buscam por felicidade, por prazer, por completeza, toda identidade por de trás da busca, seja esta qual for, nessa identidade está a ilusão. 

Olhar com profundidade para este buscador, permitir que ele seja desmascarado, permitir que todas as artimanhas sejam vistas num silencioso testemunhar, revela a farsa, o sonho, por de trás desta colossal ilusão. 

Sejamos como aquela bonequinha de sal na água, que vai aos poucos se dissolvendo, na medida que permanecemos expostos a "corrente de presença" em Satsang. 

E em Satsang tudo acontece sem a nossa participação, não fazemos ou realizamos coisa alguma, este é um trabalho da Graça, que é esta Presença, que é o Guru e que é tudo aquilo que pode nos fazer recordar, "vivenciar" essa Presença. 

A única coisa a ser feita, e que não é um fazer, é estarmos expostos a esta Presença, e a distância da sangha, quando espontaneamente surge a lembrança desta Presença, estar exposto a esta lembrança.

Não há mais nada que que possa ser feito, e isto para o ego que é um fazedor, é a morte, esta identidade egóica para ter sua continuidade, precisa sempre fazer, realizar alguma coisa, e tudo o que podemos fazer, fora de Satsang, é reafirmar esta identidade. 

Estar em Satsang não significa necessariamente, estar diante de um Guru em forma humana. Estar em Satsang é estar diante de sua Real Natureza, aqui foi necessário a presença deste límpido espelho (O Guru), para que a Consciência pudesse voltar-se para si mesma. E neste trabalho, nunca esteve presente um fazedor, um buscador, diante de sua Real Natureza toda busca desaparece, e um trabalho de reconhecimento tem início. 

Este trabalho é concluído na morte completa e plena da identidade de um buscador, que é a morte de uma ideia, de uma crença, de fato, não há nada acontecendo, seja naquilo que chamamos estar dormindo, seja naquilo que chamamos estar desperto.  Só há a consciência completa e plena em si mesma, e nada além....



"Gratidão Eterna o meu Mestre Marcos Gualberto"



quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Desapareça e o que aí permanecer é autorrealização


A autorrealização não pode ser alcançada, pelo simples fato de que não há ninguém para alcança-la. 

Autorrealização é tudo que se faz presente como expressão da realidade do Ser, quando a mente não está se sobrepondo aquilo que é esta realidade.

Quando a ideia cristalizada de um "eu" presente dentro do corpo, como uma entidade separada da vida, se dissolve, tudo o que fica é aquilo que sempre foi e nunca deixou de ser, que é a realização do Ser, por isso mesmo, o próprio termo autorrealização como autoconhecimento são inadequados, pois dão a ideia de um "eu" não-realizado e que não se conhecia e que de uma momento para o outro passou a se conhecer e se realizou, o que não é real, o que ocorre de fato dentro de um trabalho voltado para o reconhecimento da verdade (Satsang),  é uma auto-investigação, acompanhada de meditação e entrega, que desfaz todos os bloqueios e de todas as prisões imaginárias que impedem ao organismo de simplesmente viver assentado em seu natural.

Quando não há mais resistências a nada daquilo que se apresenta diante dos olhos, apenas um sim a tudo isso que se mostra, quando há um relaxar pleno diante da vida, quando a paz se faz presente de forma contínua, e a felicidade não está mais associada a acontecimentos, a histórias, a motivos, àquilo que vem e vai e brilha reluzente e permanentemente, quando o ser no organismo se encontra ancorado no imutável e, aquele que retornou ao seu estado natural descansa nesta imutabilidade, quando isso assim se apresenta em um corpo humano, isto é o que chamamos de autorrealização. Sem necessidade de prodígios, milagres, mistérios, sinais, nada disso, apenas esta felicidade, esta paz, este relaxamento, este sim, apenas a "cristalização" do estado natural no corpo.

Desapareça como um alguém, como uma pessoa, e o que fica é a autorrealização. Nesta desistência completa de alcançar alguma coisa, chegar a algum lugar, de descobrir a verdade, de desvendar o mistério da vida, de ser isto ou aquilo, de sua auto-importância, de sua ego-identidade, de sua presunção e arrogância, de suas ideias e crenças, de seus condicionamentos, nesse desistir completo, já se encontra a autorrealização.

Autorrealização é Ser e ser não requer nenhum esforço. Todo o esforço lhe tira desse estado relaxado de simplesmente ser. Só alguém pode estar em busca de alguma coisa, só alguém em sua tensão, em sua insatisfação, em sua miséria, pode ser um buscador (busca dor), em sua crença de ser alguém.

Para muitos um trabalho diante de um mestre, que é um espelho vazio perfeito e necessário para olharmos e redescobrirmos a nossa própria realidade, é essencial. Para outros uma crise violenta, capaz de levá-los a beira da loucura, do suicídio, do colapso, é o meio para quebrar esta estrutura egóica, e para alguns uma busca de uma entrega total, completa, de um anelo que possa consumir com o seu fogo todas as ilusões levando a total apatia e desinteresse pelo "mundo" pode levar a exaustão que o conduza a beira deste colapso, para quebrar esta mesma estrutura egóica.

Não importa qual seja o caminho, porque não há realmente um caminho para que seja caminhado por alguém. A vida conhece e realiza todos os caminhos que são um só, ela mesma. Portanto, se você chegou até aqui, você de fato não chegou até aqui, mas a vida, determinou que você aqui estivesse.

"Gratidão Eterna ao meu Mestre Marcos Gualberto..."

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Os Pilares e os Alicerces da Ilusão



Nunca vi uma criança preocupada em alcançar a iluminação, atingir o despertar, com crise existencial, ou que deseje melhorar o mundo ou a si mesma. 

É preciso adquirir muito lixo, tornar-se em um adulto auto-centrado em suas ideias miseráveis, para em algum momento sentir o peso da identificação com toda essa ilusão, e no desespero da dor e do sofrimento, buscar desesperadamente uma saída, ou na ambição própria daquele que é miserável, buscar algo que o torne especial, alguém de destaque, iluminado, desperto, conhecedor dos grandes mistérios da existência...

Precisamos olhar para isso e admitir, somos por demais presunçosos e arrogantes, e donos de uma ambição sem limites. Mesmo quando dizemos: - A única coisa que eu desejo de fato é o bem para todos - somos incapazes de perceber algumas implicações por de trás dessa afirmação, primeira o medo, quando desejamos que todos estejam bem e em segurança, é para que desta forma, possamos também estar em segurança contra qualquer ameaça, se todos os seres humanos estão satisfeitos, logo eu não serei assaltado, ameaçado, assassinado, não correrei o risco de cair na mais profunda miséria, perder minha casa e passar fome, ou seja, o que há por de trás deste desejo altruísta é medo, e segundo, eu sei mesmo o que quero dizer com "o bem de todos"? O que eu chamo de bem? Estabilidade financeira, condições econômicas igualitárias e serviços sociais como educação, segurança, saúde, previdência privada, dentro daquilo que considero nos conformes? Será que aqueles que vivem em países subdesenvolvidos não percebem, que tais condições favoráveis não redimem o homem da sua miséria humana, que em muitos países que alcançaram essas condições, possuem altos índices de suicídio (como por exemplo o Japão, com 21,9 atos de suicídio para a cada 100 mil habitantes em 2012), ou seja, então onde se encontra este bem para todos? Você se considera como sendo o corpo, logo toda sua ideia de bem está relacionado a ideia de corpo, sendo assim, todo o seu altruísmo nasce apenas do instinto de auto-preservação, dentro dessa programação biológica do próprio organismo, não existe nisso você como pessoa, como alguém, determinado o seu grande e nobre ideal.

O fato é que estamos condicionados por um sem número de crenças, algumas delas como pilares para um outro conjunto de crenças, como a ideia de que existe um eu, uma entidade separada do todo, ou seja, a ideia de um ego, este é o primeiro de todos os pilares, na construção deste sonho no qual encontramos adormecidos.

Segundo, acreditamos viver num corpo, dentro de um determinado tempo e espaço, que são as medidas de um mundo, no qual acreditamos habitar com este corpo, somos portanto uma entidade dentro de um mundo, habitando dentro de um corpo, uma entidade por debaixo de duas camadas da realidade na qual acreditamos existir.

Tais condicionamentos são tão arraigados por múltiplos fatores, que em ultima instância é uma determinação de uma só Consciência (não haveria como milhares de múltiplos fatores serem organizados pela determinação de um eu, que desconhece a gênese de todo esses processo), e só podem ser removidos em sua origem. E, portanto, só podem ser removidos como uma determinação desta mesma Consciência. Da mesma maneira que não houve ninguém para decidir viver sob esses condicionamentos, não há ninguém para decidir sair deles... Portanto, não há nenhum técnica, não há nenhum mapa, não há nenhuma motivação ambiciosa que seja capaz de "nos tirar disso", primeiro, porque se não há um eu, não há este "nos" e, segundo, em última instância não há nada acontecendo como acreditamos, o que há é apenas uma ilusão se sobrepondo a realidade e, criando uma realidade a parte.

Nesses sentido, a Consciência assume a forma de um Guru para aqueles organismos nos quais, esta mesma Consciência não criou condições para que ela própria possa se desvencilhar de todos os condicionamentos no qual ela mesma se enredou e, assim a associação com os sábios é o meio mais antigo, conhecido e eficaz para a Consciência se recordar dela própria, paradoxalmente, Consciência esta que jamais se esqueceu de si mesma.

Sem dúvidas, naqueles nos quais a ambição, a presunção, o saber acumulado que é fruto desta ambição, desta presunção e do medo, ou seja, fruto dessa ilusão de ser alguém que possui conhecimento, a Consciência permanecerá oculta de si mesma, naquela forma, escondida de maneira eficaz, com perfeição, este sem dúvidas, terá o seu corpo findado sem jamais se desidentificar do mesmo e se voltar para a verdadeira fonte do Ser.

Tudo, exatamente tudo é uma determinação dessa Consciência, portanto, não há nada fora do lugar. O desejo de reforma, as ideologias, são frutos desta presunção e arrogância, que por sua vez, são frutos do medo. O medo nasce da identificação desta Consciência com a forma, neste ou naquele organismo, e a liberação disso nasce do desvencilhar da Consciência em sua identificação com a forma, nada mais que isso, nada extraordinário, no entanto, nada mais misterioso e inexplicável para a mente que está sempre em busca de razões e de um sentido para a vida, um sentido que esteja além da própria vida.

E para desconcertar de vez com esta presunção do buscador, o chamado para este recordar-se, nasce deste anelo ao amor, a paz, a felicidade e a bem-aventurança, desta atração ao estado natural do Ser, ausente de todos os conflitos e, não da atração pelo poder, pelo conhecimento, pela salvação, pela realização que são objetivos do medo, da vaidade, da presunção e da ambição.

"Gratidão Eterna ao meu Mestre Marcos Gualberto..."

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Sem dúvidas você existe, mas será a sua existência real?



Tudo a sua volta prova que você existe, que você está aí, como uma entidade separada do todo, que você é importante, significante, único. 

Todos que estão a sua volta são suas testemunhas, tua memória conta um passado que para você é inquestionável, teus documentos comprovam que você é alguém, o governo te cobra impostos, você vai ao trabalho para ganhar dinheiro, pessoas cobram a sua atenção, você exige e faz exigências... 

Como duvidar de que você não seja real? Como? Só um louco poderia duvidar disso, não é mesmo?

Fique aí em sua miséria, agarrado a sua existência. Não de voz aos loucos, não os escutem. Eles podem abalar suas crenças e até te fazer duvidar se você realmente é real...

Enquanto o universo é ilimitado, enquanto a vida que lhe dá vida é o milagre dos milagres, a abundância da abundâncias, enquanto a natureza é selvagem, sem regras, sem limites, enquanto o universo baila em espirais, em constelações, enquanto a existência toda sorri, e isto que você chama de planeta é apenas um grão de areia suspenso no espaço, que ao ser varrido, será lembrando por quem? Enquanto isso você, acredita que é uma entidade separada, que é alguém, que é real...

Segundo diz a ciência (não há ninguém dizendo qualquer coisa aqui), a cada decisão que você acredita tomar, é necessário que por de trás desta decisão, que milhares de processos químicos, físicos e biológicos estejam funcionando e permitindo ao corpo se manifestar, que milhares de fatores que dão condições de vida no planeta estejam operando harmoniosamente, é necessário que bilhões de neurônios troquem milhares de informações entre os neurotransmissores que coletam informações do corpo através do sistema nervoso, dos sentidos, das impressões e interpretações de condicionamentos desses sentidos, para que sejam processados e a partir disso determinar comandos, comandos esses quase sempre voltados ao instinto de preservação do organismo, fazendo com que esses mesmos comandos surjam na mente em forma de ideias,  ideias que você acredita que ao se tornar conscientes ali naquele instante em que parecem surgir, sejam consideradas suas ideias, criadas por você. Você acredita que faz escolhas, que você existe como alguém que está no comando, mesmo não sendo responsável por nenhum desses bilhões de processos interligados, como uma só manifestação da existência, mesmo assim você acredita que existe como um entidade separada, e como alguém muito importante... Quanta ingenuidade... E você defende isto de unhas e dentes, afinal, quem duvidaria da sua existência e do seu livre arbítrio?

A mente tem o poder de criar uma realidade que só existe dentro dela mesma. E a ideia de um eu presente e separado, é a ideia mais genial que a mente poderia criar, para se autopreservar e preservar o mundo que ela própria criou.

Seria uma grande fraude se "eu" afirmasse que essas ideias são minhas, que a vida é minha, que eu realmente existo de uma forma única e distinta de você... De fato, apenas há o percebimento de que há uma consciência por de trás da visão, da audição, do tato, da memória, da história, e esta Consciência, esta Presença está muito além de mim mesmo, muito além da ideia de um eu aqui presente.

A vida é muito vasta, muito ampla, misteriosa, insondável, inexplicável, muito grandiosa para reconhecer a mísera existência de um eu separado dela mesma, atuando, criando, existindo.

Mas não dê ouvido aos loucos. Eles afirmam que não existem e que você não existe. Só podem estar loucos. 

Se mantenha preso a sua vidinha, onde tudo é tão concreto, tão real, tão explicável, cognoscível, e no entanto, nada funciona exatamente como você gostaria.

Ah como seria bom sentir a felicidade dos loucos, que é a felicidade da vida, que não é a felicidade de alguém...

Como seria bom não ser alguém, ser um só com a grandiosidade da vida. Mas será que você já não é isto, mas está agarrado a ideia de ser alguém na vida? Não... não olhe para isto, não se permita olhar para esta possibilidade, isto poderia lhe matar, destruir tuas crenças, lhe transformar em um ninguém, num nada, o que você poderia fazer a partir disso? Talvez celebrar a leveza, a beleza, a paz, a alegria de não mais conhecer nenhum sofrimento, nenhum dúvida e nenhuma certeza, você talvez pudesse viver como uma criança, no céu de onde elas nuncas saíram, no cerne da existência, permitindo que esta mesma força capaz de criar o universo, os planetas, os animais, o seu próprio corpo e tudo o mais, também faça tudo por ti, enquanto você apenas desfruta deste não-ser, deste não-saber, como uma testemunha misteriosa e silenciosa diante da grandiosidade da existência.



terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A Ilusão é Muito Real Para a Mente




Negar a ilusão não adianta coisa alguma... 

A ilusão é muito verdadeira, muito real para a mente. Esta identificação com o corpo-mente é como uma muralha, uma fortaleza, um labirinto sem saída para quem o olha pelo lado de "dentro". 

Por isso o saber não adianta de nada, vamos dizer que possamos ler e assistir todos os vídeos de todos os "acordados", "lideres espirituais", "Gurus", "gurus que são contra gurus", "mestres" e etc, que estão disponíveis por toda parte. 

E aí o que fazemos? 

Criamos um sistema de crenças, substituímos o inferno pelo eu e o céu pelo não-eu... 

Passamos a acreditar que o corpo é uma ilusão, e começamos a repetir com base no intelecto.. Que tudo é como é... 

E no entanto, a muralha permanece, a identidade permanece, toda esta sensação de separatividade, de sofrimento, de conflito, de busca, de insatisfação, de resistências, permanecem impregnadas neste organismo corpo-mente, e agora "acreditando estar certo e no caminho, diferente daqueles que estão perdidos por aí".

Mas a piada continua, só não tem graça para aquele que ainda não viu a piada... E que apenas "estudou" a piada... 

Mas como aquilo que é a verdade permanece imutavelmente real independente de todas as mentes que se acreditam especiais, únicas, distintas e humana... O que muda? O que está afinal acontecendo de fato? E para quem?

Negar ou afirmar a ilusão com base em conceitos e crenças, ou negar ou afirmar qualquer coisa dentro desta jurisdição mental, continua sendo um ilusão que não altera em nada a realidade daquilo que É.


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