domingo, 20 de dezembro de 2015

Em você que é um espelho, o Universo aparece!




Você é um espelho, um espelho louco, porque acredita existir como alguém, e por isso sofre, a vida limitada, individualizada, ser mais que um espelho vazio é sofrimento.

Como um espelho você reflete todos os sons que surgem a sua volta, todas as imagens, todas as sensações, todas as impressões, todos os pensamentos que são imagens gravadas sobre o espelho embaçado...

Você não está separado do som quando ele surge, nem daquilo que se apresenta diante deste espelho que é você, momento a momento, tudo está passando diante de você, e nada pode ser agarrado por ti, porque você é apenas um espelho que não pode agarrar nada, que não pode prender nada eternamente junto a ti.

Mas você é um espelho louco, um espelho quebrado, que começa a se apegar, a se apaixonar por algumas imagens que aparecem frequentemente diante de você, você considera essas imagens como entes queridos, enquanto outras imagens que passam, são totalmente desconsideradas, ou seja, você é um espelho que quer ter escolhas com relação aos seus reflexos, preferências e até desejos. Há momentos que surge em você o desejo de uma certa imagem, de uma certa emoção, assim como há momentos de resistência, onde você não quer refletir aquilo que se apresenta diante de ti, você quer expulsar aquela imagem, aquela sensação, porque você é um espelho que acredita possuir a liberdade de escolhas...

Todo o seu sofrimento, toda a sua confusão, todo o seu desespero, todo o seu medo, sua angustia, sua insatisfação e incompletude acontecem porque você é um espelho maluco, que acredita ser algo além de um espelho, e por isso, você se separa da vida, e quer fazer parte da vida como alguém separado do todo e que pode decidir e determinar os caminhos do todo, que loucura...

Você precisa estar diante de um espelho completamente vazio, de um espelho que não carrega nenhum conteúdo, que é um com a vida, e que conhece a plena liberdade da não-escolha, do não-desejo, da não-resistência, este espelho plenamente vazio que apenas reflete o universo inteiro em si mesmo, é o Guru. Ele pode te libertar desta loucura que você se encontra acometido, esta loucura que faz você acreditar ser alguém, ser uma pessoa, ser um ser humano.

O Guru o tempo todo lhe aponta para este vazio essencial em você, para este espaço que é você, dentro deste espaço tudo tem o direito de surgir, de se manifestar, mas nada daquilo que se manifesta no espaço tem a condição de ameaçar o espaço, de agitar ou danificar o espaço, todas as aparições são como brincadeiras para o espaço imutável e vazio, e quando você, assume este espelho, este simples e ordinário espelho que é você, toda a vida, com todos os seus eventos aparecem diante de você, sem mais poder lhe tocar, lhe atingir, você como um espelho, como uma testemunha silenciosa, apenas reflete tudo aquilo que se apresenta, sem interpretar, desejar, repudiar, sem escolher, sem se envolver, afinal, você é apenas um ordinário espelho, que não tem nenhuma necessidade de agarrar qualquer coisa que surja diante de ti, não há nenhuma necessidade de entender ou explicar a natureza de nenhum fenômeno que apenas surge misteriosamente como um reflexo neste espelho. Você é sempre pleno em seu vazio, portanto, nada deseja agarrar, não está nem aí para explicações, permanece tranquilo neste não-saber e, não mais se confunde com vontades e escolhas, porque vontades e escolhas são apenas reflexos do pensamento, passando como qualquer outra imagem diante do espelho.

O Guru lhe faz descobrir o seu lugar, e ao descobrir o seu lugar você descobre que não há outro lugar além deste, assim, o desejo de chegar a qualquer outro lugar cessa, o desejo de ser importante e de obter reconhecimento cessa, o desejo de continuar vivendo como alguém cessa, tudo cessa, e fica somente a vida, em ti, como um espelho, refletindo o mistério da existência, o milagre da vida, o bailar das aparições neste espaço imutável, onde aparições mutáveis bailam...

Sem um Guru você permanecerá como um espelho quebrado, refletindo o passado, projetando o futuro, sonhando com imagens, tentando controlar os reflexos da vida, vivendo um grande combate, uma grande luta, sem poder ser o palco deste grande baile, desta grande brincadeira inexplicável, vasta e divina que é a existência... Separado da vida você é alguém condenado a morrer, a desaparecer, condenado ao sofrimento, desista disso.

Entregue sua vida a este espelho vazio e pleno que é o Guru, e então você descobrirá, diante deste espelho, quem é você...

domingo, 16 de agosto de 2015

Como tornar-se disponível para o Encontro Santo?




O mundo real se revela diante de nossos olhos, quando nossos pensamentos de ataque e defesa se vão.

E como pensamentos de ataque e defesas são desfeitos?

Quando você não encontra mais nenhuma vítima fora de ti, para justificar o medo, a frustração, a decepção, a mágoa e os ressentimentos que percebe em si mesmo.

Quando você não julga nenhuma pessoa, nenhuma situação, seja ela de ordem pessoal, social ou política, como causa para sua reatividade, para o seu desejo de mudança.

Quando você percebe que nenhuma mudança real esta relacionada ao mundo externo, sendo assim, você não levanta bandeiras, não está disposto a lutar pelo mundo do sonho, por uma causa x ou y, porque você sabe que em sua santidade perfeita, tudo se encontra em seu lugar, regido pela vontade divina.

Enquanto houver um sentido de autoimportância baseado na história de um eu vivendo a vida dentro de um corpo, dentro de um mundo, se relacionando com outros corpos e competindo com eles por espaço, por razão, por isso e por aquilo, haverá este sentido de especialismo, haverá exigências, desejos, medos, ataques e defesas.

O mundo real se revela, quando não há mais desejos com relação ao mundo que surge diante da nossa percepção equivocada, isto significa não esperar nada de ninguém, nada dessa vida, nada desta ilusão de si mesmo.

Quando todas essas exigências egoicas se afrouxam e não há mais ninguém, não mais nenhuma situação no mundo, nenhuma história pessoal do passado, responsável por aquilo que na verdade se encontra na mente e não do lado de fora, a partir daí, o mundo tal como acreditamos existir começa a entrar em colapso e o mundo real começa a se despontar como o nascimento de uma nova aurora.

Se o Curso em Milagres for apenas mais um livro para lhe trazer informações e conhecimento, ele te será inútil, não irá deslocar o ego de sua posição confortável em que ele se encontra, ancorado neste corpo, que você acredita ter algo haver com aquilo que é você, e você passará para outro livro, e depois para outro, e para outro, porque o mandamento do ego é: "Buscai mas não achareis".

É necessário um trabalho real para que o milagre possa desfazer todas as ilusões e para que o Espírito Santo nos revele o mundo real, que também é um mundo passageiro, que surge a partir da vivência do sonho feliz, de onde o despertar suavemente floresce como uma obra da Graça.

E o deslizar-se para o mundo real começa somente a partir do Encontro Santo. Por esta razão o Curso em Milagres é só um começo. E ele só deixará de ser um mero começo, quando você se desarmar de toda ambição espiritual, de todo especialismo, de toda ideia que fortalece os alicerces do sentido de separatividade, quando toda arrogância é deixada para trás, quando você percebe claramente, que ninguém é diferente de você, e de que você sozinho não tem condições de sair disso, nesse instante você se abre para "um outro jeito", você se torna disponível para o Encontro Santo.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Como Descobrir o Amor Real?


O Amor real não é humano, mas o ser humano nasce da mesma fonte que o amor real. Como "humanos" descobrimos o real amor, quando, desaparecemos, no amor real.

E o amor real, se revela para a pureza de coração do devoto através da Presença e da Graça de um Guru.

O Guru é o AMOR REAL na forma, por isso, só Ele pode nos conduzir na direção de nós mesmos, na direção da fonte, na direção da Suprema Realidade.

Nenhum conhecimento revela isso. Porque não há alguém para conhecer coisa alguma, só há a Presença, só há a Graça. Tudo o mais, são ilusórias construções mentais, que não existem, mas que persistem em existir para esta estrutura mental cristalizada nessa crença de ser alguém.

E o AMOR REAL não pode ser aprendido, não pode ser explicado, as palavras que explicam nada explicam, mas o silêncio da Presença do Amor Real transforma o devoto, consumindo suas ilusões, destruindo suas crenças, desfazendo o seu sentido de ser um indivíduo separado, para lhe revelar a verdade sempre presente, que é a verdade do Ser.

Se você é um devoto - e aqui eu descrevo o devoto como aquele que, de coração puro e sincero, busca de fato a verdade, mesmo que a verdade, possa contrariar tudo aquilo que, ele como buscador, acredita ser real - então, venha ao Satsang com o meu Guru. Se dê a oportunidade de estar diante dessa Presença e Graça divina na forma. Ele não existe separado de você, mas você acredita existir separado dele, e nesse sentido de separação, está todo o equívoco, como o Mestre Gualberto nos aponta.

Você não é responsável por este equívoco, como, também não pode ser responsável pelo fim dele. Portanto, só uma Inteligência Suprema, manifesta na forma, pode conduzir o devoto, até a dissolução de todas as suas ilusões, nesta comunhão de coração do amor real entre o Mestre e discípulo.

Quando esta dissolução se dá, só o Amor Real se faz presente como a única e suprema realidade, manifesta como paz, como silêncio, como liberdade e como felicidade.

A Suprema Inteligência manifesta como discípulo, confundida por uma ilusão de uma limitação mental - confundida e limitada pela ilusão da separação - "precisa" de ajuda, para alcançar a Fonte que é ele mesmo, mas, que não consegue se ver, como esta Suprema Inteligência, porque se vê, a partir deste equivoco de uma autoimagem, de um eu, manifesto como uma inteligência limitada, condicionada, dividida, fragmentada, conflitiva, competitiva, arrogante e beligerante, que é chamada de mim, de eu. Assim, esta Inteligência Suprema aparece para aquele discípulo que está pronto, o discípulo que está pronto é aquele, cuja inteligência de coração, desconfia, de que a verdade, só pode estar além da mente, para esses, o Guru amorosamente se faz presente.

Somente esses que se encontram maduros para o Guru é que podem ver e reconhecer o Guru. Aqueles que não o podem reconhecer, simplesmente não podem, e tudo continua da mesma forma, para esses que permanecem identificados com imagens mentais, em formas de ideias, de crenças, de pensamentos, de sentimentos, de emoções, de registros de memória, crendo com convicção ser "alguém".

Portanto, se você sente este chamado em seu coração, não se deixe cegar pelo medo, e nem se ensurdecer pela desconfiança, venha estar com o Mestre, venha estar consigo mesmo, nessa atmosfera de meditação, de autoinvestigação, de devoção e entrega a verdade, que só é possível, com essa intensidade, diante do campo de Presença do Bem-aventurado, e constate por si mesmo. 

Todo aquele que, agraciado pelo sagrado, abençoado por Deus, consumido pelo vazio, ou seja, aquele que despertou para a verdade, é o Bem-aventurado. E só o Bem-aventurado pode transmitir a Bem-aventurança do Ser. Isto não é para a mente, é para o coração.

Entrem na nossa agenda e confiram a data dos nossos presenciais.

http://bit.ly/AgendaMestreGualberto


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Só há a Dança


Muitos sons podem ser percebidos, mas o ouvir é sempre um só. Muitas coisas podem ser vistas, mas o ver é sempre o mesmo. Você pode sentir muitas sensações, mas nunca deixa de ser um sentir acontecendo para o corpo. Muitos pensamentos podem desfilar sob a tela da mente, mas são só pensamentos, só imaginações. Na absoluta simplicidade de fluir com a vida, nesse ouvir, nesse falar, nesse ver, nesse sentir, não há mais você, só há esta única experiência acontecendo, mas, de fato, nada está acontecendo para o Ser, que permanece imutável, por detrás da aparente miríade de experiências, que não passam de impressões e registros, dando a falsa percepção de uma realidade múltipla acontecendo para muitos, quando na prática, não há ninguém por detrás de nenhuma experiência.

Só há uma única experiência acontecendo o tempo todo, podemos aqui chamar esta única experiência de “o grande baile de aparições” aparecendo dentro do “espaço infinito e uno da Consciência”. O baile é somente um espetáculo natural, não importa o que aconteça nesse baile, nada toca a Consciência, tudo o que pode acontecer, só parece acontecer quando a ideia de alguém presente dentro da experiência se apresenta, fazendo surgir, neste momento, a crença em um experimentador. O experimentador é o acúmulo de experiências cristalizadas na memória, dando a impressão, da presença de alguém, nesse fundo de registros e impressões no "corpo-mente", e nisso, está a base de toda a ilusão, a ilusão de alguém vivendo a vida, enquanto que só há o ver, o ouvir, o sentir, o falar, o caminhar, manifestando-se como impressões no corpo. Sem nenhum sentido, lógica, razão ou bom senso, há apenas o bailar da existência, e a Consciência é o palco vazio, nunca preenchido, imutável, sem nenhuma necessidade de atender qualquer objetivo ou propósito.

Nesse vazio está a plena liberdade do Ser, sua plena felicidade, sua paz inabalável, seu amor imutável que também pode ser chamado de “o nada”. Só o vazio acolhe o todo sem nenhum conflito, e só no vazio, o todo, tem a liberdade de bailar,  porque é o palco que nunca acontece.

Para aquilo que é você em sua em Sua Real Natureza, nada aconteceu, para isto que é você, não há nada para acontecer. Só há esta única experiência que é o grande baile de Shiva, que é o sonho do aparecer e desaparecer, do surgir e do emergir, é apenas como o passo de uma dança. 

Não viva. Viver é uma miséria, porque é a ilusão do nascimento de alguém que está condenado a morrer. Não viva, apenas contemple a dança, apenas aprecie este grande espetáculo, seja um só como palco, como dança e como espectador. Célebre o grande espetáculo do Ser, sendo este nada, para o qual tudo acontece.

Tudo o que temos aqui são somente palavras, que estão aparecendo nesse palco, bailando para ninguém, portanto, não há nada importante aqui. Ver isto, é viver isto, que é realizar isso, mas não fica alguém para compreender isso, ensinar isso ou demonstrar isso, e isto é tão simples, tão direto, tão presente aqui e agora, mas que não é visto pela pessoa, porque a pessoa é a confusão de um dançarino ao meio de toda essa dança, e neste sentido, ver tudo como um grande baile orquestrado pela Divina Graça, nessa leveza, nessa paz, nessa felicidade de ser dança, música, movimento e o palco imutável, só é possível, a partir de uma obra da própria Graça, ou seja, a partir do encontro com o Amado, com o Guru, que é na forma, aquilo que somos neste vazio, nessa dança natural, sem a crença em um dançarino que pode ser julgado por seus méritos ou deméritos, porque só há o espetáculo, sem ninguém nele. Quando, não há alguém, muitos sons podem ser percebidos, mas o ouvir é sempre um só, não há escolhas, não há desejos, não há busca, mas há a dança, que pinta e borda em sua coreografia o que ela quer, como quer, e com quem quer, porque só há o espetáculo, só há a dança.

Jaya Gurudeva Mestre Gualberto!

terça-feira, 30 de junho de 2015

O Real Conhecimento: a Upadesa.


Só há um real conhecimento: é aquele que é revelado na Consciência, a partir da Consciência e através da Consciência; que está além de toda e qualquer ideia, além de toda e qualquer palavra, além de toda e qualquer imaginação ou conhecimento que possa pertencer a alguém. 

Ou seja, o Real Conhecimento não surge a partir de alguém, não surge a partir da ida de alguém até alguém, não surge a partir de um relacionamento onde existam dois presentes.

Há sim um Real Conhecimento, disponível, para todos aqueles que buscam a Verdade, de verdade. Há sim um caminho real para aqueles que estão, de fato, em busca da verdade. Este caminho se chama Upadesa, e a Upadesa se recebe em Satsang Presencial.

E o que é Upadesa? Upadesa é o conhecimento direto, constatado através da Graça, através de um trabalho e de uma convivência real com um acordado, com um Guru. 

Todas as palavras registradas em livros, que foram ditas por um Guru, que não está mais na forma, não é mais uma Upadesa, e sim apenas um registro de amontoado de palavras, quase sem nenhum valor, que apenas atestam a eficácia e realidade da Upadesa - que é a transmissão direta da Presença, da Consciência, através do olhar, do toque, do sopro, do abraço, do falar, e principalmente, através da Presença da Graça do Guru com  o discípulo, neste encontro real. A única mensagem de valor contida nesses registros é: "Encontre um Mestre Vivo, faça tudo o que Ele lhe pedir, porque Ele estará lhe transmitindo o Real Conhecimento através disso, Ele estará lhe conduzindo ao contato com a realidade última.

A verdade é uma chave de uma única fechadura. Portanto, a verdade para você, se revela de uma forma única. Respostas que foram dadas a discípulos do passado, não são respostas que estão sendo dadas para você. Respostas em um livro ou em um vídeo de um Guru vivo, nos dias de hoje, não são as suas respostas, porque ali não estão as suas perguntas. Um Guru pode olhar em seus olhos e saber se as palavras que você acredita dizer, e as questões que você acredita ter, são as suas reais questões, ou não. Ou seja, se você,  nem se quer sabe, qual é a sua real questão, como pode acreditar que lendo perguntas e respostas dadas para alguém que você nunca conheceu, você chegará a suas respostas? Dadas por um Mestre que talvez você nunca conhecerá; pelo motivo deste Mestre já não existir na forma ou por sua arrogância não lhe permitir ir até um Mestre vivo. Sem um contato direto com um Mestre, a partir de uma entrega total de coração, não há Upadesa, não há esta guiança; que só a Consciência pode conceder por meio de sua Graça.

Na "promiscuidade espiritual" também não pode existir Upadesa. A Upadesa acontece a partir de uma comunhão de coração, de uma comunhão real, de entrega a UM Amado. Aqueles que são incapazes de se entregar a este UM, e que vivem lendo textos de muitos mestres, assistindo vídeos de muitos mestres, lendo livros sobre busca espiritual, buscando conhecer de tudo um pouco, levantando causas sociais e humanitárias, preocupado com questões políticas, desejando salvar o mundo, ou salvar-se a si mesmo e aos seus, esses, estão desqualificados para receber a Upadesa, ou seja, para descobrirem o Real Conhecimento. Por isso Cristo dizia: Largue tudo e me siga.

A Upadesa só é possível nessa convivência com um Mestre vivo. E convivência não é ver um Mestre duas vezes por ano... Convivência é manter o Mestre o tempo todo em seu coração e, além disso, estar presencialmente junto Dele, quantas vezes lhe forem possíveis durante um mês. 

A Upadesa diferente de "outros conhecimentos", não lhe dá nenhuma técnica e nenhum conhecimento  com o qual você possa, sozinho, tomar as rédeas e o controle de sua ação no mundo. Muito pelo contrário, a Upadesa lhe retira aos poucos toda ação, e devolve à Consciência, ao Amado, a Deus, Àquele cuja única vontade é Real, todas as "suas" ações. 

A Upadesa é a Graça do Mestre, que assume a sadhana do discípulo (o caminho "espiritual" ou da "autorrealização") e o conduz, literalmente, para o lugar onde Ele mesmo se encontra: este "não-lugar", indescritível lugar, inominável lugar, que é chamado de Ser, de Aqui, de Agora, de O Imutável, de O Altíssimo, de Verdade, e de Você mesmo.

Participe de nossos encontros. Descubra, por si e através de si, o que é Upadesa. 

Gratidão Meu Amado Guru, Mestre Gualberto, que me transmite a Upadesa. Jaya Gurudeva!

Tom de Aquino


Encontros com Mestre Gualberto em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza.
Para acessar a nossa agenda clique aqui: Mestre Gualberto

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Medos e Desejos




Nós não tratamos de conhecimento em Satsang. Nós tratamos em Satsang de autoinvestigação. A autoinvestigação trabalha o fim do medo. O fim do medo é o fim do desejo. Nós carregamos o peso do desejo em razão do medo presente, esse medo que nasce dessa inconsciência.


Então, nós temos essa inconsciência acerca da Verdade sobre nós mesmos, e isso é medo. Isso se traduz como medo em nosso viver, em nosso dia a dia, se expressando através do desejo, e esses desejos são agora essas tendências internas, algo latente, algo que é parte da mente. Na yoga eles chamam de vasanas, aquilo que se acumula aí, nesse mecanismo, nesse organismo, como uma contração. 


O sentido de uma identidade separada que vive dessa inconsciência, que é essa insciência dessa Verdade sobre nossa Verdadeira Natureza é medo, e medo se traduz no nosso viver, no nosso dia a dia como desejos, e esses desejos são essas vasanas.


Esse sentido de uma identidade separada não se dá conta do que é a real Liberdade. Esse sentido é a própria ilusão de alguém que um dia realizará isso, e por isso busca essa liberdade do lado de fora. 

O “eu” não pode ver a si próprio, o ego não trata com ele mesmo. Apenas uma intervenção dessa Presença, dessa Graça, Daquilo que está além desse sentido de separatividade, pode expressar, revelar esta real Liberação, que é o fim dessa identidade separada – isso significa o fim do medo, o fim do padrão de todas essas tendências presentes, o fim dessa inconsciência, o fim dessas vasanas. Então, estamos diante do Estado Natural, do estado livre do ego, livre do sofrimento, livre do sentido de um autor, de um realizador, de um fazedor.



Mestre Gualberto


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Uma inteligência reduzida a defesas e ataques




Aquilo que conhecemos como inteligência é algo muito estúpido. Aprendemos com base na repetição, no condicionamento, na memória, e chamamos isso de inteligência.

Acreditamos transformar o “mundo” a nossa volta com a tecnologia, mas nos demonstramos incapazes de nessa base, viver em amor, viver em paz, em liberdade e felicidade, ou seja, somos incapazes de sozinhos, transformarmos este coração, que se confunde com esta inteligência, que é pura resistência, pura defesa, de uma atenção que se vê como uma entidade egoica e separada, vivendo em um corpo, vivendo em um mundo. 

De que vale uma inteligência nascida do medo? Uma inteligência que nos faz ranger os dentes? De que nos vale uma inteligência que não passa de uma sofisticada e ineficiente arma de ataque e defesa, nascida do medo, da culpa e de um revolta assassina com relação a vida como ela se apresenta? 

Na mente, podemos tirar muitas conclusões a respeito disso, a respeito disso que chamamos de mente, a respeito daquilo que chamamos de Consciência. Podemos com a habilidade da oratória, acreditar que através de palavras podemos comunicar isso. Muitos se encontram perdidos por esses caminhos do labirinto da mente, com suas crenças sofisticadas, filosóficas, científicas, advaitas, etc, e por esta razão, acreditam que um Mestre não é necessário, e que isto é uma questão para se resolver só. E sozinhos andam tateando no escuro da inconsciência, sozinhos não podem encontrar o Amado, e não encontrando o Amado não podem se recordar de que são, não podem se reconhecerem neste amor que é o Ser, que é a vida, que é o silêncio sem defesas, que é a inocência de não ser alguém.

Sem a Presença Daquele que é Puro Amor, Pura Liberdade, Suprema Inteligência, que é o Mestre, que é Deus, que é o Ser, não há verdade. Você sem isso não é você.

Jaya Guru dev Mestre Gualberto.


Tom de Aquino

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Aquilo que Sustenta Tudo Isso



Essa é a única realidade presente em todas as sensações, em todos os pensamentos, em todas as experiências e histórias, em tudo aquilo que acontece com o corpo e a mente. Esta Presença, esta realidade permanece sempre presente como aquilo que sustenta tudo isso. 

Não há nela nenhuma emenda, costura ou remendo. É uma colcha única, não como uma colcha de retalho que nossas avós faziam antigamente. A soma de todas as experiências, sensações, pensamentos, de tudo aquilo que se apresenta na mente, não forma esta colcha, não são retalhos nesta colcha, são só aparições nessa colcha única, nesta tela.  

Você permanece como esta Consciência, como esta Presença, sem conflito, sem medo, sem ser atingido por aquilo que passa  no corpo e na mente. A grande tentação é acreditar que algo pode ser feito, é acreditar que existe alguém separado daquilo que se apresenta. São apenas memórias, sensações, sentimentos e emoções. 

Aquilo que se apresenta no corpo e na mente não é você.


Mestre Gualberto

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Este é um Trabalho de Deus, não seu!




Viver em dispersão, sem nenhum foco, permite que a mente não observada permaneça em “seu comando”, que é o comando do condicionamento, dos hábitos arraigados, dos padrões, dos desejos e das vasanas.

Se há uma maneira SIMPLES e REAL para deixar de lado esta dispersão, e se voltar para esta auto-observação, é encontrando o Seu Mestre, a partir deste encontro ELE ASSUME o comando e você é dispensável.

O Mestre é um espelho que reflete a nossa Real Natureza. Olhar em seus olhos, nessa disposição de rendição e entrega é encontrar-se.

Isto é assim, porque o Mestre toca o seu coração como nenhum outro “humano” seria capaz de tocá-lo, pois a sua Presença é a direta, tangível e objetiva Graça do Supremo. 

Deus é a Vontade Suprema, Único e Real criador, a misteriosa verdade por detrás de todas as coisas. Como sei disso? Eu não sei, mas é isto que na Presença Dele é revelado, no entanto, não capturado pelo discípulo, porque o discípulo precisa ir além de si mesmo, e neste além de si mesmo não há saber, não há certezas, não há alguém para revelar a verdade dentro de um formato de “conhecimento”, de “clareza” e de “certezas” que só existe para a crença, a crença que é este formato que se encaixa perfeitamente a mente porque é uma extensão dela própria.

O Guru é Deus na forma e como Única Verdade, Suprema Realidade, Ele é o Único que pode conduzir o discípulo para “além de si mesmo” e assim, conduzi-lo para além das crenças, dos desejos e da busca, e dissolvê-lo em “Si Próprio”, em Sua própria Graça, mostrando através de um REAL TRABALHO DE AUTORREALIZAÇÃO sob o discípulo, que só há uma Presença e que nada se encontra fora dessa Única Presença.

A autorrealização não significa a realização de alguém, mas a realização de Deus, a realização do próprio Guru, misteriosamente estendida sobre o discípulo, até o ponto em que a ideia de uma relação Mestre-discípulo seja dissolvida no silêncio, no mistério, na Presença, na Graça, em Deus. Até lá o discípulo coloca TODO O SEU CORAÇÃO no Mestre e caminha passo a passo, num caminho sem estradas, trilhas ou limitações, e vai deixando para trás o corpo, a mente e o mundo, o seu velho e conhecido mundo de imagens mentais.

O Guru está sempre disponível. Mas e você, até onde você está disponível para viver em Sua Graça? Até onde você pode caminhar com o Guru e deixar a si mesmo para trás? Até onde você pode se banhar em sua Presença? Esta Presença, esta Graça, que é o solvente de todas as ilusões.

Gratidão Mestre por sua Graça, por sua disponibilidade, por sua Real compaixão e por REALIZAR ESTE TRABALHO que “eu” jamais poderia realizá-lo, porque este é um trabalho de DEUS.

Jay Guru Dev Mestre Gualberto,


Tudo por meu Pai foi entregue; e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar
Lucas 10:22


quinta-feira, 23 de abril de 2015

O Desalojar do Ego



Desalojar este impostor que se passa por nós realmente não é confortável, para a grande maioria que permite-se vivenciar um trabalho real com um Mestre vivo, isso não é confortável. Este impostor está alojado no corpo e nós estamos profundamente identificados com o corpo, tanto que as nossas preocupações no decorrer da vida estão centradas em seu bem estar, trabalhamos uma vida toda pelo seu conforto, uma vida de preocupações e medo, porque por mais que o protegemos, sabemos que ele é frágil e que se quebrará a qualquer instante e toda a sua história será varrida do tempo e ficará para trás. Exemplo disso que  para muitos de nós, é como se nossos bisavós ou tataravós nunca tivessem existidos, porque praticamente nada sabemos sobre eles, e daqui duas ou três gerações será como se nunca tivéssemos existidos, porque nada saberão a respeito deste "eu" que acreditamos ser, que de tão importantes não serão lembrados por ninguém.

Mas, de fato, desalojar a ideia de um "eu" presente no corpo não é fácil. A muitos anos estamos acostumados a ouvir esta voz que fala em nossas cabeças, estamos tão familiarizados com ela que achamos que é a nossa própria voz. Preste atenção e verás que esta voz está te manipulando o tempo todo, essa voz diz "eu sou o corpo", eu me chamo fulano de tal, eu preciso disso e daquilo, preciso alcançar isto ou aquilo, chegar até lá ou acolá, esta voz está sempre te colocando em movimento, nunca te permitindo parar. Porque só parando você pode constatar a sua natureza que é imutável...

Compreender isto em um nível intelectual é inútil, o simples entendimento sobre a não-dualidade, sobre o sentido de separatividade, não coloca fim a separação, o fim do sentido de separação é uma determinação da Graça, sem uma rendição, sem uma disposição real de entrega e com base tão somente em especulações, toda esta falácia é somente uma crença como outra qualquer, levando a uma discussão de ideias, onde a mente, discute com a própria mente e reforça o seu sentido de separatividade, antes de encontrar um Mestre vivo, por muito tempo, também cultivei tal estupidez.

Não importe-se com desconfortos, se você está trabalhando isto com Guru sua real aliança é com a verdade e não com o corpo, não com a mente. Porque sua real aliança é com sua Natureza Real que é Deus e não com o corpo cuja aliança que você realiza é com o prazer e a dor, com o nascimento e a morte.

Todo desconforto que possa surgir dentro de um trabalho como este é ótimo, é um claro sinal de que o ego está sendo desalojado, então permaneça aí. Mil ilusões cairão a sua direita, dez mil a sua esquerda e você permanecerá, porque você mesmo não é uma ilusão. Chegou a hora de vivenciar de verdade, a sua Natureza Divina e dar adeus ao medo, ao conflito, ao desejo, as crenças e a todas as limitações do corpo, e como diria nosso Mestre Gualberto "é  hora de romper completamente com a ilusão e testemunhar o nascimento de Buda, o nascimento de Cristo, o nascimento de Deus em si ."

O corpo tem somente duas serventias; ou nasce  para virar adubo para a terra, como um saco de bosta, tal como esterco ou ele se transforma em um terreno fértil para o florescimento de Deus... Sendo assim, seja grato a todo desconforto que o trabalho com um Mestre vivo possa te provocar, todo desconforto vem e vai para revelar aquilo que não vem e nem vai, cultivando no corpo somente aquilo que é real,  aquilo que é a verdade, aquilo que é a única e suprema realidade... 

Jaya Guru Deva Mestre Gualberto!

segunda-feira, 20 de abril de 2015

A Prisão da Crença na Verdade





Vou descrever um pouco das crenças que aqui estavam instaladas em detrimento a outras que ainda aqui estão, e que através da Graça do Guru puderam ser diluídas ou até apagadas do sistema de crenças que formam a ideia de um “eu” aqui, diminuindo a carga, o peso, da crença no conhecimento.

Aqui fora cultivado aparentemente por um conjunto de experiências da infância e o subsequente hábito da leitura; a autoimagem da figura de um buscador espiritual em mim, formada precocemente a partir dos 14 anos de idade quando comecei a ler Allan Kardec (o codificador da doutrina espírita) e pouco depois Masaharu Taniguchi (fundador da tão conhecida doutrina religiosa chamada Seicho-no-ie), para depois se desdobrar de forma caótica e desorganizada num estudo sem foco formado por um misto de filosofia, busca espiritual, política, realismo fantástico, psicanálise e psicologia analítica, sociologia, literatura, budismo, entre outros apanhados, que fortaleceram e deram base para a continuidade desta autoimagem, deste eu imaginário, deste buscador espiritual.

Não compreendo a vida, portanto não sei dizer se toda essa busca fora necessária e contraproducente, o fato é que os elementos reais que apontavam para a verdade, sempre estiveram presentes aqui de forma muito simples e direta, manifestando-se momento a momento, por detrás de todo acontecimento, de todo movimento natural da vida, antes mesmo do encontro com um Guru na forma.

Este processo de busca baseado na crença da compreensão da verdade a partir de uma base intelectual, alicerçada no entendimento é que me conduziu aos livros, e com os livros vieram muitas informações, e as conexões dessas informações com outro conjunto de informações recorrentes deram margem para a formação de um novo conjunto de crenças, criando imagens mentais a respeito da verdade, sem trazer uma real aproximação com a verdade, e para ver isto, bastou constatar, o fato de que, com o passar dos anos, nesta aproximação equivocada da verdade, informações se acumularam e a confusão aumentou, novos livros surgiram e o medo se ampliou, traumas pareceriam ser compreendidos mas os padrões persistiam, e de certa maneira, mais do que isto, se intensificaram.

O Tom, que é este aqui que vós escreve, era o tipo do sujeito que possuía a solução para todos os problemas da humanidade ao discutir questões filosóficas, políticas, religiosas ou ditas espirituais, porém, em sua vivência direta, experimentava um estado caótico e miserável de medo acompanhado por mudanças bruscas de humor, assim como de co-dependência emocional, de desejo sexual exacerbado, de um sacrifício constante por busca de preenchimento emocional, sentimental, revestida de uma aura de falsa sabedoria, disfarçada sobre a aparência de uma capacidade mecânica no uso de palavras e associação arbitrária de conceitos de diversas fontes, utilizadas como forma de argumentação para fundamentar suas opiniões e pontos de vista relacionados a existência como um todo. Ou seja, o Tom aparentava ser  esse misto, esse agregado mental, essa colcha de retalhos que parecia muito original, quando contada por esta “voz na cabeça” que insisti em contar histórias para situar no corpo e no tempo uma entidade separada a parte do todo.

Apesar de não mais me identificar com este sujeito tão eloquente e conhecedor de assuntos espirituais, já que a eloquência não foi uma escolha e nem uma decisão mas sim um atributo desenvolvido de forma tão natural quanto as características genéticas do corpo, mas muitas vezes desprezada ou apreciada equivocadamente, e o conhecimento espiritual fruto de distorções e fantasias muito bem embasadas, tais como sofismas, sou obrigado a conviver com a impressão de que hoje caminho sobre o fio da navalha, pois a mente é muito hábil em continuar despejando fantasias muito convincentes revestidas de uma roupagem lógica, plausível e de bom senso humano e criar uma imagem da verdade, não permitindo assim uma vivência direta da realidade.

Mas o incomodo deste sentimento de caminhar sobre a navalha, desta sensação de viver no limiar entre a loucura e o desconhecido, ou de uma desconhecida forma de loucura, ou aquilo que chamam nas tradições espiritualistas de “a noite escura da alma” são profundamente amenizadas através da Graça da Presença do Guru.

Quando todo este pensamento caótico e desorganizado criava uma imagem de um conhecedor arrogante e ancorado na crença de que aqui existia um eu sufocado pelo mundo, por desejos, medos, carências e conflitos, isto pesou consideravelmente até o dia em que mesmo com todas as dificuldades de “um alguém” cheio de preconceitos com relação a ideia de um “Deus”, me dobrei a necessidade de orar e pedir, era claro naquele instante que todo esforço feito naquela direção não havia trazido o retorno desejado em forma de paz, de liberdade e felicidade, mas apenas uma vasta biblioteca de registro de aprendizados, impressões, sensações e imaginações na forma de memórias e pensamentos, sustentando o sentido de separação. 

Tendo sido constatado o cansaço naquele momento de rara lucidez e ausência de arrogância, no dia primeiro de Junho de 2011, onde “eu” acreditava de coração que a “minha busca” pela verdade era sincera e real, mas sentia que estava ainda faltando algo, a oração pediu por um encontro, um encontro com aquele que estivesse desperto para a sua Real Natureza, que não mais possuísse um traço de ego e que houvesse se recordado de sua “face original”, que já houvesse realizado Deus e que não estivesse mais limitado a padrões, condicionamentos e crenças, e assim estivesse vivendo aquilo que é real - “quem dera através deste encontro—dizia a oração em mim, que espontaneamente surgiu naquele instante em súplica pela realidade, pela verdade -” eu poderia viver um encontro santo"? Duas horas após a oração, acontecida naquele dia, eu me deparei com o meu Mestre, ao entrar em uma plataforma de chat e conferência chamada Paltalk Senses, para estudar inglês, mas uma espécie de guiança interna me encaminhou para o endereço e para a sala aberta onde Ele começava a compartilhar e tornar público sua vivência direta com a Autorrealização, sendo a segunda ou terceira vez que Ele abria aquela sala online.

O encontro com o Guru não representou de imediato o fim da busca por conhecimento, explicações e respostas, muito menos o fim da busca por preenchimento em pensamentos, emoções, desejos e sensações, um fardo carregado por muito tempo molda com o seu peso as características daqueles que o carregam e raramente são imediatamente soltos, o medo aqui sempre fora muito grande para que eu pudesse com facilidade abrir mão de minhas muletas.

Se você acredita compreender o que é isso, se você por meio da leitura tem se aproximado disso, ou mesmo tendo encontrado o Guru, continua na busca, lendo, aprendendo, construindo a formação de uma vivência pessoal, se você ainda necessita de parâmetros, provas cabais, e de comparar a fala de muitos acordados e instrutores espirituais, compartilhando deste conhecimento que eles parecem nos transmitir, onde um Mestre anterior valida um atual, ou quando esses parecem constituir uma classe de pessoas com um mesmo discurso, um mesmo consenso, você está ainda com muito medo e se encontra distante de uma verdadeira entrega, de um contato vivencial e direto com a verdade, você está em busca de uma confirmação para suas crenças e não disposto a mergulhar nessa dissolução, a cair neste abismo, neste desconhecido convite que o Guru lhe faz.

Como me apontou o Mestre “A verdade não é compreensível, mas é realizável, e é realizável a partir de uma ação da Graça e não da ação, escolha, desejo ou ambição de um eu.”

As duras penas, portanto, aqui caiu a ideia de alguém para realizar isso, para alcançar Deus, tal como quem se propõe a construir uma torre de babel e assim se perder em muitos idiomas, em muitas vozes, pensamentos, imagens, memórias, interpretações e ideias, afirmando que está em uma real busca pela verdade, quando de fato não está. Caiu a imagem de “um alguém” que possa capturar, possuir, controlar e manipular a verdade, como se a verdade pudesse se tornar uma ferramenta nas mãos de um eu, caiu a ideia da separação entre aquilo que sou e aquilo que é verdade. 

Hoje não sei o que sou e muito menos sei o que é absolutamente a verdade, as certezas caíram, mas a confiança nessa guiança, nessa Presença, nessa Graça do Guru, traz consigo uma paz, um equilíbrio, uma alegria, uma aliança real, que é impossível de se explicar mas que é intensamente e permanentemente sentida como um elemento novo e ao mesmo tempo familiar, conduzindo a uma real aproximação da verdade, desta verdade indescritível, inominável, incompreensível, mas sempre presente como vida, como Graça, como Presença, com Silêncio, como Amor, inexplicável amor...

E aqui eu honro e dou Graças ao Mestre Gualberto em gratidão por esta comunhão, por este pegar em minhas mãos e me conduzir por este caminho que sou eu mesmo, rumo a mim mesmo, sem nenhum conceito, sem nenhuma crença sobre este si mesmo ou a certeza de que aqui possa existir qualquer coisa para ser chamada de si, de mim, de eu.

Jaya Guru Deva!
 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Todo Pensamento é uma Fantasia




Desde quando encontrei meu Guru, Mestre Marcos Gualberto, a quase quatro anos atrás, tenho ouvido-O nos dizer (como Ele diz: "Vez após vez, após vez, após vez"): "Todo pensamento que passa pela sua cabeça é uma mentira." - Ouvir isto sempre foi muito impactante aqui, chocante, não importa quantas vezes tenha ouvido... Porém por muito tempo eu não pude ver o que Ele estava de fato dizendo. Assim sendo continuei valorizando o pensamento, o pensamento era o maior investimento que a atenção presente em mim havia realizado, tudo poderia ser abandonado, tudo... Mas havia uma coisa do qual eu não poderia abrir mão, e eu não poderia até então abrir mão do pensamento.

Todo ideia relacionada a existência de uma entidade separada da vida, vivendo dentro de um corpo tem seu alicerce, sua coluna principal, sua espinha dorsal no pensamento, que surge aparentemente sob o controle de um pensador, o surgimento do pensador determina o aparente surgimento de uma "entidade separada" no homem, assim sendo, abrir mão do pensamento seria abrir mão da "minha entidade separada", abrir mão do "eu", reconhecendo aquilo que o meu Guru sempre nos diz e que também choca "não há ninguém dentro do corpo".

E algo muito engraçado se faz presente, os pensamentos hoje são todos muito cômicos, é um pouco difícil falar a partir deste lugar sem rir...

O que vejo hoje é uma contínua enxurrada de fantasias que o cérebro descarrega sobre o corpo, e nele surge uma visão distorcida da vida, criando uma interpretação constante da existência por meio da avaliação, da comparação, do julgamento, do desejo, da aversão e principalmente do medo. A todo tempo existe a necessidade de defesa, esta entidade separada precisa viver na tensão e no medo para criar uma contração no corpo que surge como uma necessidade imperiosa de construir muros. Muros que possam manter intacta a ideia de uma entidade vivendo a vida dentro do corpo, uma entidade além da vida, protegida por um emaranhado de crenças, memórias e impressões de registros de experiências no corpo.

Vejo todas as fantasias que aqui foram descarregadas desde a infância, quase o tempo todo, sendo expurgadas, passando diante deste observador que se sente tentado o tempo todo de não ficar somente no olhar desses fenômenos aparecendo e desaparecendo. Esses fenômenos só perdem a sua importância quando não há mais a presença da ideia de um "alguém" que possa valorizá-los, e havendo só a experiência não há o experimentador e portanto não há conflito, separação ou dualidade, mas quando há o experimentador, há o esforço contínuo por coletar dados, informações, explicações, histórias, etc... Porque a coleta dessas informações são vistas como fundamental para a continuidade da vida, a mente nos convence de que sem a presença deste alguém no corpo, de que sem a presença do ego é impossível viver a vida tal como ela se apresenta "no mundo" para cada um de nós, e nisso a mente tem um grande trunfo...

E vejo a todo instante iscas sendo lançadas pela mente, a todo instante estou sendo tentado a embarcar em sua viagem, em suas fantasias, porque essas fantasias dão muito prazer mas como uma droga trazem o efeito colateral da dor. Essas fantasias reforçam o prazer, o orgulho, a vaidade, o medo e o desejo de se manter e dar continuidade a vida num formato individual, separado, ínfimo, dentro de imagens e interpretações sobre a vida, e que mesmo em sua miséria pode encontrar o prazer, o orgulho, a vaidade, o medo e o desejo em suas fantasias, na identificação da atenção, da consciência focada em pensamentos, focada no mundo, voltada o tempo todo para "fora", criando um "eu especial", e que por ser especial necessita de defesas, e necessitando de defesas ele adentra um ciclo de ataque, conflito, atrito, culpa, raiva, rancor, desconfiança etc, escondidas por de trás da ideia da defesa mental de alguém especial, de alguém importante, que está condenado a desaparecer a qualquer momento, porque a vida lhe dissipará a qualquer instante de sua forma, e o medo do desaparecimento está tão entranhado no corpo, que a sua maior defesa é criar uma entidade presente no corpo, como sempre nos aponto o Mestre: "ego é medo, é resistência". E ser especial para "si mesmo" e para os "outros" é fundamental para a continuidade dessa entidade separada que se valoriza como tal, e para isto, o ego cria a espiritualidade, para ter a possibilidade de poder existir tal como existe hoje, até mesmo num "post mortem".

Se não há alguém por de trás do pensamento e o pensamento é apenas uma fenômeno material como outro qualquer, ou seja, algo que aparece e desaparece, então não há problema algum com o pensamento, agora se há alguém por de trás do pensamento pensando, então toda a sua expressão é egóica. Mas aqui onde estou não tenho a mínima condição de saber de onde surge este escrito por exemplo, esta fala, mas não há mais o interesse em saber, então a escrita surge espontânea, sem uma aparente direção este que parece escrever, sem um embasamento lógico ou qualquer compromisso com a ideia de que existiria uma maneira real de transmitir a verdade por meio de palavras, e sem nenhum apelo de uma ideia de autoria que reivindica e defende suas crias, suas criações, suas ideias, ou seja, aqui tudo apenas acontece enquanto eu mesmo não aconteço.

Aqui hoje todo pensamento é visto como uma fantasia, e como uma fantasia não deve ser levada a sério, e nem merece riso contínuo, mas na maior parte do tempo a atitude que brota diante dos pensamentos que surgem é de indiferença ou riso....

Não confiem em minhas palavras, são apenas fantasias escritas, aquilo que está sendo visto não pode ser testemunhado por palavras. Palavras no ego são como uma cola, um cimento, são a base superficial de todas as crenças, de toda construção mental, de todas as ideias, de toda possibilidade de "ensino - aprendizado",  visto que as suas bases de fato, não são vistas a partir da mente, mas tão somente a partir da Luz da Presença, da Luz da Graça, da Graça do Guru...

Assim como a visão do mundo só pode surgir diante do olhar a partir de uma luz que se acende e se faz presente de forma natural ou artificial, a visão da realidade só pode ser vista se a luz da Presença e da Graça esteja acesa num "ponto anterior ao próprio olhar", ou seja, na fonte de onde todo pensamento surge. Isto é assim porque não há ninguém por de trás do olhar, só há vida, a luz da Sua Graça, só há esta Inteligência Suprema anterior e posterior ao olhar.

Vejo isto o tempo todo? Se quer posso dizer que vejo, mas não há dúvidas de que, o que aqui está presente é o ver, é o olhar, é o testemunhar, é a vida em sua expressão misteriosa, inexplicável e sempre oculta para a mente, por essa razão, todo pensamento que surge na tentativa intencional de explicar a vida por meio de palavras, por meio de pensamentos, é fruto de uma completa fantasia.

O desejo de explicar, de desvendar, de resolver um problema que é insolúvel, pelo fato de não ser real, faz com que alguns tenham como crença enraizada e contraída a ideia de que o pensamento tem o poder de revelar a realidade, de explicá-la e ensiná-la. Completa fantasia! Mas trata-se de uma fantasia intransponível a partir da visão da própria fantasia que é a entidade separada, uma fantasia que convence e confirma a presença de um eu, de um ego dentro do corpo, portanto, só a partir de uma luz que se acenda fora da percepção da mente, pode ser dissipada a ilusão da ignorância que é base do sentido de separatividade. 

E peço para a Graça da Guru me libertar momento a momento dessas iscas da ilusão, dessa persistente e contínua produção de fantasias que a mente despeja enquanto aqui ainda se faz presente este ser pensante, mas a alegria aqui presente é em perceber a cada instante que a busca acabou, e que aquilo que hoje está presente é apenas o "Trabalho", o "Trabalho" de autorrealização, que não é um trabalho meu, é um trabalho muito natural como é a vida, acontece apesar de mim, além dos desejos, além das ideias, além das crenças, além do percebedor, do entendedor, além de toda e qualquer fantasia que a palavra tem o poder de construir, um trabalho que acontece por meio desta Presença que é o Mestre, que é Deus, que é a verdade.

Você também quer descobrir isto de perto, descobrir o que paz, o que é liberdade, o que é felicidade, o que é bem-aventurança, o que a verdade sobre si mesmo? Venha ao Satsang!


Jaya Guru Deva Om!


 *

quarta-feira, 1 de abril de 2015

A Consciência, A Verdade Sempre Será um Mistério!



O Estado Natural, que é Consciência, não se importa com o que acontece. É só o ego que se importa. Ele se importa porque ele quer interferir, ele quer mudar, ele quer moldar, ele quer... Ele sabe... Ele tem a arrogância de saber o que anda acontecendo.

A vida para o ego, não é um mistério, é um enigma que ele pode decifrar, não é só um simples mistério. Só um mistério! E vai continuar sempre sendo um mistério!

A Consciência, a Verdade sempre será um mistério. Mesmo o sábio não diz “eu sei”. Ele não diz “eu sei” porque ele sabe que não sabe! Ele sabe que não sabe porque sabe que tudo é um grande mistério! E essa é beleza da vida, ela ser um mistério; ela ser o que ela é; ela não ter explicação; ela não dar explicações sobre ela!

É aqui que falha toda a nossa vã filosofia, nossa vã espiritualidade, porque é a tentativa de explicar o inexplicável. Por que você não abraça este "não sei", este "não saber"? Abraçar isso é o fim do sofrimento, que é o fim do eu, que é o fim da imaginação.


Mestre Gualberto


Para ler o texto completo acesse: 

domingo, 29 de março de 2015

Desista de apropriar-se de uma experiência que não é sua!


A sua experiência do mundo é tão ilusória quanto você nessa experiência. Só lhe resta aquilo onde a experiência e o eu aparece.  

No sono profundo não há a experiência do "eu" vendo, ouvindo e pensando. Se você, agora mesmo, fechar os olhos e não experimentar um único pensamento aí, inclusive o pensamento "eu sou o corpo", não haverá um "alguém" experimentando. 

No entanto, algo permanece, algo desconhecido e indescritível, fora de definições e experiências: a Verdade, que está além da mente, porque a mente, aqui, pressupõe a presença de um "eu” experimentando esse ver, ouvir, pensar, e toda e qualquer experiência.  

É aqui que se situa todo conflito humano, que é a ideia de "alguém experimentando o mundo". Isto é a dualidade, com a ideia de "eu e o mundo", "eu e minhas certezas, ou incertezas e dúvidas", "eu e minhas experiências". Quando falamos de ego, estamos falando da ilusão de "alguém experimentando o seu mundo". Estou dizendo o seu mundo, porque não há nenhum mundo separado desse eu; não há nenhum eu separado desse mundo. 

Repare que eu não estou negando a experiência, estou negando o experimentador. A experiência é parte da aparição nessa Consciência. 

Essa Consciência é aquilo que chamo de Presença, Ser, Verdade, sua Natureza Real. Então, há somente a experiência acontecendo e mudando, mas sem "alguém" nisso.



Você deve trabalhar isso momento a momento, em cada segundo da sua vida. O convite da mente vai ser sempre para situar você como um "eu" experimentando o mundo, de dentro do corpo. Estou, aqui, dizendo que você não é o corpo, nem essa experiência dos sentidos. Você está além do corpo, você não está nessa experiência mental. Você está além da mente.


Mestre Gualberto


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