quinta-feira, 23 de abril de 2015

O Desalojar do Ego



Desalojar este impostor que se passa por nós realmente não é confortável, para a grande maioria que permite-se vivenciar um trabalho real com um Mestre vivo, isso não é confortável. Este impostor está alojado no corpo e nós estamos profundamente identificados com o corpo, tanto que as nossas preocupações no decorrer da vida estão centradas em seu bem estar, trabalhamos uma vida toda pelo seu conforto, uma vida de preocupações e medo, porque por mais que o protegemos, sabemos que ele é frágil e que se quebrará a qualquer instante e toda a sua história será varrida do tempo e ficará para trás. Exemplo disso que  para muitos de nós, é como se nossos bisavós ou tataravós nunca tivessem existidos, porque praticamente nada sabemos sobre eles, e daqui duas ou três gerações será como se nunca tivéssemos existidos, porque nada saberão a respeito deste "eu" que acreditamos ser, que de tão importantes não serão lembrados por ninguém.

Mas, de fato, desalojar a ideia de um "eu" presente no corpo não é fácil. A muitos anos estamos acostumados a ouvir esta voz que fala em nossas cabeças, estamos tão familiarizados com ela que achamos que é a nossa própria voz. Preste atenção e verás que esta voz está te manipulando o tempo todo, essa voz diz "eu sou o corpo", eu me chamo fulano de tal, eu preciso disso e daquilo, preciso alcançar isto ou aquilo, chegar até lá ou acolá, esta voz está sempre te colocando em movimento, nunca te permitindo parar. Porque só parando você pode constatar a sua natureza que é imutável...

Compreender isto em um nível intelectual é inútil, o simples entendimento sobre a não-dualidade, sobre o sentido de separatividade, não coloca fim a separação, o fim do sentido de separação é uma determinação da Graça, sem uma rendição, sem uma disposição real de entrega e com base tão somente em especulações, toda esta falácia é somente uma crença como outra qualquer, levando a uma discussão de ideias, onde a mente, discute com a própria mente e reforça o seu sentido de separatividade, antes de encontrar um Mestre vivo, por muito tempo, também cultivei tal estupidez.

Não importe-se com desconfortos, se você está trabalhando isto com Guru sua real aliança é com a verdade e não com o corpo, não com a mente. Porque sua real aliança é com sua Natureza Real que é Deus e não com o corpo cuja aliança que você realiza é com o prazer e a dor, com o nascimento e a morte.

Todo desconforto que possa surgir dentro de um trabalho como este é ótimo, é um claro sinal de que o ego está sendo desalojado, então permaneça aí. Mil ilusões cairão a sua direita, dez mil a sua esquerda e você permanecerá, porque você mesmo não é uma ilusão. Chegou a hora de vivenciar de verdade, a sua Natureza Divina e dar adeus ao medo, ao conflito, ao desejo, as crenças e a todas as limitações do corpo, e como diria nosso Mestre Gualberto "é  hora de romper completamente com a ilusão e testemunhar o nascimento de Buda, o nascimento de Cristo, o nascimento de Deus em si ."

O corpo tem somente duas serventias; ou nasce  para virar adubo para a terra, como um saco de bosta, tal como esterco ou ele se transforma em um terreno fértil para o florescimento de Deus... Sendo assim, seja grato a todo desconforto que o trabalho com um Mestre vivo possa te provocar, todo desconforto vem e vai para revelar aquilo que não vem e nem vai, cultivando no corpo somente aquilo que é real,  aquilo que é a verdade, aquilo que é a única e suprema realidade... 

Jaya Guru Deva Mestre Gualberto!

segunda-feira, 20 de abril de 2015

A Prisão da Crença na Verdade





Vou descrever um pouco das crenças que aqui estavam instaladas em detrimento a outras que ainda aqui estão, e que através da Graça do Guru puderam ser diluídas ou até apagadas do sistema de crenças que formam a ideia de um “eu” aqui, diminuindo a carga, o peso, da crença no conhecimento.

Aqui fora cultivado aparentemente por um conjunto de experiências da infância e o subsequente hábito da leitura; a autoimagem da figura de um buscador espiritual em mim, formada precocemente a partir dos 14 anos de idade quando comecei a ler Allan Kardec (o codificador da doutrina espírita) e pouco depois Masaharu Taniguchi (fundador da tão conhecida doutrina religiosa chamada Seicho-no-ie), para depois se desdobrar de forma caótica e desorganizada num estudo sem foco formado por um misto de filosofia, busca espiritual, política, realismo fantástico, psicanálise e psicologia analítica, sociologia, literatura, budismo, entre outros apanhados, que fortaleceram e deram base para a continuidade desta autoimagem, deste eu imaginário, deste buscador espiritual.

Não compreendo a vida, portanto não sei dizer se toda essa busca fora necessária e contraproducente, o fato é que os elementos reais que apontavam para a verdade, sempre estiveram presentes aqui de forma muito simples e direta, manifestando-se momento a momento, por detrás de todo acontecimento, de todo movimento natural da vida, antes mesmo do encontro com um Guru na forma.

Este processo de busca baseado na crença da compreensão da verdade a partir de uma base intelectual, alicerçada no entendimento é que me conduziu aos livros, e com os livros vieram muitas informações, e as conexões dessas informações com outro conjunto de informações recorrentes deram margem para a formação de um novo conjunto de crenças, criando imagens mentais a respeito da verdade, sem trazer uma real aproximação com a verdade, e para ver isto, bastou constatar, o fato de que, com o passar dos anos, nesta aproximação equivocada da verdade, informações se acumularam e a confusão aumentou, novos livros surgiram e o medo se ampliou, traumas pareceriam ser compreendidos mas os padrões persistiam, e de certa maneira, mais do que isto, se intensificaram.

O Tom, que é este aqui que vós escreve, era o tipo do sujeito que possuía a solução para todos os problemas da humanidade ao discutir questões filosóficas, políticas, religiosas ou ditas espirituais, porém, em sua vivência direta, experimentava um estado caótico e miserável de medo acompanhado por mudanças bruscas de humor, assim como de co-dependência emocional, de desejo sexual exacerbado, de um sacrifício constante por busca de preenchimento emocional, sentimental, revestida de uma aura de falsa sabedoria, disfarçada sobre a aparência de uma capacidade mecânica no uso de palavras e associação arbitrária de conceitos de diversas fontes, utilizadas como forma de argumentação para fundamentar suas opiniões e pontos de vista relacionados a existência como um todo. Ou seja, o Tom aparentava ser  esse misto, esse agregado mental, essa colcha de retalhos que parecia muito original, quando contada por esta “voz na cabeça” que insisti em contar histórias para situar no corpo e no tempo uma entidade separada a parte do todo.

Apesar de não mais me identificar com este sujeito tão eloquente e conhecedor de assuntos espirituais, já que a eloquência não foi uma escolha e nem uma decisão mas sim um atributo desenvolvido de forma tão natural quanto as características genéticas do corpo, mas muitas vezes desprezada ou apreciada equivocadamente, e o conhecimento espiritual fruto de distorções e fantasias muito bem embasadas, tais como sofismas, sou obrigado a conviver com a impressão de que hoje caminho sobre o fio da navalha, pois a mente é muito hábil em continuar despejando fantasias muito convincentes revestidas de uma roupagem lógica, plausível e de bom senso humano e criar uma imagem da verdade, não permitindo assim uma vivência direta da realidade.

Mas o incomodo deste sentimento de caminhar sobre a navalha, desta sensação de viver no limiar entre a loucura e o desconhecido, ou de uma desconhecida forma de loucura, ou aquilo que chamam nas tradições espiritualistas de “a noite escura da alma” são profundamente amenizadas através da Graça da Presença do Guru.

Quando todo este pensamento caótico e desorganizado criava uma imagem de um conhecedor arrogante e ancorado na crença de que aqui existia um eu sufocado pelo mundo, por desejos, medos, carências e conflitos, isto pesou consideravelmente até o dia em que mesmo com todas as dificuldades de “um alguém” cheio de preconceitos com relação a ideia de um “Deus”, me dobrei a necessidade de orar e pedir, era claro naquele instante que todo esforço feito naquela direção não havia trazido o retorno desejado em forma de paz, de liberdade e felicidade, mas apenas uma vasta biblioteca de registro de aprendizados, impressões, sensações e imaginações na forma de memórias e pensamentos, sustentando o sentido de separação. 

Tendo sido constatado o cansaço naquele momento de rara lucidez e ausência de arrogância, no dia primeiro de Junho de 2011, onde “eu” acreditava de coração que a “minha busca” pela verdade era sincera e real, mas sentia que estava ainda faltando algo, a oração pediu por um encontro, um encontro com aquele que estivesse desperto para a sua Real Natureza, que não mais possuísse um traço de ego e que houvesse se recordado de sua “face original”, que já houvesse realizado Deus e que não estivesse mais limitado a padrões, condicionamentos e crenças, e assim estivesse vivendo aquilo que é real - “quem dera através deste encontro—dizia a oração em mim, que espontaneamente surgiu naquele instante em súplica pela realidade, pela verdade -” eu poderia viver um encontro santo"? Duas horas após a oração, acontecida naquele dia, eu me deparei com o meu Mestre, ao entrar em uma plataforma de chat e conferência chamada Paltalk Senses, para estudar inglês, mas uma espécie de guiança interna me encaminhou para o endereço e para a sala aberta onde Ele começava a compartilhar e tornar público sua vivência direta com a Autorrealização, sendo a segunda ou terceira vez que Ele abria aquela sala online.

O encontro com o Guru não representou de imediato o fim da busca por conhecimento, explicações e respostas, muito menos o fim da busca por preenchimento em pensamentos, emoções, desejos e sensações, um fardo carregado por muito tempo molda com o seu peso as características daqueles que o carregam e raramente são imediatamente soltos, o medo aqui sempre fora muito grande para que eu pudesse com facilidade abrir mão de minhas muletas.

Se você acredita compreender o que é isso, se você por meio da leitura tem se aproximado disso, ou mesmo tendo encontrado o Guru, continua na busca, lendo, aprendendo, construindo a formação de uma vivência pessoal, se você ainda necessita de parâmetros, provas cabais, e de comparar a fala de muitos acordados e instrutores espirituais, compartilhando deste conhecimento que eles parecem nos transmitir, onde um Mestre anterior valida um atual, ou quando esses parecem constituir uma classe de pessoas com um mesmo discurso, um mesmo consenso, você está ainda com muito medo e se encontra distante de uma verdadeira entrega, de um contato vivencial e direto com a verdade, você está em busca de uma confirmação para suas crenças e não disposto a mergulhar nessa dissolução, a cair neste abismo, neste desconhecido convite que o Guru lhe faz.

Como me apontou o Mestre “A verdade não é compreensível, mas é realizável, e é realizável a partir de uma ação da Graça e não da ação, escolha, desejo ou ambição de um eu.”

As duras penas, portanto, aqui caiu a ideia de alguém para realizar isso, para alcançar Deus, tal como quem se propõe a construir uma torre de babel e assim se perder em muitos idiomas, em muitas vozes, pensamentos, imagens, memórias, interpretações e ideias, afirmando que está em uma real busca pela verdade, quando de fato não está. Caiu a imagem de “um alguém” que possa capturar, possuir, controlar e manipular a verdade, como se a verdade pudesse se tornar uma ferramenta nas mãos de um eu, caiu a ideia da separação entre aquilo que sou e aquilo que é verdade. 

Hoje não sei o que sou e muito menos sei o que é absolutamente a verdade, as certezas caíram, mas a confiança nessa guiança, nessa Presença, nessa Graça do Guru, traz consigo uma paz, um equilíbrio, uma alegria, uma aliança real, que é impossível de se explicar mas que é intensamente e permanentemente sentida como um elemento novo e ao mesmo tempo familiar, conduzindo a uma real aproximação da verdade, desta verdade indescritível, inominável, incompreensível, mas sempre presente como vida, como Graça, como Presença, com Silêncio, como Amor, inexplicável amor...

E aqui eu honro e dou Graças ao Mestre Gualberto em gratidão por esta comunhão, por este pegar em minhas mãos e me conduzir por este caminho que sou eu mesmo, rumo a mim mesmo, sem nenhum conceito, sem nenhuma crença sobre este si mesmo ou a certeza de que aqui possa existir qualquer coisa para ser chamada de si, de mim, de eu.

Jaya Guru Deva!
 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Todo Pensamento é uma Fantasia




Desde quando encontrei meu Guru, Mestre Marcos Gualberto, a quase quatro anos atrás, tenho ouvido-O nos dizer (como Ele diz: "Vez após vez, após vez, após vez"): "Todo pensamento que passa pela sua cabeça é uma mentira." - Ouvir isto sempre foi muito impactante aqui, chocante, não importa quantas vezes tenha ouvido... Porém por muito tempo eu não pude ver o que Ele estava de fato dizendo. Assim sendo continuei valorizando o pensamento, o pensamento era o maior investimento que a atenção presente em mim havia realizado, tudo poderia ser abandonado, tudo... Mas havia uma coisa do qual eu não poderia abrir mão, e eu não poderia até então abrir mão do pensamento.

Todo ideia relacionada a existência de uma entidade separada da vida, vivendo dentro de um corpo tem seu alicerce, sua coluna principal, sua espinha dorsal no pensamento, que surge aparentemente sob o controle de um pensador, o surgimento do pensador determina o aparente surgimento de uma "entidade separada" no homem, assim sendo, abrir mão do pensamento seria abrir mão da "minha entidade separada", abrir mão do "eu", reconhecendo aquilo que o meu Guru sempre nos diz e que também choca "não há ninguém dentro do corpo".

E algo muito engraçado se faz presente, os pensamentos hoje são todos muito cômicos, é um pouco difícil falar a partir deste lugar sem rir...

O que vejo hoje é uma contínua enxurrada de fantasias que o cérebro descarrega sobre o corpo, e nele surge uma visão distorcida da vida, criando uma interpretação constante da existência por meio da avaliação, da comparação, do julgamento, do desejo, da aversão e principalmente do medo. A todo tempo existe a necessidade de defesa, esta entidade separada precisa viver na tensão e no medo para criar uma contração no corpo que surge como uma necessidade imperiosa de construir muros. Muros que possam manter intacta a ideia de uma entidade vivendo a vida dentro do corpo, uma entidade além da vida, protegida por um emaranhado de crenças, memórias e impressões de registros de experiências no corpo.

Vejo todas as fantasias que aqui foram descarregadas desde a infância, quase o tempo todo, sendo expurgadas, passando diante deste observador que se sente tentado o tempo todo de não ficar somente no olhar desses fenômenos aparecendo e desaparecendo. Esses fenômenos só perdem a sua importância quando não há mais a presença da ideia de um "alguém" que possa valorizá-los, e havendo só a experiência não há o experimentador e portanto não há conflito, separação ou dualidade, mas quando há o experimentador, há o esforço contínuo por coletar dados, informações, explicações, histórias, etc... Porque a coleta dessas informações são vistas como fundamental para a continuidade da vida, a mente nos convence de que sem a presença deste alguém no corpo, de que sem a presença do ego é impossível viver a vida tal como ela se apresenta "no mundo" para cada um de nós, e nisso a mente tem um grande trunfo...

E vejo a todo instante iscas sendo lançadas pela mente, a todo instante estou sendo tentado a embarcar em sua viagem, em suas fantasias, porque essas fantasias dão muito prazer mas como uma droga trazem o efeito colateral da dor. Essas fantasias reforçam o prazer, o orgulho, a vaidade, o medo e o desejo de se manter e dar continuidade a vida num formato individual, separado, ínfimo, dentro de imagens e interpretações sobre a vida, e que mesmo em sua miséria pode encontrar o prazer, o orgulho, a vaidade, o medo e o desejo em suas fantasias, na identificação da atenção, da consciência focada em pensamentos, focada no mundo, voltada o tempo todo para "fora", criando um "eu especial", e que por ser especial necessita de defesas, e necessitando de defesas ele adentra um ciclo de ataque, conflito, atrito, culpa, raiva, rancor, desconfiança etc, escondidas por de trás da ideia da defesa mental de alguém especial, de alguém importante, que está condenado a desaparecer a qualquer momento, porque a vida lhe dissipará a qualquer instante de sua forma, e o medo do desaparecimento está tão entranhado no corpo, que a sua maior defesa é criar uma entidade presente no corpo, como sempre nos aponto o Mestre: "ego é medo, é resistência". E ser especial para "si mesmo" e para os "outros" é fundamental para a continuidade dessa entidade separada que se valoriza como tal, e para isto, o ego cria a espiritualidade, para ter a possibilidade de poder existir tal como existe hoje, até mesmo num "post mortem".

Se não há alguém por de trás do pensamento e o pensamento é apenas uma fenômeno material como outro qualquer, ou seja, algo que aparece e desaparece, então não há problema algum com o pensamento, agora se há alguém por de trás do pensamento pensando, então toda a sua expressão é egóica. Mas aqui onde estou não tenho a mínima condição de saber de onde surge este escrito por exemplo, esta fala, mas não há mais o interesse em saber, então a escrita surge espontânea, sem uma aparente direção este que parece escrever, sem um embasamento lógico ou qualquer compromisso com a ideia de que existiria uma maneira real de transmitir a verdade por meio de palavras, e sem nenhum apelo de uma ideia de autoria que reivindica e defende suas crias, suas criações, suas ideias, ou seja, aqui tudo apenas acontece enquanto eu mesmo não aconteço.

Aqui hoje todo pensamento é visto como uma fantasia, e como uma fantasia não deve ser levada a sério, e nem merece riso contínuo, mas na maior parte do tempo a atitude que brota diante dos pensamentos que surgem é de indiferença ou riso....

Não confiem em minhas palavras, são apenas fantasias escritas, aquilo que está sendo visto não pode ser testemunhado por palavras. Palavras no ego são como uma cola, um cimento, são a base superficial de todas as crenças, de toda construção mental, de todas as ideias, de toda possibilidade de "ensino - aprendizado",  visto que as suas bases de fato, não são vistas a partir da mente, mas tão somente a partir da Luz da Presença, da Luz da Graça, da Graça do Guru...

Assim como a visão do mundo só pode surgir diante do olhar a partir de uma luz que se acende e se faz presente de forma natural ou artificial, a visão da realidade só pode ser vista se a luz da Presença e da Graça esteja acesa num "ponto anterior ao próprio olhar", ou seja, na fonte de onde todo pensamento surge. Isto é assim porque não há ninguém por de trás do olhar, só há vida, a luz da Sua Graça, só há esta Inteligência Suprema anterior e posterior ao olhar.

Vejo isto o tempo todo? Se quer posso dizer que vejo, mas não há dúvidas de que, o que aqui está presente é o ver, é o olhar, é o testemunhar, é a vida em sua expressão misteriosa, inexplicável e sempre oculta para a mente, por essa razão, todo pensamento que surge na tentativa intencional de explicar a vida por meio de palavras, por meio de pensamentos, é fruto de uma completa fantasia.

O desejo de explicar, de desvendar, de resolver um problema que é insolúvel, pelo fato de não ser real, faz com que alguns tenham como crença enraizada e contraída a ideia de que o pensamento tem o poder de revelar a realidade, de explicá-la e ensiná-la. Completa fantasia! Mas trata-se de uma fantasia intransponível a partir da visão da própria fantasia que é a entidade separada, uma fantasia que convence e confirma a presença de um eu, de um ego dentro do corpo, portanto, só a partir de uma luz que se acenda fora da percepção da mente, pode ser dissipada a ilusão da ignorância que é base do sentido de separatividade. 

E peço para a Graça da Guru me libertar momento a momento dessas iscas da ilusão, dessa persistente e contínua produção de fantasias que a mente despeja enquanto aqui ainda se faz presente este ser pensante, mas a alegria aqui presente é em perceber a cada instante que a busca acabou, e que aquilo que hoje está presente é apenas o "Trabalho", o "Trabalho" de autorrealização, que não é um trabalho meu, é um trabalho muito natural como é a vida, acontece apesar de mim, além dos desejos, além das ideias, além das crenças, além do percebedor, do entendedor, além de toda e qualquer fantasia que a palavra tem o poder de construir, um trabalho que acontece por meio desta Presença que é o Mestre, que é Deus, que é a verdade.

Você também quer descobrir isto de perto, descobrir o que paz, o que é liberdade, o que é felicidade, o que é bem-aventurança, o que a verdade sobre si mesmo? Venha ao Satsang!


Jaya Guru Deva Om!


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quarta-feira, 1 de abril de 2015

A Consciência, A Verdade Sempre Será um Mistério!



O Estado Natural, que é Consciência, não se importa com o que acontece. É só o ego que se importa. Ele se importa porque ele quer interferir, ele quer mudar, ele quer moldar, ele quer... Ele sabe... Ele tem a arrogância de saber o que anda acontecendo.

A vida para o ego, não é um mistério, é um enigma que ele pode decifrar, não é só um simples mistério. Só um mistério! E vai continuar sempre sendo um mistério!

A Consciência, a Verdade sempre será um mistério. Mesmo o sábio não diz “eu sei”. Ele não diz “eu sei” porque ele sabe que não sabe! Ele sabe que não sabe porque sabe que tudo é um grande mistério! E essa é beleza da vida, ela ser um mistério; ela ser o que ela é; ela não ter explicação; ela não dar explicações sobre ela!

É aqui que falha toda a nossa vã filosofia, nossa vã espiritualidade, porque é a tentativa de explicar o inexplicável. Por que você não abraça este "não sei", este "não saber"? Abraçar isso é o fim do sofrimento, que é o fim do eu, que é o fim da imaginação.


Mestre Gualberto


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