quinta-feira, 22 de junho de 2017

Sem a associação com um Satguru é praticamente impossível



O Estado Natural é, por assim dizer, um estado livre de opressão interna, livre de resistências à pressões externas, livre de fixações em imagens, e, por ser livre de imagens: não carrega ambições, medos, desejos, presente, passado ou futuro, não sustenta uma autoimagem importante, especial ou o cultivo de uma personalidade para lidar com outros, pelo simples fato de que, no Estado Natural, não se revela e não aparecem "outros" que sejam reais na vivência direta deste estado.

O Estado Natural revela a solitude, o estar só, como uma realidade intrínseca à natureza deste estado, isto quer dizer que àquele ou àquela que se estabeleceu em seu Estado Natural de Ser, encontra-se completamente desacompanhado, sem nenhum vínculo, sem nenhuma dívida, sem nenhuma obrigação para com nada e para com ninguém, suas ações não nascem oriundas do medo e nem do desejo, ela é natural, uma ação natural não  nasce da busca por resultados, porque, não nasce de um anseio pessoal, apenas flui suavemente ou vigorosamente como a passagem da água pelas margens de um rio.

O Estado Natural é fruto de um trabalho, que tem como base a purificação, que é a liberação de toda e qualquer tensão e opressão que possa ser carregada pela estrutura corpo-mente. Por se tratar de um trabalho, existe por de trás dele um processo, gradativo, contínuo, que requer tempo para que este estado possa se assentar, se estabelecer, nessa estrutura. Assim como o estado psicológico de ansiedade, de medo, desejo, de anseio ou de qualquer outro estado precisa de tempo para se instalar, se estabelecer e se firmar, com uma energia manifesta de forma específica, da mesma maneira, é necessário um trabalho e tempo para que essa energia possa se dissipar e dar lugar ao Estado Natural. O "eu" é uma opressão, quando o "eu" se dissipa completamente o Estado Natural se estabelece.

Como o Estado Natural requer um trabalho, este trabalho não pode ser realizado por um "eu", por "alguém", porque onde há  um "eu"; há uma personalidade, onde há uma personalidade; há alguém, e onde há alguém; há  opressão, e a opressão não pode dissipar a opressão, mas pode fortalecê-la, alimentá-la, e assim, dar continuidade para a aparente vida desta entidade que chamamos de "eu". Sendo assim, como pode, um trabalho autêntico, ser conduzido sem a interferência de um eu?

É aí, neste instante, que por uma ação da Graça, da vida, surge a última relação, a relação Mestre-discípulo, que marca o início de um trabalho que conduzirá o discípulo ao Estado Natural, obviamente, somente aquele que se encontra, completamente estabelecido, em seu Estado Natural, livre de toda e qualquer opressão, de todo e qualquer medo, anseio, e vínculos, livre de toda qualquer dívida ou obrigação, livre das tendências latente da mente, ou seja, livre dos vasanas que formam a base para a contração de um indivíduo como uma entidade separada da vida, livre da ilusão da ignorância, somente este; O SatGuru (que é aquele que se encontra estabelecido no Estado Natural e assim pode desempenhar de forma pura, espontânea e simples o papel de Guru), pode conduzir o discípulo (que é àquele que de maneira singela, pura e voluntariamente se rende, se entrega a guiança de seu Mestre), ao estabelecimento do Estado Natural.

Por essa razão, a relação Guru-discípulo é a última relação para o discípulo (para o SatGuru já  não há mais nehuma relação, porque não há mais separação, não há mais um "eu" para se relacionar).

E para finalizar, aqui, faço um convite, venham ao Satsang com o Mestre Gualberto, pois através deste encontro é possível o início de um trabalho autêntico, uma vivência direta e real deste Estado Natural. Neste espaço, neste Satsang não é compartilhado ideias, crenças, doutrinas, conhecimento advaita ou espiritualista, não é dado suporte para a continuidade dessa opressão chamada "eu", ao contrário, é aqui que o "eu" e seus condicionamentos, seus padrões egoicos e repetitivos, que são suas bases, seus vasanas, desmontam. É o início de uma vida real, livre da opressão e do medo.

Acesse a nossa agenda e participe:

Encontros Presenciais:

http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang

Encontros online:

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quinta-feira, 8 de junho de 2017

A metáfora do aparecimento e do desaparecimento daquilo que nunca existiu


Vamos dizer que você é espaço vazio e pleno, e sobre ele, de repente, surgiu a água, que em grande volume é chamado de oceano, e agora você se vê como este oceano, se torna como o oceano. E como oceano você é a mesma água presente em todos os rios, presente em todos os lagos, fontes, riachos e mananciais, por de trás de todos os reservatórios, de baixo de todo solo freático, você é a água, a água presente nas nuvens do céu, na umidade do ar, nas geleiras dos pólos, você é a mesma água vinda do espaço, presente no corpo de cada organismo na terra ou em qualquer outra parte... 

Porém, seus olhos se fixaram na superfície do oceano, seus olhos são agora o mar, que é a mesma água em todo e qualquer lugar e sua atenção, de uma maneira desavisada, se fixou em seus olhos, na superfície do mar, a partir deste instante, tudo que parece acontecer sob a superfície começa a se tornar muito relevante, parece que está acontecendo a você espaço, que agora parece não ser mais o espaço, aparece e parece como água, que se parece oceano que agora se vê como o mar... 

A agitação do mar só pode ter uma explicação para você, sua inquietude, seus medos, você sente que pode ser atingido por algo vindo de fora, algo como o vento, como a gravidade, como o lixo vindo da superfície da terra... É como se algo pudesse alterar sua natureza. 

Você, tão fixado sob a superfície, esquece de que você não é o mar, de que antes de ser mar você é o oceano, de que antes de ser oceano você é água, a mesma água presente em muitas partes do mesmo espaço imutável, e como água, viajando em esferas, porém única, ordinária aparição aquática, como qualquer outra aparição surgida no espaço.

Mas, agora, você só tem olhos para esses olhos ordinários da superfície, localizada num determinado espaço e tempo, você se particularizou, consequentemente, sua imensidão desapareceu, aquela paz e tranquilidade de sua profundidade oceânica parecem que desapareceram.

Algo de muito errado parece ter lhe acontecido para você espaço-água, agora oceano, perdido no mar superficial de preocupações, e além de suas preocupações começa a lhe chegar, em ondas, o rumor de que outros mares, de outras praias, que também confiam em suas impressões superficiais, impressões que não são mais irrelevantes para ti, ao contrário, são o alimento necessário para todas as suas preocupações, e você acredita que já não é mais a água, você agora é alguém, você não é mais a vida se expressando em sua fluidez, você agora carrega uma imagem de si mesmo, você é o mar, se esqueceu da água, se esqueceu do oceano, e acredita qye há muitos mares como você, se esqueceu do espaço que é na verdade a sua realidade, se fixou em pobres olhos, se fixou em impressões, em sensações, em ideias sobre essas impressões, você agora vive em um mundo particular de uma ego-identidade.

Uma grande inquietude parece surgir com essa ego-identidade. Você começa a sonhar que em algum lugar, deva existir um Deus mais imenso que o oceano, e que ele seja a fonte e a origem de toda as águas. E na sua angústia, ao meio de seus muitos medos e desejos, você começa a orar, a pedir por uma intervenção divina das águas sagradas... e um movimento vindo das profundezas do mar, lhe traz a sensação de que uma resposta de Deus está chegando para ti, você se emociona, chora, e banha de sal a água, e salga a água do mar... 

Qual é a realidade de tuas angústias? Qual é a realidade de você como alguém? Como é que você, que é na realidade este espaço infinito onde todas as águas aparecem, pode ter se reduzido ao mar da praia de Bertioga, de Ubatuba, e agora pertence a algum lugar no espaço, a um pais, a uma cultura? A uma multidão? Como?

E como pode o espaço se esquecer de si, se ele não necessita de nenhuma lembrança ou imagem para se recordar daquilo que é. E como pode a água se particularizar e se transformar em outra coisa além de água?Este é o sonho, a ilusão do sonho, a ilusão do sonhador.

Mas tudo isso são águas passadas, e águas passadas não movem moinhos, não altera o espaço, é irrelevante, mesmo que ainda apareça estar lá... Não move mais uma ego identidade.

Desapareceu aquilo que nunca apareceu, desapareceu aquilo que nunca existiu.

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