segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"Para Aqueles que Decidiram pela Mudança de Si Mesmos" 2ª Parte



A sabedoria sempre está acompanhada da simplicidade.

Mas a modernidade com todos os seus avanços tecnológicos, a informação massificada despejada sobre nós todos os dias pelos meios de comunicação e o comportamento consumista que faz do ato de comprar coisas um meio para a realização humana, nos distanciaram quase que completamente da simplicidade do Ser.

O desejo por sensações e mais sensações tem destruído a sensibilidade humana, pois quanto mais experimentamos novas sensações, maior é a necessidade pela busca de sensações mais intensas.

O ser humano é um fenômeno muito rico e abrangente, possui capacidades únicas na natureza, nasceu para buscar a sua plena integridade e a sua completa auto-realização, no entanto, a sociedade não provê por meio de sua educação, meios que possam dar suporte para o crescimento e o amadurecimento dos indivíduos, muito pelo contrário, a sociedade é opressiva, a família é opressiva, o medo impõe sobre as pessoas limites desnecessários, o preconceito divide e separa os indivíduos e as diferenças artificiais e superficiais são acentuadas a ponto de criar classes distintas, conflitos, choque de interesses e uma competitividade irracional, sem base, semelhante à de animais selvagens na floresta, na luta por território.

Não há a compreensão de que a multiplicidade de valores e a pluralidade de personalidades e comportamentos, que segundo a teoria MBTI classifica a humanidade em quatro grupos de temperamentos e dezesseis tipos de personalidade, enriquecem o conjunto da sociedade, muito pelo contrário, o Estado por meio da educação não reconhece e respeita as diferenças entre indivíduos, os pais querem que seus filhos sigam padrões fixos de comportamento, a religião não dá a possibilidade de cada um realizar a sua busca, utilizando seus recursos, e sondando o seu mistério, antes disso, procura impor velhas e gastas regras, utilizadas por povos antigos e completamente inadequadas à sociedade atual.

E desta forma a ausência de respeito por diferenças naturais, à ausência de estímulos para o desenvolvimento e amadurecimento de cada indivíduo de acordo com a sua própria natureza e uma cultura que impõe valores não naturais, impensados, doentios, competitivos, conflitantes e de extremo individualismo, cria uma opressão, uma violência ora silenciosa e ora gritante que é sentida por todos os seres humanos, desde o seu nascimento.

Aprendendo a agir por meio da ação e reação, condicionamentos, padrões de comportamentos, ciclos de julgamento, culpa e condenação, tudo isto gerando desconfortos coletivos, como o estresse, a neurose, a ansiedade, a inquietude, o sentimento de vazio, a carência afetiva e emocional e que conduz muitos indivíduos, a desenvolveram inconscientemente mecanismos de defesa que vai desde a indiferença e a ausência de sensibilidade, a síndrome do pânico, transtornos obsessivos compulsivos, transtornos psicológicos diversos como a bipolaridade entre outros, até a violência gratuita, ou a atividades ilícitas, como o roubo, o assalto, o assassinato, o tráfico, a corrupção política, a exploração da mão de obra, entre outras formas de reação e vingança.

Esta opressão violenta sentida por todos os indivíduos na sociedade gera uma tensão coletiva tão intensa, uma ansiedade tão excessiva e um medo camuflado tão visível que para suportar toda esta asfixia, a mente busca encontrar válvulas de escape, que possam desta forma diminuir a intensidade desta pressão e assim permitir que o indivíduo possa outra vez respirar.

A válvula de escape é uma estratégia inconsciente que se organiza de maneira minuciosa, tornando alguma atividade a princípio prazerosa, lúdica, que possa entreter, distrair e desta forma aliviar o indivíduo de suas tensões.

É como uma droga que no início satisfaz com o consumo de uma pequena dose, e posteriormente é necessário usar uma dose cada vez maior para se atingir o mesmo resultado de euforia ou de relaxamento alcançado anteriormente, seja no uso de drogas lícitas, como o cigarro e a bebida alcoólica, ou seja, no uso de drogas ilícitas, como a maconha, a cocaína, o craque, entre outras.

No sexo compulsivo, o indivíduo começa a busca pelo prazer de forma tranquila, mas depois necessitará de malabarismos e posições excêntricas, quando menos perceber, desejará ambientes exóticos, até chegar o momento que precisará multiplicar a quantidade de parceiros, ou até mesmo, precisará transar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, precisará de orgias, de swing, pois aquele que busca a adrenalina no sexo, não é diferente de nenhuma forma, daquele que consome drogas lícitas ou ilícitas em excesso, ambos tornar-se-ão escravos de suas dependências.

Outros irão se transformar em compradores obsessivos e, desta forma, acumularão dividas, terão suas vidas financeiras desequilibradas, necessitarão de cada vez mais dinheiro, para satisfazer sua sede de consumo e pagar seus cartões de crédito, financiamentos, etc.

Outros comerão de maneira compulsiva, desenvolverão uma obesidade descontrolada e adquirirão transtornos alimentares.

Alguns estabelecerão metas profundamente ambiciosas para tornar-se mais fortes diante da extrema competitividade do mercado de trabalho, seja na indústria, no comércio, na prestação de serviços ou mesmo nas organizações políticas e sociais.

Outros buscarão relacionamentos afetivos de forma compulsiva, pois não conseguem se ver sem um relacionamento amoroso, desta forma, estes desenvolverão co-dependência emocional, relacionamento intensamente conflitantes, estressantes e que consomem todas as suas forças emocionais.

Alguns deixarão de lado a convivência social e permanecerão horas e horas na internet, permanecendo fechados dentro de suas casas, de seus quartos, se entregando ao sedentarismo e ao isolamento do mundo.

Esses são apenas alguns exemplos de válvulas de escape, no entanto, é nítido ao observamos o fato de que a válvula de escape é apenas uma medida paliativa, que ensina-nos a conviver com nossos problemas e nossas dificuldades originadas da opressão coletiva, não trás soluções a essas questões, não barra o avanço do problema e muito menos diminui a opressão violenta presente na cultura de nossa sociedade.

E qual é a solução?

Cultivar a paz interior, o equilíbrio emocional, conhecer-se a si mesmo em sua autenticidade, as peculiaridades e singularidades de sua natureza, para que possa respeitar assim a si mesmo, suas próprias inclinações, seus dons, suas habilidades, seu amadurecimento, seu crescimento e sua auto-realização.

Reconhecer com clareza quais são todas as causas que te provocam tensões, medos, estresse, ansiedade, para assim desfazê-los e removê-los de todas as suas atitudes, todas as suas reações, todos os seus inconformismos e revoltas, todos os seus conflitos que alimentam cada vez mais o teu próprio mal estar, e que fortalecem desta forma a sua cadeia de opressão, que impede de vivê-lo a sua plena liberdade de ser, de pensar, de se comportar diante do todo.

É maravilhoso viver uma vida onde não há ansiedade, onde não estresse, onde sentimos estar de acordo com nossa natureza, com os nossos princípios, e podermos através da nossa sensibilidade curtir o sentimento de liberdade e de paz interior!

Conseguir isto é um processo gradativo... De mudança de paradigmas, de crenças limitantes, de rever todos os valores, de investigar a mente, de torná-la uma aliada e não uma inimiga, que cria uma fonte de preocupações e problemas sem fim.

Este é um processo de mudança, transformação e pleno amadurecimento.

Infelizmente desde crianças, lidamos com crianças grandes e não adultos e assim crescemos sem grandes referências de pleno amadurecimento e realização, portanto, buscar novas referências é também de suma importância.

Posteriormente irei abordar outros temas relacionados, para que eu possa continuar a compartilhar com todos aqueles que queiram, iniciar o processo de mudança de si mesmos, para que um novo ser possa nascer, livre da contaminação e das limitações do velho ser.




Referências:

Para saber mais sobre a classificação da personalidade segundo a escala MBTI e estudos do psicólogo Carl Gustav Jung e realizar o seu teste de temperamento e personalidade, visite: http://sites.mpc.com.br/negreiros/index.html

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