domingo, 21 de junho de 2009

EU E SÓCRATES



Poderia parecer megalomania "das bravas" semelhante àqueles acessos furiosos de mania de grandeza da minha adolescência, escrever um texto cujo título é "Eu e Sócrates", mas não, na idade adulta não o é.

Entretanto um traço adolescente que precisa ser deixado para trás está explicito no inicio desta reflexão, é esta tendência de utilizar justificativas, como alguém que, de tão habituado que está de atacar e ser atacado, já levanta suas defesas esperando o "inevitável ataque".

Rodeios à parte, posso francamente dizer para mim mesmo neste momento: Não sei ao certo onde estou, não sei ao certo o que estou a fazer neste instante, não compreendo com exatidão este momento, não sei bem ao certo quem eu sou, portanto, de que maneira não admitir como Sócrates neste exato estágio cíclico da minha aparente existência terrena que "tudo quanto sei é que nada sei"?

Aos poucos aqueles significados fixos e atômicos vão perdendo a sua consistência de outrora e aquilo que parecia ser indivisível é descoberto passível de divisão, aquilo que parecia separado torna-se ponto de união e interdependência.
Os meio e métodos inquestionáveis para a formação de juízos de valores que determinavam de maneira cartesiana a realidade a nossa volta até então, tornaram-se duvidosos, dúbios, tudo devido a um "princípio de incerteza".

Ao reconhecer as nossas limitações e a ausência de sentido na investigação que isola um objeto do grande todo, afim de analisá-lo com precisão, descobrimos que por intermédio do raciocínio lógico de bases empiristas e positivistas não somos capazes de determinar o que é e o que não é real, pois não possuímos por meio dessas escolas modernas um método adequado para que por meio da formulação de teorias, fórmulas, gráficos e modelos simbólicos representativos de uma realidade direta, onde sejamos capazes de descrever a verdade arbitrariamente.

Nos acostumamos ao fato de que a ciência nos permitiu manipular (aparentemente) uma “ampla realidade” e de que, portanto esta abordagem de avaliação de mundo e existência humana é inquestionavelmente o meio mais confiável, racional e preciso que possuímos para estabelecer aquilo que denominamos realidade, quando no entanto, ao observamo-nos como seres dotados da qualidade chamada emoção, nos vemos preso a mesma cadeia de acontecimentos deterministas do ciclo da existência de encontros, desejos, expectativas, medos, inseguranças, união, separação, desencontros, angústias, incertezas, nascimento, crescimento, envelhecimento, doença e morte, fatos estes presente no tempo de Sócrates e em nossos tempos de maneira indelével, inquestionável e aparentemente imutável.

E da mesma forma que naquela época; hoje temos aqueles homens que levantam a suas vozes para apregoar a verdade, a vangloriar-se de seus métodos, crentes da capacidade humana de explicar objetivamente a realidade que compõe o mundo a nossa volta, crentes na razão como meio e forma de alcançar o conhecimento pleno dos objetos que aparentemente nos rodeiam.

Caso os nossos homens de ciência de hoje se deparassem com Sócrates iriam experimentar o mesmo constrangimento dos sábios atenienses de outrora que ao se predisporem a ensinar e esclarecer ao sábio-ignorante filósofo sua metodologia e descobertas científicas, recebiam uma enxurrada de questionamentos plausíveis e palpáveis a ponto de no rodeio de suas dissertações encontrarem-se tão "precisamente embaraçados" que teriam apenas uma saída para este cheque-mate, confessar tal como Sócrates a sua plena ignorância. Ter seu orgulho ferido, por ter que confessar ignorância diante da matéria que antes fazia do individuo um "Phd" é realmente constrangedor.

O orgulho desses egos furiosos mataram Sócrates.

Mas agora eu encontro um contra-ponto entre eu e Sócrates, sinceramente não quero levar nenhum homem ao ridículo e nem mexer com o orgulho alheio, não para evitar a cicuta ou aborrecimentos, mas, para não perder o foco de minha busca.

E é com muita alegria que vejo que hoje existem muitos Sócrates modernos semelhantes a mim, que questionam o mundo em si mesmos, percebem muitas brechas, trincas e rachaduras sobre as paredes da "pseudo-razão" e suas ramificações científicas, filosóficas, políticas, econômicas e sociais.

Há algo por de trás deste véu de maia, há algo por de trás do aparente modelo simbólico que utilizamos em nosso dia-a-dia.

A tendência de interpretar o presente por intermédio da limitação de nossas experiências passadas está ultrapassada, encobrimos os nossos olhos quando assim o fazemos, acreditar que nossos planos para o futuro apoiados nesta antiga metodologia que é o empirismo, modificará a nossa realidade de amanhã, é algo por demais ingênuo para mim hoje.

Acreditar que existe um outro jeito, ou seja, fazer uso de um dos pilares presentes do caminho da fé que é o de acreditar antes mesmo de ver e manter a mente aberta é o primeiro passo para ultrapassarmos o paradigma diante do qual nos deparamos.

Mas para começar seja talvez necessário um enunciando, um postulado, minha mente ocidental é obcecada pela precisão e profundamente temerosa de deparar-se com o desconhecido e com o inexplicável, vamos então utilizar uma ponte, um corrimão, até que nos sintamos seguros para nos lançar ao método que nos propõe este novo jeito.

Primeiro enunciado: A verdade é.

Sendo, a verdade é inerente ao Ser.

Como seres estamos inseridos dentro da realidade, embora a possamos interpretá-la erroneamente e criar em nossas mentes um modelo totalmente distinto daquilo que seria real por intermédio de um mundo simbólico e representativo que nos impediria a experiência direta da realidade, tudo isto devido a teorias imprecisas que conduzem a crenças errôneas.

Se a verdade é, só há um meio de conhecê-la que é sendo, experimentando-a, vivenciando-a, encontrando a verdade em nós mesmos, conhecendo-nos, pois o efeito não pode preceder a causa e a o fruto não pode ser diferente da sua semente e a luz somente pode se estender através de uma Fonte e uma gota do oceano sintetiza todo o Oceano.

Portanto, a verdade não pode ser descrita ou explicada por intermédio de nossos signos, fórmulas, teorias, gráficos, geometrias e números, descobrimos a verdade, sendo a verdade e ao nos depararmos com a realidade de quem somos realmente.

Neste sentido não há nada que possamos observar por intermédio dos sentidos que contenha "mais realidade" do que nós mesmos. O princípio daquilo que é real e daquilo que não é real é inerente ao homem, não está fora dele, mas dentro dele.

O que afinal pode existir fora de nossas consciências?

A Ciência do Ser é o caminho e voltar-se para dentro de si mesmo é o nosso método de agora em diante.

Você tem interesse de conhecer um pouco mais deste outro jeito?

Siga a voz da sua consciência, de continuidade ou não a esta literatura, você é livre para fazer esta escolha, eu e Sócrates apenas estamos lhe convidando a caminhar conosco apenas por algumas horas, tenha certeza de uma coisa, estás em boa companhia.


Um comentário:

Anônimo disse...

Olá Washington, aqui é Paulo, tudo bem? Excelente texto! Principalmente ao fazer essa viagem aa imaginação e colocar socrates entre os "sábios" de hoje... Como será que esses sábios iriam se portar? Iriam se mostrar realmente sábios? Coisas que somente nosso aparelho imaginativo podem nos mostrar! Espero que dê continuidade a esse Blog, pois ja começou com o pé direito, aposto que já deixou muitos leitores curiosos de si mesmo.

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