terça-feira, 30 de junho de 2009

EU SÓ POSSO AJUDAR A MIM MESMO!




As religiões ocidentais como um todo, e grande parte das religiões orientais enaltece acentuadamente a prática do altruísmo.


O Kardecismo expressa está tendência em seu ápice ao afirmar no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo ao dizer que "Fora da caridade não há salvação" a ponto de colocá-la como o único meio de atingirmos nossa realização espiritual.


Tal fato pode ser encarado tal como um dogma. E discutir dogmas é para as pessoas que o aceitam quase uma ofensa, um desrespeito, um insulto.
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No entanto, creio que os espíritas serão os que menos se sentiriam assim com relação a este questionamento, pois o próprio diz construir suas crenças em bases racionais e em observações empíricas enquadradas dentro de uma metodologia, portanto aberta a discussões e a avanços na compreensão de seus objetos de investigações.


Porém, a vivência espiritual nos tem mostrado que a caridade pode tornar-se inclusive um empecilho para o nosso despertar, ao lermos o Poder de Agora ou outras obras de Eckhart Tolle notamos que o caminho para o despertar não depende de rituais externos ou de práticas esotéricas, sejam elas ritualísticas ou altruísticas.
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O despertar dependerá unicamente do contato consciente do individuo com a natureza essencial do Ser, ou seja, do encontro consigo mesmo, o oráculo de Delfos apresentou ao mundo o caminho e Sócrates tornou tal ensinamento de conhecimento universal e patrimônio espiritual da humanidade que afirma antes de qualquer coisa "conheça-te a ti mesmo" Ou seja, o princípio de toda sabedoria consiste no conhecimento de si mesmo.


Somente um homem desperto pode realizar a caridade, porque ele o faz de maneira iluminada, e ele a prática vivenciando o aqui e agora, não visando um benefício futuro próprio ou redimir-se de erros que cometera no passado.
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O individuo que não entende que toda situação se dá devido a uma série de causas e efeitos, não compreende os motivos que levaram ao seu semelhante a viver um estado de infortúnio e miséria material, física ou espiritual, assim não compreende também o seu papel diante daquela situação e muito menos de que cada homem é responsável por seu atual estágio de vida e que, portanto somente ele mesmo pode fazer algo por si.
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É claro que está compreensão não justifica a ausência de compaixão, os hindus compreendem tal fato e não valorizam e nem reconhecem o altruísmo dentro de sua prática espiritual e a caridade como uma virtude e é obvio que uma cristã como Madre Tereza de Calcutá transformar-se-ia numa figura santificada no ponto de vista católico ocidental, vivendo neste meio, pois através de sua compaixão ela sempre se predispôs a ajudar e a amenizar a dor de todo e qualquer semelhante, portanto é necessário olhar para tais acontecimentos e buscar neles o caminho do meio.
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Antes mesmo de alcançarmos o despertar podemos entender que não existe caridade no sentido que tal ato é atualmente compreendido pelas religiões.
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As religiões acreditam que devemos nos esquecer de nós mesmo e vivermos para o nosso semelhante como forma de crescermos espiritualmente, o que não é verdade, se ao praticarmos um ato altruísta e com ele nos sentirmos bem, teremos a tendência inata de querer repetir aquele fato para que possamos sentir novamente aquele prazer, aquela leveza, ou seja, fazemos por nós mesmos, pelo bem que tal ato nos proporciona e isto em si já não é maravilhoso?
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Podemos compreender que em última instância quando ajudamos alguém estamos no fundo ajudando a nós mesmos a nos sentirmos melhor e ter a oportunidade de apreender com o próximo e seu histórico de dificuldades nesta vida.
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Numa outra esfera de compreensão que só pode ser plenamente realizada através da experiência direta com a verdade e não através do meio lógico e intelectual, ou seja, só pode ser vivenciada através da iluminação, mas que podemos ter uma vaga idéia através da linguagem, compreende-se o seguinte:
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Como você se sentira ao saber que o mendigo que se encontra jogado na calçada, o doente em sua cama, o moribundo no seu leito de morte ou a mãe que passa fome junto com o seu filho não são separados de ti? E que tais pessoas são você mesmo? Desta forma quem você ajudaria ao socorrê-las? O outro ou a ti mesmo?
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Ao atingirmos o despertar espiritual através da iluminação pela prática do poder do agora ou do poder do silêncio ou através de qualquer outro caminho espiritual genuíno, estaremos contribuindo até mesmo com o individuo que se encontra na esfera mais longínqua do nosso planeta, uma mente que se ilumina torna a mente humana mais iluminada, a luz da iluminação espiritual ajuda a todos os nossos ancestrais assim como todos aqueles que ainda não nasceram neste plano, você consegue crer haver ato mais altruísta que este?
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Ao atingir a paz profunda através do seu bem estar interior você vibra numa sintonia que auxilia a todas as pessoas a sua volta que esteja em qualquer lugar do tempo ou do espaço.
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O Poder do Agora mostra-nos um caminho para o despertar que não depende da prática altruísta da forma tal como compreendida pela religião, a religião muitas vezes é um empecilho para compreender as leis espirituais.
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Da prática de caridade nasce muito orgulho, sentimento de poder, destaque individual, realização pessoal, bens esses que interessam somente ao ego humano.
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O que seria do filantropo sem o seu reconhecimento pessoal e coletivo de que existem pessoas miseráveis que necessitam de sua ajuda?
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A caridade depende da miséria para existir e a miséria depende da falta de consciência, portanto a caridade muitas vezes é um meio de lidar com os efeitos e não com as causas e raízes do problema.
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Eu só posso ajudar a mim mesmo, mas devo lembrar-se que ajudar ao próximo é também ajudar a mim e que, portanto o auxilio a quem pede ajuda é um ato que me ajuda atingir a minha própria auto-realização, assim como pedir ajuda, porque é eficaz para desinflar o ego, o grande empecilho do nosso “crescimento” espiritual.
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Por esta o ego não esperava, ser desmascarado até mesmo no seu ato dogmático que ele ilustra e declara-o como virtude moral e meio para a salvação.

2 comentários:

_Gui_ disse...

Hmm...

Se puder faz um tópico sobre, pós morte... gostaria de saber sua opinião a respeito

Tom disse...

Gui, o meu foco é somente o aqui e agora, a morte e a vida existem aqui e agora, se estou na presença de Deus e consciente do seu amor, permitindo que Ele flua para dentro de mim eu estou vivo, caso contrário, estou morto.

E só isto que tenho para dizer com relação a morte.

Paz Profunda!

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