quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Medo do Desconhecido




A mente consciente possui algumas diretrizes bem definidas com relação ao que se deve ou não permanecer em seu “departamento”, uma série de razões baseadas na lógica da sobrevivência são fundamentais, para esta tomada de decisão.


Uma vez tendo considerado altamente nocivo ou ameaçador um determinado pensamento cuja causa se apresenta como "insolúvel", incômoda e inquieta, a mente trata de reprimir tais pensamentos colocando-os por debaixo do tapete (inconsciente), para que ele não seja mais visto, e desta forma, libere espaço para que a mente consciente possa continuar com o seu foco no cotidiano ordinário, buscando satisfazer suas necessidades superficiais e imediatas, dentro de sua lista de prioridades diversas.


O medo e os seus desdobramentos diversos são os "lixos" mais comuns a serem arrastados para debaixo do tapete. Quando ocorre a decisão de fazer a faxina, se coloca o som na caixa (me diga aonde você vai, que eu varrendo, vou varrendo, vou varrendo, vou varrendo), e mãos a obra!


Afinal, quem é que faz uma pausa no seu dia-a-dia para pensar e avaliar minuciosamente questões ligadas à morte e a impermanência da natureza biológica, astrológica e de todo o universo físico a não ser monges em templos distantes ou aos pés do Himalaia?


E a morte é sem dúvida alguma, um desses resíduos do pensamento consciente cujo "cheiro" insuportável é rapidamente removido do consciente para ser rapidamente varrido para debaixo do nosso tapete.


Mesmo num velório, já observaram os diálogos com os quais nos deparamos na maior parte do tempo em que nos encontramos num velório? Até piadas nós contamos! Projetos, vida profissional, férias, etc.


Um velório é como um encontro forçado, incomodo, (porque lembra o consciente, daquilo que foi varrido por ele e que está ali, mostrando não um pequeno vestígio, mas uma prova inegável do fato de que aquele lixo não pode ser completamente escondido).


E é óbvio que o grau de contato estabelecido com "aquele corpo" neste velório, determina a intensidade da tragédia ocorrida para cada um dos presentes, mas nenhum dos presentes deixa de se deparar com a questão pela qual procuramos ignorar sempre e sempre, como se corpos fossem realmente durar para sempre e desta forma podermos continuar a se preocupar com nossos problemas cotidianos.


O medo de ter que se deparar com o fato de que a personalidade tal como a conhecemos hoje, determinada pelas circunstâncias da fatalidade social, econômica, geográfica, das experiências acumuladas desde a infância somada a nossas “grandes conquistas" como diplomas, status, frustrações, alta ou baixa alta estima, etc, irá de um momento para o outro - CABUM!


Não... Vamos deixar isto para lá... Deixemos isto aos loucos, aos religiosos, aos filósofos e aos monges do Tibet. Bola pra frente que atrás vem gente!

A morte é apenas um desses monstruosos medos escondidos e varridos pelo consciente, mas que obviamente não fica tão oculto assim quanto ele gostaria.


Há muitos outros medos varridos, ocultos, que não deixam de se manifestar naqueles sentimentos projetados que nós não fazemos idéia de afinal de onde surgiram... Como um baixo astral que parece surgir do nada e nos faz sentir assim, por dizer meio down! Ou algum outro sentimento nauseante, ou uma irritação... Ou uma necessidade louca de comer, ou transar, ou fumar, ou beber, ou dançar, ou ler (seja qual for tua válvula de escape, porque afinal, muitas vezes ela é tua vassoura).


Acho que por medo do assunto principal, desta nova postagem em meu blog fantasmagórico, disposto a libertar-nos todos os nossos fantasmas, eu estou enrolando e me esquecendo que blogs exigem uma linguagem menos prolixa.


O medo do desconhecido foi tão bem reprimido, tão bem compactado num formato cujo espaço geométrico encaixou-se tão perfeitamente a mandala do centro do tapete, que dá a impressão de ornamentá-lo através do auto-relevo que acompanha os detalhes da parte superior do mesmo, a ponto de raramente alguém sentir medo do desconhecido.


No entanto, este medo é tão evidente, que notamos o quanto o ser humano se agarra aos seus padrões repetitivos e encena diariamente a sua tragédia, ou tragicomédia, ou comédia ou sua pornografia, ou o que seja e evita de muitas formas, ter contato com aquilo que esta debaixo do tapete, com aquilo que pode neste momento nos rodear sutilmente ou com a arqueologia de seu próprio ser.


Percebo isto em mim mesmo, dentro do meu quarto em frente ao computador e sem sair de dentro de casa a dias.


É aí que entram as religiões, trazem respostas prontas, mandamentos, dogmas, livros sagrados e inquestionáveis para trazer o conforto as nossas mentes, (oferecendo um tapete maior e uma pá mais larga, com uma vassoura mais eficiente), como se ali não houvesse nada novo a ser explorado, nenhuma experiência mística para ser vivenciada, nenhuma transformação alquímica do ser, nada mais.


E muitos escritos sobre espiritualidade são na verdade meios de procurar tornar mais agradável o nosso velho cotidiano, acrescentando quem sabe um colorido maior, umas cifras a mais, algumas experiências humanas mais sutis e sustentáveis. (Oh! Salvemos o planeta a nossa grande morada).


E existe uma lei de mercado que é a lei da oferta e procura e diante desta lei, podemos refletir sem medo, algo que eu vejo como um fato:


Há muitos seres inocentes, ludibriados por seus sonhos, que escrevem sobre espiritualidade de uma maneira tão “agradável”, preocupado em atenderem com suas ofertas a grande procura de pessoas ávidas pela prosperidade financeira, pela conquista de grandes desafios, pela obtenção de poder, pela materialização de seus desejos através da poderosa lei da atração! E desta forma elevam seus egos a altos patamares na lista dos mais vendidos da última semana de um tempo linear e absoluto! Amém!


Pessoas que vivenciam a espiritualidade genuína superaram o seu medo do desconhecido e caminham em direção ao inusitado, ao surpreendente, ao inconsciente e nem sempre encontram bases que se encaixam a lógica do mundo e de seus mercados. Eles encontram, se deparam ou se aproximam de um tesouro que não há igual na "terra" e definitivamente não estão preocupados em escrever best-sellers, às vezes, aquilo que estes possuem para oferecer não encontra grande demanda e a sua oferta é por isso tão escassa.


A espiritualidade genuína é uma revolução silenciosa.


São os ilustres desconhecidos, os anônimos iluminados.


Mas observo com grande alegria que alguns desses, estão começando a surgir para o mundo, chamando atenção para a espiritualidade genuína e cantando a maravilhosa, gloriosa e divina canção do despertar!

2 comentários:

José Eduardo [DUDA] disse...

Beleza cara?
Muito legal esse texto sobre o desafio de falar sobre ESPIRITUALIDADE.
Tenha um SANTO 2011!!!
No meu blog tem um texto parecido com umas perguntas a serem respondidas no final da postagem.
Confira lá:
http://acasasobrearocha.wordpress.com/2011/01/07/sua-fe-e-regida-pelo-amor-ou-e-so-um-punhado-de-doutrinas-proibicoes-cf-cl220-23-e-rituais-sistematizados/
O medo que voce descreve em seu texto é um dos temas do livro de Jonas na Bíblia (estou pensando em escrever baseado em Jonas).

Abração!
SHALOM!

José Eduardo [DUDA] disse...

E outra coisa amigo,
Posso reblogar os seus textos sobre desafios da espiritualidade [citando fonte tudo certinho]?

SHALOM!

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