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Sociedade Primitiva Contemporânea (SPC)


Os bares, prostíbulos, penitenciárias, casas da lei e as universidades estão abarrotadas de pessoas tais como a mim, sonharam e que se desiludiram, ousaram sonhar outra vez e  se quebraram, e agora, se recusam a sonhar novamente e, no entanto, também não conseguem se liberar do seu pesadelo cotidiano. 

Pessoas que buscam alívios para suas feridas e que continuam a viver em ambientes hostis, permanecendo com suas feridas abertas e pulsantes!

Indivíduos que para os quais  o remédio vindo de fora já não representa uma esperança para a cura, mas a mera possibilidade de um alívio momentâneo!

Eu, no entanto, já decidi por expor minhas dificuldades e fraquezas, não preciso mais fingir forças como outrora, assim como não preciso mais me lançar sobre o pescoço do meu semelhante com a ilusão de que ele é o algoz do meu sofrimento, muito pelo contrário, tenho hoje a infinita compaixão dos bodhisattvas, pois estou ao menos consciente de que ele, o meu semelhante esta muita das vezes tão doente, perturbado e oprimido tal como eu mesmo, e ainda esconde suas fraquezas e dúvidas por de trás das frágeis muralhas dos seus impulsos padronizados e condicionados por valores decadentes que nos conduzem ao colapso!

Irônica e trágica situação! Encerrados numa misteriosa esfera suspendida no espaço sem possuir a clareza de propósito e significado para nossas existências, sofrendo dramas coletivos, possuindo as mesmas necessidade de sub existir, se alimentar, habitar e vestir-se, assim como os mesmos sonhos por felicidade, realização, paz e segurança e, no entanto, isolados uns dos outros, tais como estranhos e potenciais salteadores, representantes de uma ameaça constante, vivendo sobre tensões diárias, com medo, desconfiança, pânico, estresse, síndromes, transtornos ou sombras que se acumulam no interior da psique!

Não é fácil habitar entre seres primitivos e ter que se conciliar com um leão por dia para que não sejamos prematuramente devorados, ter que abrir concessões ao adversário que habita no interior de nós mesmos, este selvagem que é capaz de matar para defender suas ilusões vazias através daquilo que chamamos de legítima defesa, sem nos darmos conta, de que a defesa, é um ataque brutal aprendido com um medo irracional e seu instinto de sobrevivência!

Até quando nós crianças que fingimos uma idade adulta que tem por parâmetro o número de elipses do planeta em torno do sol, acordaremos resolutos para amadurecermos e humanizarmos a terra?

Enquanto isto em laboratórios farmacêuticos credenciados pelo imprimatur dogmático da ciência oficial, conglomerados ambicionam o acúmulo de capital, sem pouco importarem com a eficácia ou efeitos colaterais de muitas das suas drogas, quando na realizadade o que precisamos é da cura da alma para se libertar de forma de violência ou opressão.

Quem dera possamos encontrar no próprio veneno humano o remédio da nossa salvação? Pois onde esta o problema haverá de estar também a solução!


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